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Bebel Gilberto fala sobre morte do pai, João Gilberto: "Obrigada pelo último olhar"

Gilvan Marques

Do UOL, em São Paulo

06/07/2019 21h59

Bebel Gilberto, filha do cantor e compositor João Gilberto, se pronunciou pela primeira vez após a morte do pai, anunciada hoje à tarde, no Rio de Janeiro.

Na mensagem de despedida, publicada em seu perfil no Instagram, Bebel agradece ao pai "pela última risada e pelo último olhar" e "por prestar atenção em todas as harmonias e melodias".

"Meu Deus, como a gente se divertiu. Obrigada por tudo. Por prestar atenção em todas as harmonias e melodias. Por amar cada momento da vida como se não houvesse amanhã. Por sempre me fazer mudar todas as passagens, ou partidas. Por valorizar tanto cada momento da vida. Obrigada pelo último olhar, pela última risada, por ser honesto, por ser um homem de família. Por ter sido o melhor pai que alguém poderia desejar. Meu amor: que os anjos e mamãe te recebam, descanse em paz. Te amo", escreveu ela. (Veja o post abaixo)

Interdição judicial

Desde o ano passado, João Gilberto estava sob interdição parcial, ou seja, não podia viver a plenitude de seus atos e direitos. A filha Bebel movia desde 2017 um processo de interdição do pai, motivada pela idade avançada e pela precária situação financeira em que ele vivia --ele chegou a ser despejado do apartamento onde morava no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, por dever anos de aluguel.

Em abril de 2018, de acordo com uma reportagem de "O Estado de S. Paulo", a Justiça autorizou o arrombamento do apartamento, acatando requerimento de Bebel para verificar o estado de saúde do músico e para que ele pudesse ser citado formalmente no processo de interdição.

A ação tinha o objetivo de afastar Cláudia Faissol, ex-companheira do músico, do controle da vida de João. O caso corre em segredo de justiça na 5ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio.

Repercussão

Veículos internacionais repercutiram a morte do cantor e compositor João Gilberto, considerado um dos pais da bossa nova. O músico morreu hoje em casa, no Leblon, zona sul do Rio.

Jornais como o francês "Le Monde" e o italiano "Corriere della Sera" destacaram a importância do cantor e compositor no alto de seus sites.

O alemão Der Spiegel afirmou que João Gilberto "foi um dos representantes mais influentes da música latino-americana" e lembrou que Garota de Ipanema foi cantada inicialmente por sua ex-mulher Astrud.

Trajetória

João Gilberto de Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, no sertão baiano, em 1931. Com 18 anos mudou-se para Salvador, onde se tornou crooner da Rádio Sociedade da Bahia. Em 1950 foi para o Rio de Janeiro e fez parte de alguns conjuntos musicais, mas foi expulso por indisciplina.

Em 1958, fez participação como violonista no disco de Elizeth Cardoso, com canções de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Em março de 1959, lançou Chega de Saudade, considerado por muitos o marco inicial da bossa nova. No disco, João abriu um novo caminho para um novo estilo de tocar violão, com uma batida e uma harmonia diferentes e o canto doce que influenciou, como disse Tom Jobim, "toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores".

Dois anos depois, lançou "O Amor, o Sorriso e a Flor", da faixa "Samba de Uma Nota Só". Em 1962, dividiu o palco com Vinícius de Morais, Tom Jobim e o grupo vocal Os Cariocas. Apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall de Nova York, onde fixou residência e lançou vários discos de sucesso, como a parceria com Stan Getz, Getz/Gilberto, de Garota de Ipanema, pelo qual recebeu um Grammy de melhor álbum em 1965.

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