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Prêmios Nobel de literatura de 2018 e 2019 vão para Olga Tokarczuk e Peter Handke

Do UOL, em São Paulo

10/10/2019 08h02

Resumo da notícia

  • A polonesa Olga Tokarczuk e o austríaco Peter Handke ganharam o Nobel de Literatura
  • Este ano teve dois premiados porque o Nobel não foi entregue em 2018
  • Olga Tokarczuk tem 57 anos e é romancista, ensaísta e roteirista. Seu maior sucesso é The Books of Jacob, de 2014
  • Peter Handke tem 76 anos e é autor de peças e romances. O seu principal trabalho é Offending the Audience, de 1969

O Prêmio Nobel de Literatura anunciou hoje seus vencedores, na Academia Sueca, em Estocolmo. Eles são: a polonesa Olga Tokarczuk, vencedora pelo ano de 2018, e o austríaco Peter Handke, vencedor por 2019.

Olga foi premiada por "sua narrativa imaginativa que com paixão enciclopédica representa o cruzar de fronteiras como forma de vida". Handke foi citado por "seu influente trabalho que com engenhosidade linguística explorou a periferia e a especificidade da experiência humana".

A dupla premiação aconteceu porque em 2018 não houve a escolha de um dono da láurea. Na ocasião, um escândalo sexual envolvendo um dos integrantes levou à renúncia de seis membros da academia que vota nos concorrentes. Por isso, a premiação foi adiada pela primeira vez desde 1949.

O caso aconteceu com o fotógrafo franco-sueco Jean-Claude Arnault, que administrava uma fundação cultural que recebia fundos da Academia. Casado com a poeta Katarina Frostenson, que é membro da academia, ele foi acusado de estupro. O fotógrafo também foi denunciado por vazar nomes de vencedores do Nobel de Literatura.

Os vencedores

Olga Tokarczuk e Peter Handke, vencedores do Nobel de literatura - Getty Images
Olga Tokarczuk e Peter Handke, vencedores do Nobel de literatura
Imagem: Getty Images

Olga Tokarczuk já era citada entre as favoritas a levar o prêmio. Aos 57 anos, ela é formada em psicologia pela Universidade de Varsóvia e ganhou fama mundial principalmente com seu livro Prawiek i inne czasy (Primeval and Other Times), de 1996, seu terceiro romance. Ela venceu o Man Booker International Prize no último ano e é conhecida também como uma figura com importância política, por falar sobre feminismo e ser vegetariana.

O Nobel descreve a romancista, ensaísta e roteirista como alguém que "nunca vê a realidade como algo estável ou duradouro. Ela constrói em seus romances uma tensão entre oposições culturais; natureza versus cultura, razão versus loucura, homem versus mulher, lar versus alienação". Sua obra-prima, cita a academia, é Ksiegi Jakubowe (The Books of Jacob), de 2014, em que "seu trabalho mostrou a suprema capacidade de um romance representar um caso praticamente além da compreensão humana".

No Brasil, ela teve lançado Os Vagantes (2014), outro de seus sucessos.

Peter Handke, de 76 anos, teve sua estreia literária com Die Hornissen, em 1966. O autor de peças e romances marcou seu nome na literatura mundial com Publikumsbeschimpfung (Offending the Audience), de 1969. Ele é descrito como "um dos mais influentes escritores da Europa após a Segunda Guerra Mundial" pela academia.

"A peculiar arte de Handke é sua extraordinária atenção à paisagem e à matéria presente no mundo, o que fez o cinema e a pintura grandes fontes de inspiração", descreve o Nobel.

A premiação

O último vencedor do Nobel de literatura, em 2017, foi Kazuo Ishiguro, nipo-britânico que chegou como azarão e é autor de livros como Os Vestígios do Dia e Não me Abandone Jamais.

O prêmio para cada vencedor é um diploma, uma medalha e 9 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 3,7 milhões.

Uma mudança para a premiação deste ano foi em como o comitê foi selecionado e como escolheu os vencedores. "Tradicionalmente, o comitê tem quatro ou cinco integrantes. O novo comitê, com quatro membros da Academia e cinco especialistas externos traz uma mudança importante. O comitê foi definido para dois anos, o que significa que ele está comprometido a selecionar e sugerir três prêmios: 2018 e 2019, neste ano, e o de 2020, no ano que vem. O comitê começou a trabalhar em fevereiro, quando todas as candidaturas foram selecionadas. O prêmio deste ano foi escolhido de uma lista reduzida para oito candidatos prioritários, que foram apresentados e aprovados pela Academia", explicou um dos membros da organização.

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