Topo

Popload Festival


Popload Festival

Como MC Zaac, de Bumbum Granada, foi parar no disco de Tove Lo

Tove Lo - Tim Carrafa Photography/ Newspix/Getty Images
Tove Lo Imagem: Tim Carrafa Photography/ Newspix/Getty Images

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

10/11/2019 04h00

Atração do Popload Festival, Tove Lo ama o Brasil, e essa relação vai além da bandeira empunhada e das declarações de "eu te amo" no palco. A sueca incrementou seu novo disco de estúdio, Sunshine Kitty, com ecos do funk paulista. MC Zaac, do hit Bumbum Granada, é a coestrela de Are U Gonna Tell Her?, faixa que fala de pegação desenfreada e traz versos em bom português.

"Acho o Zaac muito talentoso. Tem um som de voz muito legal. Nós entramos em contato e ele topou fazer. O trabalho ficou incrível. E foi algo que soou muito orgânico", diz ao UOL Tove Lo, que decidiu fazer a parceria com funkeiro depois de visitar o Brasil pela última vez, em 2017, quando se apresentou no festival Lollapalooza e mergulhou no funk nacional.

Fã de Anitta e do twerk, como é mundialmente conhecida a dança das reboladas, Tove Lo afirma não se importar caso o público do Popload queira protestar contra o presidente Jair Bolsonaro, como tem acontecido em diversos shows internacionais no país. Muito pelo contrário. "Obviamente sou contra quem é contra o movimento LGBT+. Eu quero apoiar meus fãs que fazem parte dele", diz cantora, que é abertamente bissexual.

UOL - Sua música costuma ser descrita na imprensa como "pop sombrio", uma mistura de eletropop com grunge. Faz sentido? Esses rótulos não te incomodam?

Tove Lo - Não. Na verdade, eu não penso sobre isso. Apenas componho a música que eu amo compor. Eu tenho, obviamente, algum tipo de melancolia dentro de mim, talvez por ter crescido em um lugar escuro e frio.

Mas para mim o mais importante é que minha música se conecte com a mente das pessoas. Que elas acreditem nela e queiram escutá-la. Não importa o que digam sobre ela. Mas eu não me importo em ser rotulada de "dark pop". Existem um lado sombrio e um feliz em tudo.

O funkeiro paulista MC Zaac - Divulgação
O funkeiro paulista MC Zaac
Imagem: Divulgação

A pergunta que não quer calar os fãs brasileiros: como MC Zaac foi parar no seu disco?

Aconteceu depois de ir ao Brasil. Um dos meus produtores também esteve no Brasil. Tivemos um dia no estúdio em que escutamos diferentes tipos de música, e aí passamos por várias coisas brasileiras, incluindo vários funkeiros. Queríamos buscar inspiração para o disco.

Ouvimos a batida dele, e a inspiração ficou presa na nossa cabeça. Começaram a falar: "você tem que ter esse cara na sua música!" (risos). Acho o Zaac muito talentoso. Tem um som de voz muito legal. Nós o contactamos e ele topou fazer. O trabalho dele ficou incrível. Foi algo que soou muito orgânico.

Foi tudo feito via internet?

Foi basicamente feito por email e Skype. E alguém nos ajudou na tradução da letra. Porque sabia que haveria muita gíria. Tiveram que nos explicar o significado (risos). Eu amei como ficou. Queria isto no meu álbum, explorar algo fora do meu normal. Especialmente com as participações especiais.

Na primeira vez que você veio ao Brasil, em 2015, você elogiou Anitta. O que tem achado dos últimos trabalhos dela?

Eu não sei muito sobre ela agora, além de ela ter uma linda voz. Ela veio aparecendo mais nos Estados Unidos, com músicas que são muito legais. E está entrando em uma carreira mais internacional agora. Ou talvez ela já esteja internacional (risos). Acho muito legal o que ela faz.

Você gosta do estilo twerk dela?

Sim. Eu também faço (risos). Gostaria de saber rebolar direito. Eu sou apaixonada pelo twerk, mas não funciona muito bem comigo (risos).

A cabtora sueca Tove Lo, 32  - Graham Denholm/Getty Images
A cabtora sueca Tove Lo, 32
Imagem: Graham Denholm/Getty Images

Você já compôs para Lorde, Ellie Goulding, e já ganhou indicações Globo de Ouro e ao Grammy. Qual é o segredo para escrever música pop de sucesso hoje em dia?

No meu caso, uso muito experiências pessoais. Quando componho, é muito importante para mim não pensar se a música vai ser um hit ou se tem a ver com o que está sendo feito no mercado. Tem mais a ver com o processo de criação. Quando você mantém uma certa energia na hora de escrever, você geralmente consegue fazer músicas que mostram vulnerabilidade e sinceridade. Não importa se você está feliz ou triste.

Também acho que dou muito bem com minha equipe de compositores, com Jakob Jerlström, com Ludvig Söderberg. Fiz muitos discos com ele e temos uma conexão que nos deixa muito confortável para experimentar coisas novas.

É possível que seu show tenha protestos do público contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que é conservador e contrário a direitos da comunidade LGBT+. Como você reagiria?

Obviamente eu estou do lado contrário ao dele. Eu quero apoiar fãs que fazem parte da comunidade LGBT. Eles fazem parte do público. E se por um acaso alguém se manifestar a favor dele e contra mim, também ficarei feliz em conversar para saber qual é o argumento dessas pessoas. Já tive protestos nos meus shows antes. E eu sempre recebi muito apoio, especialmente da comunidade gay. Essa é a vibe que quero compartilhar.

POPLOAD FESTIVAL 2019

Com shows de Patti Smith, The Raconteurs, Hot Chip, Tove Lo, Cansei de Ser Sexy, Little Simz, Khruangbin, Boy Pablo, Luedji Luna e o bloco Ilê Aiyê
Quando: 15 de novembro
Onde: Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda, São Paulo)
Horários: Abertura dos portões às 10h; início dos shows às 10h45
Ingressos: pista R$ 580 (inteira), pista premium R$ 800 (inteira)
Onde comprar: www.ticketload.com e bilheteria do Unimed Hall

Popload Festival