Um "turu turu" que não passa

A um dia do início da turnê de Sandy e Junior, fãs trintões contam por que ainda se emocionam com a dupla

Renata Nogueira Do UOL, em São Paulo
Suellen Lima

Chegou a hora! Começa amanhã a turnê Nossa História, que reunirá Sandy e Junior nos palcos para comemorar os 30 anos de carreira dos irmãos como dupla.

O primeiro de 15 shows acontece no Recife e marca a volta de Sandy e Junior 12 anos após a separação. Os ingressos estão esgotados, situação que se repete em 10 das 11 cidades pelas quais eles passam entre julho e outubro.

Conversamos com fãs que acompanharam a carreira dos artistas desde o início para entender por que - mesmo depois de tanto tempo sem shows da dupla - a paixão deles por Sandy e Junior não mudou.

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Dá vontade de não acordar desse sonho

Wellington Tavares, 31 anos

"Foram vários momentos inesquecíveis. O primeiro deles foi em 23 de outubro de 1998. Nunca tinha ido a um show, era uma criança de 11 anos e conheci eles por causa da promoção de uma rádio. Liguei de um orelhão e fui sorteado. Foi um impacto para o meu coração. A partir dali eu tive a noção do quanto gostava deles.

Já em junho de 2015, reencontrei os dois juntos depois de muito tempo da separação. Foi quando o Junior veio para o SuperStar [reality da Globo], que a Sandy era jurada. A última vez que eu tinha tirado foto com eles juntos havia sido em 2008. Foi demais reencontrá-los já adultos. Fiquei muito emocionado.

Quando eles anunciaram que fariam a turnê comemorativa foi uma coisa de outro mundo. Eu não acreditava, mas quando vi que era verdade parecia que eu estava entrando em um sonho. Chorei. Eu pensei que nunca mais testemunharia os dois fazendo um show juntos. Para um fã que acompanha há tantos anos, foi um presentão.

Se eu pudesse iria nos 15 shows. Por mais que sejam iguais, a emoção é diferente. Só um fã mesmo para entender.

Tem que aproveitar essa oportunidade porque não sei se depois vai ter mais. Por enquanto vou em oito shows. Dá vontade de não acordar desse sonho.

Através da música, da sintonia deles, eles tiveram uma participação muito importante na pessoa que eu me tornei. Eu era aquela criança que sonhava em conhecê-los, corri atrás e consegui. Hoje sempre olho por esse lado, de que a gente nunca deve desistir dos sonhos.

Para mim, Sandy e Junior ainda agregam muito nessa coisa de família, de amizade e de irmandade. Mesmo com o passar do tempo, ainda sinto aquele nervosismo quando os vejo. O dia em que eu não sentir mais isso, não terá mais graça."

Alex Almeida/Folhapress Alex Almeida/Folhapress
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Fãs só estavam em um estágio de sono

Laura Milat, 31 anos

"Meu pai ouvia muito Chitãozinho e Xororó, então ele que apresentou Sandy e Junior para mim. Mas o dia em que eu conheci eles de verdade foi uma vez em que estava no aeroporto. Fui com os alunos do colégio buscar uma amiga que havia ido disputar um Mundial de ginástica artística e escutamos barulhos de flashes de câmera.

Era a Sandy e o Junior!

Os dois nos cumprimentaram e deixaram a gente acompanhar eles até o carro. Neste dia vi que eles eram muito mais do que artistas, eles eram aquilo mesmo que mostravam na TV. Foi demais, pena que não tinha celular na época.

Outra lembrança com eles que marcou muito a minha vida foi o show no Olimpia [antiga casa de shows em SP] em 2000, da turnê As Quatro Estações.

Meu pai era taxista e um cliente dele pediu para que ele conseguisse ingressos para a filha e as amigas dela. Ele conseguiu comprar uma boa quantia de ingressos para esse passageiro e o cambista deu um ingresso de brinde para o meu pai.

Fui sozinha ao show. Ele me colocou na porta do Olímpia e depois ficou me esperando sair. A área que consegui ficava a seis fileiras do palco. Foi inesquecível.

Mesmo depois que acabou a dupla, eles continuaram significando muito. Os fãs ficaram com um ponto de interrogação, sem saber o motivo. Mas acredito que todos continuaram sendo fãs da mesma forma, só estávamos em um estágio de sono enquanto a dupla se resolvia.

Quando anunciaram a turnê comemorativa fiquei muito feliz, não apenas por serem grandes músicos, mas por eles terem se acertado como irmãos, como dupla. Parece que foi uma continuação para um final feliz.

Pensei que eles voltariam para ficar, mas eles deixaram claro que é apenas uma turnê. Depois de sofrer na fila online e física para conseguir um ingresso, só garanto que vou curtir como nunca no dia 25 de agosto, quando vou ao show em São Paulo. Vou curtir por todos esses anos em que eles estavam descansando."

