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Líder de Grey's Anatomy expõe crime, privilégio branco e apoia antirracismo

Krista Vernoff relatou ontem sua experiência com a diferença de tratamento da polícia com pessoas brancas e pessoas negras - Phillip Faraone / Correspondente/Getty Images
Krista Vernoff relatou ontem sua experiência com a diferença de tratamento da polícia com pessoas brancas e pessoas negras Imagem: Phillip Faraone / Correspondente/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

16/06/2020 16h43

Krista Vernoff, showrunner de Grey's Anatomy, expôs ontem em seu Twitter alguns crimes cometidos quando mais jovem que, segundo ela, teriam consequências mais graves caso fosse negra, exemplos de seu privilégio branco.

A fala vem em um contexto de semanas de protestos contra o racismo estrutural nos Estados Unidos e no mundo, motivados pelo assassinato do homem negro George Floyd pela polícia norte-americana.

Vernoff começou contando que, aos 15 anos, "foi perseguida em um shopping pela polícia, que gritava 'pare, ladra!'. Eu tinha milhares de dólares em mercadorias roubadas. Fui pega, registrada e condenado a 6 meses de liberdade condicional, obrigada a ver um oficial de liberdade condicional semanalmente. Eu nunca fui sequer algemada".

Dois anos depois, ela relata que foi "abordada por dirigir bêbada. Quando o policial me pediu para soprar no bafômetro, eu fingi ter asma e insisti que não podia soprar o suficiente para permitir o teste. O policial riu e então pediu aos meus amigos para que soprassem. Quando um deles ficou sóbrio o suficiente para dirigir, ele me deixou ir para o banco do passageiro do meu carro e ir para casa com apenas uma advertência verbal".

Além de atacar uma garota quando bêbada, usando um galão d'água para atingir sua cabeça, Vernoff socou o rosto de um homem em frente a um policial. O sujeito foi ao chão, sangrando e gritando que queria que ela fosse presa. Ela acrescenta que, entre 11 e 22 anos, foi perseguida e advertida por polícias por beber ou usar drogas em propriedades particulares e públicas, tudo isso sem qualquer antecedente criminal"

Por fim, ela questiona as pessoas brancas lendo os tuítes e enfatiza o racismo de um sistema que "precisa de mudança".

"Se eu tivesse levado um tiro nas costas pela polícia após o incidente com furtos em lojas - no qual eu conscientemente, voluntariamente e sobriamente e em plena luz do dia CORRI DE POLICIAIS - você diria que eu mereci? Estou pedindo às pessoas brancas que estão lendo isso para pensem nos crimes que cometeram. (Nota: você não os chama de crimes. Você e seus pais os chamam de erros.) Pense em todos os erros que você cometeu e que lhe foi permitido sobreviver."

"O sistema que me permite viver e assassina Rayshard Brooks [homem negro morto pela polícia estadunidense] é um sistema quebrado que deve mudar. Pare de defendê-lo. Exija a mudança."

Com mais de 85 mil retuítes, o testemunho de Vernoff foi elogiado inclusive por Ava Duvernay, diretora de filmes como "Selma" (2014) e da série da Netflix "Olhos Que Condenam". Segundo ela, essa foi uma das melhores threads sobre a criminalização da população negra que leu nos últimos tempos.