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Universal Music enfrenta ação coletiva por perda de gravações originais em incêndio

Divulgação
Tupac Shakur em cena no filme "As Duas Faces da Lei" (1997) Imagem: Divulgação

De Los Angeles (EUA)

2019-06-23T17:54:00

23/06/2019 17h54

Representantes do rapper Tupac Shakur e do roqueiro Tom Petty, ambos falecidos, integram um grupo que busca uma indenização de pelo menos 100 milhões de dólares do Universal Music Group (UMG) pela perda de gravações valiosas em um incêndio no ano de 2008.

O processo coletivo, iniciado na última sexta-feira, é o primeiro contra o UMG desde que o "The New York Times" publicou uma investigação que revelou a destruição de cerca de 500 mil gravações, entre elas fitas originais, durante um incêndio ocorrido em junho de 2008.

Três escritórios de advogados entraram com a ação em Los Angeles, representando vários artistas, entre eles Soundgarden, Hole e Steve Earle. Segundo o texto do processo, o UMG arquivou as fitas masters contendo os trabalhos dos demandantes em um "depósito inadequado" dentro do prédio da Universal Studios cujo risco de incêndio era conhecido.

Os advogados acusam o UMG de "ocultar a perda com declarações públicas falsas", enquanto buscava um acordo de confidencialidade com a Universal Studios.

Citando cláusulas de seus contratos de gravação, os artistas alegam que têm direito a pelo menos metade do montante deste acordo, que poderia ter um valor estimado em, pelo menos, 150 milhões de dólares, segundo documentos da corte.

Entre os trabalhos que supostamente foram consumidos pelas chamas estão os de artistas como Billie Holiday, Louis Armstrong, Bing Crosby, Ella Fitzgerald, Sonny e Cher, Joni Mitchell, Eric Clapton, Elton John, Janet Jackson e Nirvana.

As chamadas 'master recordings' são fontes únicas utilizadas para criar vinis, CDs e cópias digitais. A perda deste material afeta, principalmente, edições póstumas e o lucrativo negócio das reedições.

O diretor executivo do UMG, Lucian Grainge, disse que a empresa deve "transparência" aos artistas sobre a destruição provocada pelo incêndio, mas, desde a revelação do New York Times, a empresa vem minimizando o prejuízo.

"Isso aconteceu há 11 anos e as manchetes recentes são apenas barulho", disse Arnaud de Puyfontaine, diretor executivo da Vivendi, proprietária do UMG, em entrevista à revista "Variety", especializada na indústria do entretenimento.

A Vivendi, conglomerado de mídia de origem francesa, tenta vender 50% do UMG, maior empresa musical do mundo.