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Regina Duarte confirma convite para secretaria, mas diz não estar preparada

Regina Duarte no Conversa com Bial (Reprodução/TV Globo). - Reprodução/TV Globo
Regina Duarte no Conversa com Bial (Reprodução/TV Globo). Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

17/01/2020 19h19

A atriz Regina Duarte confirmou na noite de hoje que recebeu o convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir o comando da Secretaria da Cultura, após a exoneração de Roberto Alvim, mas admitiu ainda não estar preparada para o cargo.

"O presidente me ligou. Eu fiquei muito surpresa, porque ainda estava digerindo todas as coisas que causaram o afastamento dele [Roberto Alvim]. Eu falei para o presidente 'Desculpa, presidente, mas não estou preparada para isso'. E ele disse: 'Então se prepare, porque eu quero você'", relatou a veterana de 72 anos, com inúmeras novelas no currículo, em entrevista ao programa "Os Pingos nos Is", da rádio Jovem Pan.

"Eu não me sinto preparada, porque acho que a gestão pública é algo complicado, uma pasta como a da Cultura, muito mais. Este é um país imenso e continental, tem muitos artistas, grupos, criações, vamos querer abraçar tudo. Então, eu fico muito preocupada de não estar preparada", admitiu ela.

Regina Duarte prometeu responder ao convite de Bolsonaro até a próxima segunda-feira.

"Estou aí pensando, não quero dizer nada, responder nada. Falei com dois filhos meus e eles ficaram surpresos, um tanto assustados, com o convite. Tenho que pensar em coisas que não imaginava estar pensando agora", completou.

Regina foi convidada após demissão de Alvim

O então secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro depois de publicar vídeo que causou revolta nas redes sociais.

No vídeo, com o retrato de Bolsonaro ao fundo, Alvim imita a aparência e o tom de voz de Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista de Hitler. Outra referência ao nazismo é a música de fundo, a ópera Lohengrin, de Richard Wagner, obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida.

Ele culpou sua assessoria pelo discurso que faz menção a Joseph Goebbels e afirmou que o episódio foi uma "infeliz coincidência retórica" resultante de uma pesquisa no Google. No fim da manhã, Alvim foi exonerado.

Regina e as críticas a Alvim

A atriz já havia criticado a postura de Alvim anteriormente. No ano passado, quando foi nomeado diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, o dramaturgo sugeriu a criação de "uma máquina de guerra cultural" contra o que chamou de "marxismo cultural". Em resposta, Regina Duarte escreveu no Instagram que "a arte se encontra em patamar sagrado, acima das ideologias" e que "o diretor Alvim tem extrapolado em declarações polarizadas porque certamente se encontra sob efeito de uma crise pós-traumática".

Na sequência, ela ponderou que o diretor teve essa reação após um suposto boicote que ele teria sofrido por ter se posicionado a favor de Bolsonaro na época das eleições e, como consequência, tenha tido que fechar o seu teatro, o Club Noir, em São Paulo.

"Quem perde um Teatro, perde um filho. Em virtude disso não consigo esperar dele que assuma com sensatez, com equilíbrio, as declarações que tem feito", disse a atriz, na época.

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