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Amigos e familiares se despedem de Fernanda Young em velório em São Paulo

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

25/08/2019 14h11Atualizada em 25/08/2019 17h55

Amigos e familiares se despediram de Fernanda Young no cemitério Congonhas, zona sul de São Paulo (SP), na manhã e tarde de hoje. O corpo foi velado em uma sala fechada somente para parentes e amigos. O enterro ocorreu às 17h. A escritora, roteirista e atriz morreu na madrugada de hoje depois de sofrer uma parada cardíaca após uma crise de asma.

A mãe de Fernanda, Leila Quintanilha, chegou ao local um pouco depois das 14h. Amparada por familiares, entrou na sala fechada e só saiu de lá após uma hora. Uma das filhas gêmeas, Estela May, chegou um pouco antes da avó e também entrou direto na sala do velório para se despedir da mãe.

Renata Young, irmã de Fernanda, chegou ao local logo cedo e recebeu o corpo. Abalada, ela preferiu não falar com a imprensa. O marido, Alexandre Machado, também ficou o tempo todo dentro da sala do velório ao lado do corpo da mulher, segundo amigos presentes no local.

Coroas de flores com homenagens de amigos e parentes não paravam de chegar e começaram a ser colocadas do lado de fora do velório. Rita Lee e Roberto de Carvalho mandaram uma delas, assim como Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch, que trabalharam com Fernanda Young em Shippados.

Entre os que foram se despedir da atriz pessoalmente, Astrid Fontenelle, Marisa Orth, Lillian Pace e Fernanda Nobre, que protagonizaria a peça Ainda Nada de Novo com Fernanda Young a partir de 12 de setembro. Também estiveram no velório Maria Ribeiro, Gabriela Duarte e Monica Iozzi, entre outros colegas e amigos.

Parceira de peça

Fernanda Nobre foi uma das primeiras a chegar. "A gente estava fazendo um processo para estrear no dia 12. Ela estava muito, muito feliz, agradecida. A gente estava com uma relação muito intensa, muito profunda", disse Nobre ao chegar ao velório. "Que pena, era uma das maiores mulheres da nossa história da contemporaneidade. Me sinto muito agradecida por ter vivido e aprendido com ela."

É uma perda enorme para a nossa cultura nesse momento que a gente está vivendo. Uma mulher empoderada, forte, inteligente
Fernanda Nobre, atriz

A atriz lembrou sobre o último encontro que teve com Young, anteontem. "A gente teve um ensaio fortíssimo, lindo. Estamos esgotados. Está para estrear, tudo muito intenso e forte. E ela foi com uma mochila de camping para o ensaio e um chapéu, parecia o Indiana Jones, falando que estava indo para o sítio dela descansar, para ter um momento, se conectar com a natureza, se reenergizar e voltar para a gente ensaiar na segunda-feira."

A diretora Mika Lins também manifestou choque com a perda da amiga. Ela dirigiu Young e Maria Ribeiro em uma leitura dramática do livro da amiga Pós-F para Além do Feminino e do Masculino.

"Ninguém pode imaginar que ela morreu. Uma uma grande mãe de crianças incríveis. Vai fazer muita falta. Uma super-roteirista, pessoa de se admirar. Aprendi a admirar e rir com ela. Tinha a capacidade de rir com ela mesma. Não dá para acreditar que uma mulher assim, tão produtiva, tão bacana, foi morrer tão jovem."

"Coração gigante, de uma justiça enorme"

Amiga há mais de 20 anos de Young, a jornalista e curadora de moda Lilian Pacce estava inconformada com a morte da roteirista. Ela foi se despedir no velório.

"Ela era brilhante, grande amiga, um coração gigante. De uma justiça enorme. Genial e inquieta", lamentou Pacce. "Ela estava animadíssima com a peça e outros projetos. Tinha muitos planos, não é possível não conseguir realizar. Falamos na quinta. Brincávamos muito na academia de que a gente sempre estava se preparando. Ela falou sobre a foto [de divulgação da peça]. Disse 'resolvi me aceitar, estou bem do jeito que estou, ótima'."

Hoje apresentadora do Saia Justa, programa que também já teve Young no sofá, Astrid Fontenelle disse que a amiga vai deixar saudades.

"Ela vai deixar uma saudade eterna. Agora é dor, sobretudo porque era uma pessoa muito jovem, com quatro filhos, um deles pequeno. Já estou com saudades. Fiquei de ligar para ela na semana passada para falar que ia vê-la no teatro, porque sou uma pessoa que tem medo de teatro, mas que iria vê-la."

Ela era uma pessoa que queria sossego, como ela escreveu. Mas que queria essa inquietude da revolta, do procurar saber
Astrid Fontenelle, apresentadora

Trabalhos de sucesso

Fernanda Young lançou o seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, em 1996. Continuou carreira de sucesso na literatura com títulos como À Sombra das Vossas Asas (1997), Carta Para Alguém Bem Perto (1998) e As Pessoas dos Livros (2000).

Na TV, criou a comédia Os Normais para a Rede Globo, em 2001. Grande sucesso de audiência estrelado por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães como o casal Vani e Rui, a série ficou no ar até 2003 e ganhou dois longas-metragens, em 2003 e 2009.

Entre 2002 e 2003, apresentou o programa Saia Justa, da GNT, ao lado de Rita Lee, Mônica Waldvogel e Marisa Orth. Na mesma emissora, comandou o Irritando Fernanda Young, programa de entrevistas que ficou no ar entre 2006 e 2010.

Young foi indicada a dois Emmys internacionais, pelos seriados Separação?! (2010) e Como Aproveitar o Fim do Mundo (2012). Também escreveu e atuou na série de comédia Surtadas na Yoga, ao lado de Flávia Garrafa e Anna Sophia Folch, que a mesma GNT produziu entre 2013 e 2014.

Seu trabalho mais recente foi na série Shippados, lançada pelo streaming Globoplay e estrelada por nomes como Tatá Werneck, Clarice Falcão e Eduardo Sterblitch.

Imagem polêmica

Nos palcos, na TV, na literatura e na vida pessoal, Young não tinha papas na língua. "Não acredito que se masturbem com minha Playboy. Lendo meus livros, sim", disse em entrevista ao UOL, se referindo ao seu ensaio para a revista masculina em 2009.

Também falou da relação com o marido, Alexandre Machado, que é roteirista e escritor: "Pensam que sou uma assistente do meu marido. É machismo puro!".

Certa vez, processou um hater que a chamou de "vadia lésbica" no Instagram. Saiu vitoriosa -- em parte. O juiz reduziu o valor da indenização alegando que sua "reputação é elástica", por ter posado nua e fazendo um gesto obsceno em uma revista. "O excelentíssimo crê que mulheres como eu provocam o caos", ironizou ao UOL.

"No frigir dos ovos, as pessoas entenderam que não sou perigosa. Sou honesta. Não abro mão da minha ideologia. Moderno é ser eterno", completou.

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