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Nostalgia domina 2º dia de Rock in Rio: afinal, a música era melhor antigamente?

Titãs foram atração do Palco Sunset - Divulgação
Titãs foram atração do Palco Sunset Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/09/2019 04h00

No que depender do line-up do Rock in Rio de ontem, com Foo Fighters, Weezer, Titãs e Raimundos, os anos 1990 não acabaram e estão muito longe disso. Outras atrações que fizeram barulho na década, como Goo Goo Dolls, Red Hot Chilli Peppers e Seal, já se apresentaram ou ainda se apresentarão no festival, que teve apenas uma edição realizada na época, em 1991.

Essa onda nostálgica é uma realidade no Brasil e no mundo, atingindo não só o rock, mas vários outros estilos —vide a procura absurda por ingressos das novas turnês de Sandy & Jr e Backstreet Boys. Em meio a tudo isso, o que explica, afinal, a popularidade crescente dos anos 1990, especialmente para quem tem mais de 30 anos? A música não é mais legal? Não melhorou em nada?

O UOL fez essas perguntas ao público do Rock in Rio, que analisou a questão e convergiu em pontos interessantes.

  1. Naquela época, o pop em geral tinha mais mensagem e originalidade, e portanto era melhor --ponto para os anos 1990.
  2. As tecnologias facilitaram o acesso a informação e a vida cotidiana em em diversos aspectos --ponto para os dias de hoje.
  3. Se por um lado o extremismo é um fardo na política atual, questões sociais estão cada vez mais sendo valorizadas e discutidas.

Resultado: ficamos mais ou menos na mesma.

Carolina Campos, 25, programadora, e Lucas Colombo, 34, programador - Leonardo Rodrigues/UOL
Carolina Campos, 25, programadora, e Lucas Colombo, 34, programador
Imagem: Leonardo Rodrigues/UOL

Anos 90, rock em estágio maduro

Para os fãs de Foo Fighters que estiveram na Cidade do Rock, a música dos anos 1990 é especial. "O rock se aperfeiçoou ali, misturou o eletrônico dos anos 1980 e resgatou parte do rock dos anos 1970. Foi uma fase de maturidade. Por isso foi tão importante", entende o engenheiro de produção Giuseppe Trotta, 43.

Para a programadora Carolina Campos, a comparação musical é cruel com a atual década. "Praticamente só escuto música antiga, dos anos 90. Hoje, para fazer sucesso, parece que você só precisa seguir uma modinha, e não fazer uma música que comunique, que bata de frente com questões da sociedade. Não tem nada de revolucionária."

Atualidade, muito mais música

Voltemos 25 anos no tempo. Para ouvir qualquer coisa você precisava sentar e esperar a música ser executada no rádio ou na MTV. Ou comprar o CD, com preço salgado. Hoje, a produção musical está a um clique nas plataformas digitais. Os celulares e seus incontáveis recursos e comodidades também foram descritos como uma melhoria.

"A vida melhorou muito nesse sentido. A informação está em todo lugar. Isso também pode ter um lado negativo, claro, que é o exagero, a dificuldade de escolha, mas é muito melhor poder acessar o que você quiser, na hora que você quiser", entende webdesigner carioca Leonardo Cosa, 41.

Ilmar Costa, 67, e Leonardo Costa, 41, webdesigner - Leonardo Rodrigues/UOL
Ilmar Costa, 67, e Leonardo Costa, 41, webdesigner
Imagem: Leonardo Rodrigues/UOL

Política, a bola dividida

Vários dos entrevistados ouvidos pelo UOL falaram com nostalgia sobre os governos centristas da década em que o Nirvana estourou, como o de Fernando Henrique Cardoso no Brasil e o de Bill Clinton nos Estados Unidos. Não exatamente por apoiarem esses políticos, mas porque o extremismo estava fora do jogo e não interferia na cultura e nas relações sociais.

"A cultura hoje está pior. Vivemos um retrocesso muito grande em todas as áreas, e nas artes principalmente, por causa de governos ultraconservadores. Nisso, tenho certeza que estamos muito pior hoje", ressalva o contador cearense Gutierrez Campos.

"Hoje em dia, não importa a veracidade da informação. Ela vai ser sempre usada e compartilhada como verdade absoluta. Há muita intolerância. Mas, por outro lado, assuntos que eram tabus passaram a ser falados e discutidos, como o racismo, homofobia, feminismo. Isso é muito importante. No fim, não acho que regredimos", conclui Lucas Colombo.

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