Alex Almeida/Folhapress Alex Almeida/Folhapress
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Eles trouxeram o amor da minha vida

Emerson Vieira dos Santos, 32 anos

"Tudo começou com Era Uma Vez. Uma prima que morava do lado da minha casa ouvia muito esse CD e aí eu comecei a ouvir junto com ela e fiquei enlouquecido. Hoje não sei nem precisar a quantos shows já fui. Entre Sandy e Junior e Sandy solo, sei que já fui a mais de cem.

Eles me marcaram demais, principalmente na pré-adolescência. É aquela época do primeiro amor, de estar apaixonado, de ficar ouvindo as músicas e sofrendo. E muitas vezes não tinha ninguém, eu nem namorava, mas mesmo assim já sofria ouvindo as músicas.

Lembro que uma vez teve uma coletiva do disco Sandy e Junior, de 2001, em um hotel em Copacabana. Foi o primeiro contato mais próximo que eu tive com a dupla. Eu menti para a minha mãe, faltei na aula e fui atrás deles. Eles chegaram naquele ônibus gigantesco. Foi tudo muito rápido, mas para mim foi o auge.

No ano seguinte consegui entrar pela primeira vez no camarim. Eu lembro que eu não falava nada por causa do nervosismo. Só dei um abraço neles, falei que gostava do trabalho, peguei um autógrafo, tirei uma foto e fui embora. Fiquei anestesiado.

Montei um fã-clube com meu primo, porque quem era de fã-clube tinha mais chance de entrar no camarim. Eles também faziam reuniões com os presidentes. No último CD deles, eles nos convidaram para ouvir o disco antes de ser lançado. E foi assim que me aproximei mais deles.

Quando eu era fã em 1998 era tudo muito lúdico. Eu comprava revistas, cortava as fotos e as colocava em pastinhas. Hoje eu tenho a sorte de eles me conhecerem. Isso é muito gratificante.

Tenho um grupo de dez amigos, e foi Sandy e Junior que me trouxeram eles. Inclusive o grande amor da minha vida. A gente se conheceu por causa deles.

Então vai além da música. A amizade é um sentimento muito verdadeiro. E eles fizeram isso com a gente, nos uniram.

Ainda os amo muito por causa do destino que eles traçaram na minha vida. De repente, se eu não fosse fã deles, eu não conheceria essas pessoas incríveis que hoje são meus amigos e também o meu namorado, que estou junto há dez anos.

Sempre agradeço pessoalmente a Sandy quando estou com ela: Você me deu um baita presentão. Meus amigos e o melhor namorado do mundo."

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Marcha nupcial ao som de Sandy

Ana Carolina Castilho, 32 anos

"Sandy e Junior trazem muitas lembranças gostosas para quem tem a nossa idade. A ansiedade na fila da bilheteria para conseguir os ingressos, a emoção ao conseguir juntar um trocadinho para comprar a revista que a dupla era capa. As moedinhas guardadas para comprar as Maxi Figurinhas para o álbum. O friozinho na barriga quando chegava o jornalzinho do fã-clube pelos Correios. A fita VHS antiga que a gente usava para gravar o programa que a dupla ia aparecer.

Fora as noites sem dormir direito para terminar aquela carta de muitos metros escrito "eu amo vocês" que a gente jogava no palco. Meu sonho na época era ter uma máquina fotográfica com zoom para as fotos dos shows ficarem boas. Também pedia muito para a minha mãe me colocar no mesmo colégio que eles, mas ela falava que era impossível nos mudarmos para Campinas.

Uma vez descobri onde vendia uma blusa toda brilhante que a Sandy usou em um show, mas era muito cara. Pedi para a minha mãe de presente de Natal, Dia das Crianças e aniversário e fiquei sem ganhar presente o ano inteiro, só para ganhar aquela blusa (e tenho ela até hoje).

Outra coisa que fiz e dou muita risada hoje foi ir a um estúdio que tinha em um shopping perto da minha casa e gravar um CD cantando as músicas deles. Ficou ridículo, claro, não sou cantora, mas eu fiquei tão feliz. Meus irmãos e os amigos ainda me zoam até hoje por causa desse CD.

Agora eu tenho outras responsabilidades e não posso fazer as mesmas loucuras que antes por um artista. Mas o sentimento de carinho e de amor que tenho pela dupla ainda é o mesmo. Ainda me emociono com algumas músicas e me divirto com outras. E lembro as coreografias.

Mesmo separados, continuei acompanhando a carreira solo deles. Sempre vou aos shows da Sandy e já fui algumas vezes ver o Junior tocar em seus projetos. A música da minha entrada no meu casamento foi uma mistura de marcha nupcial com uma música da Sandy. Achei que precisava ter algo que me lembrasse a dupla nesse momento tão especial e que significa tanto para mim.

