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Grupo de 1.500 famosos pressiona governo por auxílio para 'parar o Brasil'

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

22/03/2020 00h07

Bruno Gagliasso, Maria Rita e Cocielo estão unidos a mais de 1.500 criadores de conteúdo, como youtubers e influenciadores do Instagram, em uma campanha que tenta "parar" o Brasil para conter a pandemia do novo coronavírus — estudos divulgados por especialistas, como o virologista Atila Iamarino, dizem que as mortes só são limitadas quando a circulação de pessoas é suprimida, como fez a China. Os projetos "Vamos Parar o Brasil" e "Renda Básica" foram lançados em meio a um diálogo proposto pelos organizadores Nilce Moretto, dos canais "Coisa de Nerd" e "Cadê a Chave", e Rolandinho, do "Pipocando".

Para que o país "pare", porém, eles pressionam o governo e pedem que a parcela mais pobre da população receba um auxílio de R$ 300 por pessoa beneficiada durante seis meses. Assim, profissionais autônomos que não exercem funções essenciais poderiam ficar em casa. O movimento nasceu em um coletivo de produtores de conteúdo de altíssima audiência, e os nomes dos envolvidos foram obtidos com exclusividade pelo UOL. A lista de apoiadores inclui Felipe Neto.

Você pode até não conhecê-los, mas seu filho adolescente ou jovem adulto certamente sabe quem são e talvez até os acompanhe diariamente na internet. Antes de mais nada, é preciso destrinchar o que eles propõem: afinal, qual é a "parcela mais pobre" da população brasileira? Segundo eles, são 77 milhões de pessoas com renda familiar inferior a 3 salários mínimos.

O benefício anunciado na quarta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, liberará R$ 200 para 38 milhões de trabalhadores informais e autônomos (que, segundo o governo, não fazem parte do Cadastro Único e não recebem benefícios sociais) por três meses, com gasto mensal total de R$ 15 bilhões. No entanto, Guedes disse apenas que os trabalhadores receberão este auxílio na Caixa e no INSS, mas não explicou como o processo será feito.

felipe neto, gagliasso e maria rita - Washington Possato, Andreas Rentz/Equipa/Getty Images, Daryan Dornelles/Divulgação - Washington Possato, Andreas Rentz/Equipa/Getty Images, Daryan Dornelles/Divulgação
Felipe Neto, Bruno Gagliasso e Maria Rita demonstraram apoio ao movimento de alguma forma
Imagem: Washington Possato, Andreas Rentz/Equipa/Getty Images, Daryan Dornelles/Divulgação

O grupo de influenciadores estudou a medida, concluiu que há problemas nela e se organizou para criar e impulsionar os dois movimentos paralelamente. Eles criticam: "Para poder selecionar quem se qualificaria para o programa, o governo teria que desenvolver do zero um novo sistema de triagem online, ou obrigar esses trabalhadores a enfrentar longas filas de cadastro - o oposto do que deveríamos fazer durante uma pandemia", diz o movimento.

Na proposta do movimento "Renda Básica", as casas mais pobres teriam direito a um benefício mensal de até R$ 1.500 — no caso de famílias com dois trabalhadores e três dependentes. A ideia deles é aproveitar as informações já existentes no Cadastro Único, como famílias inscritas no "Bolsa Família" e no "Minha Casa Minha Vida". Trabalhadores informais e desempregados cadastrados no Número de Identificação Social também seriam beneficiados.

O coletivo tem apoio de 51 grupos e entidades. Nesta lista, há associações como Rede Brasileira de Renda Básica, Nossas, Coalizão Negra por Direitos, Instituto Ethos e INESC.

O preço da "Renda Básica"

De acordo com os integrantes do "Renda Básica", o auxílio custaria à União cerca de R$ 20,5 bilhões por mês, quantia que representa menos de 0,3% do PIB; se o benefício de R$ 300 for pago durante seis meses, o total investido pelo Estado seria 1,68% do PIB. "Um valor baixo perto das riquezas que o Brasil gera, mas que pode fazer toda a diferença à população nesse momento de crise", diz o texto publicado no site do movimento.

"São pessoas pobres, negros e negras, mulheres chefes de família, moradores de favelas e periferias, trabalhadoras e trabalhadores autônomos e precarizados, populações tradicionais e quilombolas, pessoas com deficiência, idosos e outros cidadãos e cidadãs especialmente vulneráveis à epidemia e aos seus efeitos na saúde e na economia", conclui a mensagem.

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