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Shopping de livros é coisa do passado: chance para a Bienal ser repensada

Público no primeiro dia da Bienal do Livro de São Paulo 2018 - Iwi Onodera/UOL
Público no primeiro dia da Bienal do Livro de São Paulo 2018 Imagem: Iwi Onodera/UOL
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

22/06/2020 09h25

Não teremos a Bienal Internacional do Livro de São Paulo neste ano, anunciou na sexta a CBL (Câmara Brasileira do Livro). A 26ª edição de um dos eventos mais tradicionais do mercado editorial ficará para 2022 (nos anos ímpares, a grande Bienal é a do Rio). O motivo, claro, é a pandemia de Covid-19. Se lembrarmos que o Brasil está praticamente isolado do resto do mundo, podemos imaginar: outros eventos seguirão caminho semelhante.

O adiamento traz uma grande chance para os organizadores da Bienal, a começar pela CBL e as editoras que representa, repensarem o evento. Olhando para as últimas edições, é possível notar sinais crescentes de que o formato atual está desgastado. Não faz mais sentido ocupar grandes espaços para termos um encontro cujo foco principal é a venda de exemplares. Quase ninguém precisa sair de casa, muito menos viajar até São Paulo, para encontrar bons preços nas vendas das editoras ou nos saldões cheios de tranqueiras encalhadas (e raras preciosidades por 10 reais, verdade). Não precisamos mais de um shopping provisório de livros.

Poderiam olhar para a Comic Con ou para a Brasil Game Show para ter ideias de como transformar a Bienal num espaço de troca de ideias e contato entre leitores e escritores (o que já ocorre, mas deveria ser aprimorado) preenchido por estandes que privilegiem a promoção de seus produtos com experiências inéditas, exclusivas, de preferência com boas doses de interação, sem se preocupar tanto com vendas diretas. Na minha cabeça, vislumbro uma Bienal em que possa mergulhar num fragmento do mundo de Harry Potter no espaço da Rocco, num pedaço do Rio de Janeiro machadiano no estande da Antofágica ou no parque amazônico vislumbrado por Samir Machado de Machado no pedaço da Todavia.

É passar a entender a Bienal muito mais como um encontro cultural que serve ao marketing das editoras do que como um evento comercial que deve apresentar planilhas com números positivos tão logo o último dia chegue ao fim. É uma mudança um tanto drástica e que passa pela quebra de paradigmas de muitas das cabeças fortes do mercado, sei disso. O momento é pouquíssimo favorável para alguém levantar uma bola na qual diz: devemos ter outro tipo de preocupação em relação aos números, sei disso também. Só que se a pindaíba é imensa, não custa ao menos pensar em qual seria o futuro ideal. Quando a oportunidade existir, saberão no que vale a pena apostar.

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