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Lobão: 'Golpe está a caminho, e Maia vai ficar devendo de maneira trágica'

Do UOL, em São Paulo

01/06/2020 23h55

Lobão não economizou nas críticas ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) hoje, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura. Depois de dizer que o atual presidente da República tem a "intenção de destruir completamente a classe artística do Brasil", o cantor afirmou que um "golpe" já está a caminho e que Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, vai ficar "devendo" se não impedir que algo desta natureza aconteça.

"Estamos em uma pandemia, as pessoas estão se estapeando na rua porque não tem essa representatividade. O STF [Supremo Tribunal Federal] tá se agigantando nesse sentido, temos que chamar a responsabilidade desses homens que estão nos poderes constituídos através de pessoas com essa autoridade. E não só as pessoas como Fernando Henrique Cardoso, Caetano Veloso, pessoas de renome, mas essa quantidade enorme, multiplicação, representatividade numérica que precisamos acreditar com uma fé cega. É nossa única salvação, porque o golpe está a caminho", alertou.

"Aí vem este manifesto desta faixa cinzenta da sociedade que acho que é a única maneira de a gente salvar... Alertar a seriedade, um cara como Rodrigo Maia vem dizer que as instituições democráticas estão asseguradas, não estão, Rodrigo Maia, não estão. Você historicamente vai ficar devendo essa de uma maneira trágica", criticou Lobão.

A pergunta que levou à resposta em questão envolveu as manifestações que ocorreram nos últimos dias no Brasil e nos Estados Unidos. Em meio à pandemia do novo coronavírus, que continua causando óbitos nos dois países, os protestos têm temas e reivindicações semelhantes, como as mortes dos negros João Pedro Matos e George Floyd, ambas provocadas por policiais. O contexto brasileiro ainda tem um ingrediente adicional: a insatisfação de parte da sociedade com o governo Bolsonaro.

"Quando a gente vê as manifestações tanto nos EUA, com a morte do Floyd, e o João Pedro aqui, as milícias, a polícia... Isso é uma coisa muito importante para a gente ver. Acho que esse núcleo, que aumenta gigantescamente, que se assemelha com o movimento Diretas, é esse caminho que a gente deveria ter. Achei muito compreensível as torcidas [de times de futebol] entrando nas ruas", comentou Lobão.

Porém, o cantor contrariou especialistas e autoridades de saúde do mundo inteiro e da OMS (Organização Mundial da Saúde) ao dizer que o "confinamento" das pessoas em suas casas "não leva a coisa nenhuma" no combate à pandemia da covid-19.

"Você vai para as favelas, não tem saneamento básico e vai querer botar as pessoas em confinamento, não tem nem água. Essa questão da contenção do auxílio dos 600 reais é um sadismo do governo, então essa explosão é absolutamente legítima na medida que... Imagina você já morando em um barraco, com 20 pessoas, e você sendo evaporado. As mortes, uma pandemia horrorosa e um confinamento que não te leva a coisa nenhuma, então esse tipo de manifestação tem genuinidade", concluiu.

Hoje, escolheria Bolsonaro ou Haddad?

haddad bolsonaro - Arte/UOL - Arte/UOL
Jair Bolsonaro (sem partido) e Fernando Haddad (PT), adversários no segundo turno em 2018
Imagem: Arte/UOL

Ex-apoiador do presidente da República, Lobão teve de responder o que faria se a eleição presidencial de 2018 ocorresse agora, em 2020, diante das novas opiniões que o cantor tem. Votaria de novo em Bolsonaro ou escolheria Fernando Haddad (PT) desta vez?

"Não vou votar, me absteria. Detesto fazer isso, não fiz naquela época porque lutei muito, passei 13 anos lutando contra o PT. Eu me absteria porque também acho que, inclusive, a grande estufa bolsonarista foi o PT, foi o que causou essa comoção, essa nova paranoia comunista, foro de São Paulo... Todo mundo com toda razão se assusta com Bolsonaro, mas a gente tem que lembrar do Lula posando com (Muammar) Gaddafi (ex-ditador da Líbia). Ela [Dilma] tentou [impedir o impeachment], falou com Forças Armadas, mas não conseguiu. Mas levou o Brasil à maior recessão", rebateu.

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