PUBLICIDADE
Topo

Como os Backstreet Boys ainda lotam estádios 20 anos após estreia no Brasil

Os Backstreet Boys no show no estacionamento do Anhembi, em São Paulo, em 5 de maio de 2001, que reuniu 35 mil pessoas - Ernesto Rodrigues/Folhapress
Os Backstreet Boys no show no estacionamento do Anhembi, em São Paulo, em 5 de maio de 2001, que reuniu 35 mil pessoas Imagem: Ernesto Rodrigues/Folhapress

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

11/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Backstreet Boys começam hoje turnê pelo Brasil, em Uberlândia (MG)
  • Grupo americano já esteve aqui em 2000, 2001, 2009 e 2015
  • É a 1ª vez após 19 anos que tocam para 35 mil pessoas em SP
  • Show tem 34 músicas, 21 delas dos primeiros discos da carreira
  • Popularidade tem a ver com público que não os abandonou

O reencontro das fãs brasileiras com os Backstreet Boys é real. A boy band que ferveu no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 volta ao país para três shows 20 anos após sua primeira visita. As mineiras terão a oportunidade de vê-los antes, já o grupo se apresenta hoje à noite em Uberlândia (MG). O Rio de Janeiro, primeira cidade que o quinteto pisou no Brasil, verá o show na sexta (13). E São Paulo terá o maior show, no Allianz Parque, no domingo (15).

A apresentação na capital paulista tem um diferencial. É a primeira vez que o quinteto americano volta a reunir o público que os recebeu no primeiro show deles na cidade, em 2001. Com ingressos esgotados, o grupo se apresentará mais uma vez para 35 mil pessoas, no estádio do Palmeiras. O primeiro show na capital paulista, há quase 19 anos, ocupou o estacionamento do Anhembi.

A repórter que vos fala estava lá em 2001, no meio do formigueiro humano, segurando um cartaz de papelão que eles jamais enxergariam da distância que me separava do gigantesco palco. Eu só tinha 14 anos, uma idade muito próxima da maioria das meninas que brigavam por um espaço perto do palco e empunhavam suas câmeras de filme para tentar um registro decente e quase impossível dos passinhos dos "garotos da rua de trás".

Eles demoraram, mas voltaram. Em 2009 e 2011 vieram como um quarteto, sem Kevin Richardson, que ficou fora da boy band durante cinco anos. Em 2015 voltaram com a formação original completa e rapidamente esgotaram os ingressos nas cinco capitais em que passaram. Mas sempre tocando em casas de shows menores.

Em 2020, os Backstreet Boys voltam ao Brasil com um status mais parecido com o que os trouxe em 2000, quando causaram um tumulto no Rio de Janeiro em uma passagem que nem teve shows, mas somente a divulgação do álbum "Black and Blue".

Quem vai e como é o show hoje em dia?

Backstreet Boys em Buenos Aires - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Show dos Backstreet Boys em Buenos Aires, na Argentina, em 7 de março de 2020
Imagem: Reprodução/Facebook

Os que não puderam se dar ao luxo de ir ao show em 2001, hoje já trabalham e podem bancar um ingresso, nem que seja o de arquibancada. Sim, ir a um show internacional no Brasil ainda é um luxo 19 anos depois, embora a oferta seja mais abundante. Aos 33 anos, sei que mais uma vez me sentirei acolhida entre iguais assim que pisar no gramado.

As meninas (o público é mesmo majoritariamente feminino) que por qualquer motivo não puderam ver os Backstreet Boys em 2001 já passaram da fase em que curtir o grupo era um "guilty pleasure" e correram para garantir presença. Aconteceu com uma amiga que hoje vive no Chile e foi ao show em Santiago, há uma semana. Aconteceu em maio do ano passado, quando peguei um voo de Madri a Lisboa com uma turma de trintonas uniformizadas com camisetas dos BSB e cantando sucessos do grupo sem vergonha nenhuma. O destino também era um show da DNA World Tour, que passou antes pela Europa.

