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Elza Soares: 'No Brasil, parece que negro morto é brincadeira'

A cantora Elza Soares durante show no Rock in Rio 2019 - Mauro Pimentel/AFP
A cantora Elza Soares durante show no Rock in Rio 2019 Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Do UOL, em São Paulo

18/06/2020 08h14

A cantora Elza Soares afirmou que o Brasil "é o pais mais racista do mundo" e criticou a falta de mobilização para conter a violência contra os negros. Ao mesmo tempo, ela valorizou os protestos antirracistas que estão acontecendo por todo o mundo desde a morte do segurança negro norte-americano George Floyd, que foi asfixiado por um policial branco nos EUA.

"Nos Estados Unidos, mataram um homem negro e o mundo veio abaixo. Aqui, parece que é brincadeira. Rezo muito para que isso não chegue aos meus sobrinhos e meus netos", disse, ao jornal O Globo.

"A coisa aqui é braba, uma doença que não tem cura, uma situação absurda, nojenta. É a minha raça que estou vendo ser destruída, e é preciso dar um grito de basta", declarou ainda.

Pandemia

Elza também refletiu sobre a pandemia do novo coronavírus, dizendo que foi um "castigo" e uma "surra" que a humanidade precisava tomar para tratar o planeta melhor. "Com todo mundo trancafiado dentro de casa, as praias vazias, não é possível que as pessoas não aprendam", disse.

"Você sabe do que eu sinto falta? Dos estudantes na rua. Eles fechavam tudo e acabavam com a bagunça. Hoje a gente não tem mais estudantes na rua, não tem mais ninguém na rua... Está todo mundo amedrontado", lamentou.

90 anos

No próximo dia 23 de junho, Elza completa 90 anos — mas não quer saber de muito "frisson" em torno dessa marca. "Não sou muito apegada a aniversário, não. É o que eu digo sempre: esquece esse, outros virão", brincou.

"Tenho que dar graças a Deus que estou em minha casa, e não no hospital. Tô aí", disse ainda. "O palco faz falta, o público faz falta, mas quando eu entro em casa, eu fico em casa. Estou aproveitando para descansar o corpo e a cabeça, porque, quando começo a trabalhar, não paro".