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Enquanto Hollywood tenta driblar coronavírus, streaming pode se fortalecer

Lui Yifei em cena de "Mulan". Filme deve ser fortemente afetado pelo fechamento de cinemas na China em razão do coronavírus - Divulgação
Lui Yifei em cena de 'Mulan'. Filme deve ser fortemente afetado pelo fechamento de cinemas na China em razão do coronavírus Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

29/02/2020 04h00

Enquanto cresce o número de casos associados ao novo coronavírus —com dois já confirmado no Brasil e uma morte registrada nos Estados Unidos—, Hollywood tem um problema sério pela frente: blockbusters como "Mulan" e "007 - Sem Tempo Para Morrer" podem ter suas estreias nos cinemas adiadas em vários países, gerando prejuízos bilionários para os estúdios. O azar de uns, no entanto, pode ser a sorte de outros, como os serviços de streaming saindo fortalecidos caso o público opte por ficar em casa para diminuir os riscos de contaminação.

Na China, que nos últimos anos se tornou o mercado mais cobiçado pela indústria do entretenimento, os cinemas permanecem fechados, sem previsão de retomada das atividades. As pré-estreias de "Mulan" e do novo "007" que ocorreriam no país foram canceladas, e os filmes devem demorar a chegar aos cinemas de lá —um golpe especialmente forte para a Disney, que apostava alto no bom desempenho local de seu novo live-action, baseado em uma lenda chinesa e com um elenco predominantemente asiático.

Segundo reportagem da revista "Variety", "Mulan" e outros filmes como "Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica" devem ter sua estreia adiada também na Itália, que registra 400 casos confirmados. Ao redor do mundo, o vírus, oficialmente chamado de COVID-19, já infectou mais de 82 mil pessoas e matou quase três mil.

Trabalho em casa e remanejamento

Em seus esforços para lidar com a crise, a maior parte dos grandes estúdios de Hollywood orientou seus funcionários a não viajarem para as regiões mais afetadas pela doença. No caso daqueles que trabalham nas áreas, a recomendação é atuar de casa.

Os estúdios ainda estão montando equipes para avaliar os impactos do coronavírus e já se preocupam com os efeitos que podem vir a reboque caso o número de contaminados continue a crescer. Executivos estão considerando se devem mexer nas datas de lançamentos das regiões afetadas e avaliando como possíveis alterações podem impactar em lançamentos marcados para os próximos meses —ou até para 2021.

Filmes como "Mulher-Maravilha: 1984" e "Velozes e Furiosos 9", que estreiam entre maio e junho e tinham grandes lançamentos internacionais planejados, também podem ser afetados. Executivos ouvidos pela "Variety" estimam que a crise pode levar a uma perda de bilhões em vendas de ingressos.

Streaming sai ganhando

Netflix, Amazon Prime e companhia, porém, podem se dar bem na crise. "A Netflix é uma beneficiária óbvia caso os consumidores fiquem em casa por conta das preocupações com o vírus, e isso se viu refletido no considerável aumento no preço de suas ações nesta semana", escreveu Dan Salmon, analista do banco de investimentos BMO Capital Marketing.

As ações da empresa de Los Gatos cresceram 0,8% nesta semana, apesar da bolsa de Wall Street ter registrado sua pior semana em nove anos, em meio aos temores de que o vírus possa levar a uma recessão econômica global.

A avaliação foi reforçada por outros análises, como a de JC O'Hara, do MKM Parters, e a de Neil Begley, do Moody Investors Services. "Se o contágio se espalhar internacionalmente, mais pessoas devem procurar opções de entretenimento em casa, tais como as oferecidas pela Comcast e pela AT&T, e pelos filmes e séries oferecidos por serviços de streaming como Netflix, Disney+, HBO Max e outros", escreveu Begley.

Ironicamente, a Disney poderia se beneficiar muito mais desse aspecto do que realmente vai. O Disney+, sua plataforma de streaming, ainda opera em poucos países ao redor do mundo. Seu lançamento na Europa está programado para março, e no Brasil e na América Latina ele deve acontecer só em novembro.

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