Fãs argentinas - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
"26 anos, 4 gerações, e ainda amamos os BSB", diz o cartaz das fãs argentinas
Imagem: Reprodução/Facebook

Os Backstreet Boys conhecem muito bem o público. Os empresários também. Por mais que a estrada provavelmente seja muito mais cansativa com 20 anos a mais nas costas, a conta ainda fecha. E graças ao trabalho minucioso que fizeram naquela época. Na Argentina, uma faixa levada por fãs resumia o sentimento de quem foi ao show: "26 anos, quatro gerações e ainda amamos os Backstreet Boys", dizia a mensagem em inglês, compartilhada nas redes sociais do grupo.

AJ, Brian, Howie D, Nick Carter e Kevin retribuem no palco. Embora misturem sucessos de décadas passadas com as músicas atuais, todos os discursos ensaiados remetem àquela época mágica da adolescência. "Quem é fã dos Backstreet Boys há 27 anos?", pergunta Brian em uma das interações com o público. "Quem tem todos os CD's e camisetas?", continua o cantor.

"É sério que vocês ainda amam os Backstreet Boys depois de todos esses anos?", provoca Nick, o mais novo do grupo, atualmente com 40 anos. "Sem vocês, nós não estaríamos aqui quase 27 anos depois", reforça AJ. Para agradecer, ele e Kevin fazem uma performance a la "Clube das Mulheres" e se trocam em cima do palco, jogando cuecas suadas para a plateia.

Enquanto cantam, dançam e provocam as trintonas e quarentonas ainda apaixonadas, suas esposas e filhos os aguardam no backstage. A desgastante viagem que inclui alguns países em poucas semanas ganha algum conforto com a companhia das famílias. Um luxo impensável é improvável nos primeiros anos de carreira do quinteto que se formou na Flórida em 1993, fruto da mente de Lou Pearlman, um dos mais poderosos empresários do pop dos anos 1990.

Mas nem só a nostalgia vem na bagagem dos Backstreet Boys, que chegam ao Brasil com um repertório que inclui oito músicas do disco mais recente, "DNA", que também dá nome a turnê. Lançado em 2019, o trabalho mais recente deles conquistou o topo das paradas nos Estados Unidos e teve uma de suas músicas ("Don't Go Breaking My Heart") indicada ao Grammy de Melhor Performance de Grupo Pop.

"Backstreet Boys", "Backstreet's Back", "Millennium" e "Black and Blue", os álbuns que compreendem o início e o auge do grupo, estão presentes em outras 21 músicas do repertório. "Breathe", "Incomplete", "Drowning", "Undone" e "Get Down" são músicas de outros discos que devem completar o repertório, isso se eles repetirem o que já mostraram nos últimos shows da turnê pela América Latina.

Se o coronavírus não atrapalhar, o grupo segue para a Nova Zelândia e Austrália depois das apresentações no Brasil, que encerram a perna latino-americana da turnê. Eles voltam para a América do Norte entre julho e outubro, depois de um breve descanso em junho, com dezenas de shows nos Estados Unidos e Canadá. Como diz "Everybody", um dos maiores sucessos deles, os Backstreet Boys estão de volta. Literalmente.

Serviço

Backstreet Boys no Brasil - DNA World Tour

UBERLÂNDIA (MG)

Data: 11 de março de 2020 (quarta-feira)

Abertura dos portões: 18h

Horário do show: 21h30

Local: Arena Sabiazinho (Av. Anselmo Alves dos Santos, 3415 - Tibery)

Ingressos: somente pista / /a partir de R$ 310

RIO DE JANEIRO (RJ)

Data: 13 de março de 2020 (sexta-feira)

Abertura dos portões: 18h

Horário do show: 21h30

Local: Jeunesse Arena (Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401 - Barra da Tijuca)

Ingressos: somente camarote // a partir de R$ 270

SÃO PAULO (SP)

Data: 15 de março de 2020 (domingo)

Abertura dos Portões: 16h

Horário do show: 21h

Local: Allianz Parque (Av. Francisco Matarazzo, 1705 - Água Branca)

Ingressos: ESGOTADOS