Tive bebê há dois meses e minha filha só mama no peito. No dia do show deixarei meu leite separado para o pai oferecer para ela. Não poderia deixar de ir em um show tão histórico desses. Me lembro em 2007 o quanto chorei no show de despedida deles no Credicard Hall pensando que nunca mais iria à um show deles. Estava enganada."

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Parece que voltei a ter 12 anos

Rebeca Andrade, 31 anos

"Quando anunciaram esses shows comemorativos ressurgiu um sentimento tão bom em mim. De relembrar a infância dançando as músicas de Sandy e Junior, do dinheiro da merenda que eu guardava para comprar as revistas na banca de jornal, de como eu ficava imaginando como seria ser amiga da Sandy e namorada do Junior.

O sentimento é o mesmo. Parece que voltei a ter 12 anos e estou indo assistir ao meu primeiro show. O coração está acelerado. É reviver tudo de bom daquele tempo.

Tenho um filho de 2 anos, mas agora a criança sou eu.

Para ir aos shows, vou deixá-lo com tios, avós e o pai. Quero curtir sem perder nenhum segundo. Não sabemos quando veremos isso novamente.

A história de Sandy e Junior se mistura com a minha quando penso em família, amigos e sucesso. A base deles se constitui com uma família muito estruturada. Eu, mesmo com pais separados, tenho plena consciência de que sempre fizeram o melhor por mim e para mim.

Através deles também conquistei muitos amigos com a mesma admiração pela dupla. Crescemos juntos, vivemos tantos momentos inesquecíveis. Sei que esse grupo de amigos estará sempre ao meu lado para qualquer situação.

Tudo que eles fazem é sucesso garantido. Mas sei que isso foi fruto de muita entrega, muito trabalho e muita verdade. Eles são um grande exemplo para mim tanto na vida pessoal quanto na profissional. Eu só desejo a eles tudo de bom que eles me proporcionam."

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Nunca superamos. A paixão é eterna

Túlio Rodrigues, 37 anos

"A dupla entrou na minha vida em um momento muito delicado da minha adolescência.

Eu dividia o quarto com meus irmãos e um dia estava chorando debaixo do cobertor enquanto eles assistiam TV. Era o programa da Hebe. Quando Sandy e Junior começaram a cantar eu parei de chorar. Fechei os olhos e aquela música me deu alívio, me acalmou.

Consegui dormir tranquilo e no dia seguinte tive vontade de sair de casa, procurar um CD deles. Parei na banca de jornais para ver revistas deles. Começava ali a minha paixão pela dupla.

Eles me inspiravam a ser uma pessoa melhor. Foram e são trilha sonora da minha vida. Primeiro amor, primeira decepção, necessidade de mudança, valores de amizade, valores familiar, vontade de fazer as coisas acontecerem.

Para o fã da dupla existia uma esperança que em algum momento eles estariam juntos novamente no palco. Lembro que depois que a cortina fechou no último show eu sentei no chão do Credicard Hall e chorei muito. Os fãs cantavam em coro "inseparáveis, inseparáveis". Não conseguia acreditar que aquela era a última apresentação deles como dupla. Foi bem difícil superar.

No fundo, nunca superamos. Nunca abandonamos os CDs, nunca nos desfizemos de nossa coleção de recortes de revistas. E lá estávamos nós quando tinha alguma apresentação de um deles, na esperança de que cantariam juntos.

Sandy e Junior sempre me inspiraram a não desistir dos meus sonhos. Os amigos que fiz em porta de hotel, em fila de shows, em saguão de aeroporto. Sem dúvidas foi um dos maiores presentes que a dupla me deu.

Já fiz muitas loucuras por eles. As loucuras costumam ser impulsionadas pela emoção do momento, nem sempre planejadas. Gostaria muito de estar perto deles em algum momento e mais uma vez ter a voz embargada de emoção, e por mais que eu tente dizer mil coisas, só sairá um tremulo e nervoso: Eu amo vocês!"

Por onde passa a turnê Nossa História, de Sandy e Junior

  • 12 de julho: Recife (Classic Hall)
  • 13 de julho: Salvador (Arena Fonte Nova)
  • 19 de julho: Fortaleza (Centro de Convenções do Ceará)
  • 20 de julho: Brasília (Estádio Mané Garrinha)
  • 2 e 3 de agosto: Rio de Janeiro (Jeunesse Arena)
  • 17 de agosto: Belo Horizonte (Esplanada do Mineirão)
  • 24 e 25 de agosto: São Paulo (Allianz Parque)
  • 31 de agosto: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)
  • 13 de setembro: Manaus (Arena da Amazônia)
  • 14 de setembro: Belém (Hangar PA)
  • 21 de setembro: Porto Alegre (Arena do Grêmio)
  • 12 e 13 de outubro: São Paulo (Allianz Parque)
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