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Príncipe Harry se afasta e faz ressurgir fantasma do exílio na família real

Meghan Markle e o Príncipe Harry anunciam afastamento da família real - Tolga AKMEN / AFP
Meghan Markle e o Príncipe Harry anunciam afastamento da família real Imagem: Tolga AKMEN / AFP

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

09/01/2020 04h00

O ano da família real britânica começou surpreendendo os súditos ingleses e o público ao redor do mundo que acompanha de perto cada passo da monarquia mais popular do século 21. O príncipe Harry e a duquesa de Sussex Meghan Markle anunciaram que irão abrir mão de privilégios enquanto membros da realeza para assim se tornarem "financeiramente independentes".

A verdade é que esta decisão já era um tanto previsível, visto o clima conturbado nos últimos meses que veio a público, mas ainda assim não deixa de causar barulho e até faz ressurgir um velho fantasma: a abdicação de Eduardo 8º ao trono com meses de reinado em 1936, o que abriu espaço para Elizabeth assumir a coroa depois do pai dela.

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O rumoroso caso que tanto custou à família real é um dos temas mais delicados e polêmicos das três temporadas da série The Crown, da Netflix, que se propõe a retratar o reinado de Elizabeth 2ª, coroada em 1953, aos 25 anos, em cerimônia televisionada na Abadia de Westminster. Então rei da Inglaterra, Eduardo 8º mudou o rumo da coroa para se casar com a plebeia americana Wallis Warfield Simpson.

Simpson havia se divorciado por duas vezes, um escândalo para a época e algo inconcebível no interior do Palácio de Buckingham. O duque de Windsor abdicou ao trono após ter o seu pedido de casamento negado pelo Conselho Britânico.

"Acho impossível desempenhar minhas funções de rei, como gostaria, sem o auxílio e o apoio da mulher que amo", informou na ocasião. O breve reinado começou em 22 de janeiro de 1936 e chegou ao fim em dezembro do mesmo ano, abrindo caminho para o irmão, Alberto (George 6º), sucedê-lo e posteriormente a sobrinha, Elizabeth.

Edward e Elizabeth em cena da série The Crown, da Netflix - Robert Viglasky / Netflix
Edward e Elizabeth em cena da série The Crown, da Netflix
Imagem: Robert Viglasky / Netflix

O duque de Windsor ficou profundamente magoado com a recusa do governo britânico em conceder o título de duquesa a Wallis Simpson, o que acabou motivando-o a buscar exílio na França. Ainda é muito cedo para entender as consequências práticas do anúncio de Harry e Meghan, mas é impossível não se lembrar do que ocorreu ao tio de Elizabeth.

A exemplo do rei exilado, Harry e Meghan informaram que pretendem se dividir entre o Reino Unido e a América do Norte. Por certo período de seu exílio, o duque de Windsor morou nos Estados Unidos — um dos possíveis destinos dos duques de Sussex.

Relação complicada com a família

O desconforto do príncipe Harry e Meghan Markle foi se tornando cada vez mais latente depois do casamento real, em 2018. Em outubro do ano passado, durante uma entrevista para a BBC, o clima estremecido ficou ainda mais nítido. A certa altura do documentário, os olhos de Meghan se encheram de lágrimas ao reconhecer que o ano de 2018 havia sido "difícil" para ela, em suas palavras. Ela se referiu à pressão da mídia, em um momento em que se sentia "vulnerável" pela gravidez e, na sequência, pelo nascimento de seu filho, Archie.

Harry com o irmão mais velho, o príncipe William - Getty Images
Harry com o irmão mais velho, o príncipe William
Imagem: Getty Images

Harry também deixou a entender a relação um tanto quanto delicada com o irmão, o príncipe William. Ele reconheceu que, "inevitavelmente, coisas acontecem", devido à pressão imposta por seus papéis como membros da realeza.

"Somos irmãos. Sempre seremos irmãos. Seguimos, sem dúvida, por caminhos diferentes neste momento, mas sempre estarei ali para ele, assim como sei que ele estará sempre ali para mim", acrescentou. "Como irmãos, já sabem, há dias bons e dias ruins", reconheceu.

Curiosamente, o duque de Windsor também viveu muitos atritos com a própria família. Algo que é retratado em The Crown, por exemplo, e que realmente aconteceu, eram os apelidos maldosos que ele dava aos parentes. Os apelidos se tornaram públicos em 1988, quando um jornal britânico publicou cartas trocadas entre ele e a mulher.

As motivações para os afastamentos de Harry e do duque de Windsor da família real são, obviamente, distintas, mas guardam estas e ainda outras semelhanças. A pressão exercida pela família real e mesmo as obrigações naturais aos cargos ocupados pelos membros da realeza, algo bastante explorado na série da Netflix, são alguns exemplos que aproximam os dois casos.

Ainda que o afastamento de Harry não tenha o mesmo peso, já que o sucessor da coroa é o príncipe William, resta aguardar para saber o que acontecerá ao príncipe e mesmo se o seu nome se tornará um tabu dentro da própria família após a sua arriscada decisão de voar sozinho ao lado da amada Meghan Markle, mais um ponto em comum com o seu tio-bisavô que abdicou ao trono da Inglaterra a fim de viver livremente um grande amor.

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