PUBLICIDADE
Topo

10% dos municípios brasileiros têm salas de cinema, diz IBGE

Sala de cinema - Getty Images
Sala de cinema Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

05/12/2019 12h21

Embora tenha aumentado a sua presença nas cidades brasileiras, o número de salas de cinema ainda é baixo no país: hoje eles estão em 10% dos municípios, segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais, divulgado hoje pelo IBGE. Os dados correspondem a 2018.

Em 12 anos, esse número subiu. Foi de 8,7% para 10%. Mas o acesso às salas de cinema ainda é restrito aos grandes centros urbanos. De acordo como levantamento, quase 40% da população vive em cidades sem cinemas. E isso varia por sexo, cor ou raça, grupo de idade e nível de instrução.

Pessoas sem instrução ou que não completaram o ensino fundamental tinham menos acesso a museus, teatros, cinemas, rádios locais e provedores de internet do que pessoas com maior nível de escolaridade. Quase metade das pessoas com escolaridade mais baixa vivia em municípios que não têm cinema, 40,3% em municípios sem museu e 39,7% em cidades sem teatro.

"Você tem uma dupla desigualdade. Entendemos que há uma restrição de acesso à educação e ao mesmo tempo coincide com municípios que têm menos estrutura, menos presença de equipamentos culturais. Vemos isso pela distribuição regional, pelos estados do Norte e Nordeste, que têm menos estrutura de equipamentos, menos capilaridade, menores níveis socioeconômicos e você tem uma soma de desvantagens", diz Athias.

Em relação aos grupos de idade, crianças e adolescentes ilustravam o pior cenário: 43,8% das pessoas até 14 anos viviam em municípios sem cinema e 35,9% delas viviam em municípios sem museu. As crianças e adolescentes do Maranhão eram as que tinham menos acesso potencial a museu (23,6%), a teatros e sala de espetáculos (30,8%) e a cinema (19,6%).

O estudo também mostra que 44% dos pretos ou pardos moravam em municípios sem cinema, contra 34,8% da população branca.

Para o IBGE, diferentemente do que era esperado, o cinema não desapareceu por causa do maior acesso à internet e, consequentemente, dos serviços de streaming.

"Um ponto interessante da pesquisa é a indicação de que eles não são concorrentes diretos. Quem gosta de cinema entende que é uma experiência diferente de assistir a um filme em casa", explica o pesquisador do IBGE Leonardo Athias.

Também quando comparado 2006 a 2018, a presença das livrarias nos municípios brasileiros diminuiu 12,3 pontos percentuais, chegando a 17,7%. As videolocadoras acompanharam a tendência, tendo sua presença diminuída em 59 pontos percentuais.

Filmes e séries