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Circense e com casamento: Pink mostra espetáculo completo e encanta Rock in Rio

Leonardo Rodrigues

Do UOL, no Rio de Janeiro

06/10/2019 01h37

Foram 19 anos de carreira até o dia em que a cantora Pink finalmente estreou no Brasil, hoje, sexta noite de Rock in Rio. A demora inexplicável, que tanto irritou fãs, tem um lado positivo: o mundo mudou, muitos dos adolescentes que a consumiam cresceram, amadureceram e se coloriram. E tudo isso tornou o show ainda mais especial do que já seria.

Em sua penúltima noite, que teve Anitta e o pop como coprotagonistas, o festival brindou a diversidade com um desfecho grandioso, teatral, tomado pelos 50 tons de rosa da cantora, que escolheu encerrar no Brasil a recordista turnê Beautiful Trauma.

Pink trouxe seu lado circense ao Rock in Rio, com muitas acrobacias e lindas coreografias. A cantora não parou um momento, atendeu os fãs, pegou presentes do público e ainda participou de um pedido de casamento.

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Broadway in Rio

Foram seis atos, apresentados como um grande e bem ensaiado musical. Pink surgiu balançando em um lustre, cantando e fazendo acrobacias a cinco metros de altura. Explorando vários, também brincou de ser Marilyn Monroe punk, sem medo de sarrar, soltou fogos de artifício no palco, prestou reverência a diva inspiradora Gwen Stefani e fez vários números com seu grupo de bailarinos, incluindo um aéreo circense, sem perder a afinação. "Maravilhosa" foi o berro mais ouvido na plateia.

Atitude rock

Em meio a toda vibe teatral de Pink, há um competente show pop. E também guitarras, baixo, teclado, violino, bateria pesada. Ao vivo, a pegada é mais pop rock que a de outras cantoras do gênero e mais rock só que as músicas registradas em disco. Antes do show começar, músicas de Whitesnake, Joan Jett e The Turtles foram executadas pelo DJ. Durante, cantou We Are the Champions, do Queen usando camiseta do Def Leppard, que terminou com gritos de "Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*, enquanto ela erguia uma bandeira de arco-íris.

Público ofende Bolsonaro em show de Pink no Rock in Rio

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Nostalgia não é a dela

Pink fez enorme sucesso no mundo com seus primeiros quatro álbuns de estúdio, especialmente Missundaztood (2001) que serviu de introdução a seu trabalho para muitos brasileiros. Mas seu show não é movido a nostalgia. Mais da metade do setlist vem dos quatro últimos discos de estúdio da cantora, Funhouse, The Truth About Love, Beautiful Trauma e Hurts 2B Woman, lançado este ano. Pink sabe muito bem vender seu peixe fresco.

Poc in Rio

Fãs vibraram com Pink, ergueram seus balões rosa e, diferentemente do que ocorreu em outros shows principais, não arredaram pé até o fim. O show no sábado ajudou. Na pista, muitos casais gays se abraçavam e beijavam, naquela que provavelmente foi a plateia mais sexualmente diversa da história dos headliners do Rock in Rio. As mensagens pró-LGBT, empoderamento e diversidade de gênero exibidas por Pink em vídeos no telão, antes e depois de What About Us, arrancaram ruidosos aplausos. Rolou até um pedido de casamento após um emocionante discurso enaltecendo a força das canções da cantora que ajudaram os jovens a se descobrirem.

Casal pedido em casamento durante show da Pink no Rock in Rio - Reprodução - Reprodução
Fã de Pink fez pedido de casamento durante show de Pink no Rock in Rio
Imagem: Reprodução

Melhor show até aqui?

Segundo os parciais fãs de Pink, este foi o melhor show do Rock in Rio 2019 até o momento. Mas há, sim, motivos para ter essa opinião. Além de mandar bem ao vivo, ela dá aula de entertainer. Apresentou a banda e dançarinos, recebeu com prazer presentinhos dos fãs, incluindo um curioso suspensório colorido e fez a santa casamenteira passando o microfone a um jovem que pediu a mão do namorado. Também fez piada com isso e com várias outras coisas. "Os 20 primeiros anos são os mais difíceis", brincou sobre o matrimônio. Carisma total.

Essa foi a única apresentação da Pink no Brasil, parte da tour Beautiful Trauma, que é a turnê feminina mais lucrativa da última década e já passou pela América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e Europa.

Além dela, o sábado, penúltimo dia de festival, contou com os shows de Ludmilla, Projota, Anitta, Anavitória, H.E.R, Charlie Puth e Black Eyed Peas. Uma ótima mistura de funk, R&B e pop.

São 14 horas de shows por dia, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, com nove palcos e espaços, além da programação nas arenas. O Rock in Rio termina amanhã, domingo, com Muse e Imagine Dragons como destaques no palco Mundo.