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Big Little Lies: Shailene Woodley conta como foi trabalhar com Meryl Streep no novo ano

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Shailene Woodley e Meryl Streep na segunda temporada de "Big Little Lies" Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

2019-06-08T04:00:00

08/06/2019 04h00

Após fazer um sucesso estrondoso em 2017, Big Little Lies retorna amanhã à HBO para sua segunda temporada.

Agora, o elenco formado por Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Shailene Woodley, Laura Dern e Zoe Kravitz ganha uma adição de peso: a de Meryl Streep, que surge como Mary Louise, a misteriosa sogra de Celeste (Kidman).

Em entrevista enviada exclusivamente pela HBO ao UOL, Shailene Woodley conta o que esperar do novo ano da série e revela como foi trabalhar com Streep, veterana e dona de quatro Oscars.

Leia abaixo a conversa na íntegra:

P: Após os acontecimentos da primeira temporada, a Jane e as outras mulheres compartilham um trauma e um segredo. Como elas estão no início da segunda temporada?

SW: O principal tema da temporada é como pessoas diferentes lidam com as mesmas experiências, e como um acontecimento traumático pode ter efeitos diferentes.

A Jane representa a cura que pode acontecer após um trauma - não que a gente escape de um trauma, mas há cura, há luz no fim do túnel. Nesta temporada a Jane avalia o que ela sofreu, quem ela é e quem ela quer ser no futuro. Ela está decidida a mudar de vida.

P: Como vai evoluir o relacionamento entre as cinco mulheres?

SW: Esta temporada mostrará como as mulheres podem escolher lidar umas com as outras, inclusive quando elas não escolhem ser amigas, mas são obrigadas a isso.

Estas mulheres são pessoas muito diferentes, mas elas escolhem ser amigas porque precisam se apoiar umas nas outras. Nesta temporada elas têm que se aproximar por causa do segredo, da mentira. Mas isso significa que elas são amigas mesmo ou só aliadas nessa causa? Vai ser interessante observar isso.

P: A Meryl Streep entrou para o elenco para interpretar Mary Louise Wright, a sogra da Celeste (Nicole Kidman). Como é trabalhar com ela?

SW: É incrível. Ela naturalmente nos incentiva a prestar atenção e a trabalhar com consciência. Ela é muito dedicada e apaixonada pela atuação, pelo cinema, por contar histórias. Foi uma verdadeira aula magistral sobre interpretação.

Ela vê o projeto de um jeito holístico, não só de personagens. Ela encontra maneiras de unir tudo. Eu nunca tinha lido um roteiro desse jeito, nem trabalhado com alguém assim. Ela diz coisas como: "Esta fala na página 88 está ligada a essa fala da página 3", porque ela tem um olhar que percebe tudo de uma perspectiva ampla. Isso me fez ver o ecossistema de storytelling de outro jeito.

P: O que você aprendeu com as outras quatro protagonistas e como vocês se relacionam na vida real?

SW: A Nicole e a Reese (Witherspoon) e todas elas me ensinaram muito, não só como atriz, mas como ser humano. Nós ficamos tão próximas e sinceras, confiamos tanto umas nas outras, que eu recorreria a elas para contar um problema, grande ou pequeno, e tenho certeza de que receberia muita atenção e ouviria opiniões que me ajudariam.

Existem poucas pessoas com quem eu trabalhei e das quais continuo muito próxima. Mas nós cinco nos falamos com frequência. Eu não sou de me comunicar muito, então isso mostra a importância que temos umas para as outras.

P: Quais foram as vantagens de que a Reese e a Nicole também fossem as produtoras executivas?

SW: A parte maravilhosa de elas serem as produtoras é que nós sabemos qual é o objetivo delas com a série, o que nos ajuda a transmitir esse objetivo independentemente dos outros elementos. É raro ver atores que também são produtores tão ativos quanto elas.

P: Por que você acha que essas personagens conquistaram tanta gente? O que elas têm de diferente das mulheres que costumamos ver na tela?

SW: Tudo que está acontecendo em Hollywood agora com relação à igualdade das mulheres é maravilhoso, mas eu perdi a conta de quantas vezes eu ouvi em entrevistas: "É maravilhoso ver um elenco todo de protagonistas mulheres".

Mas nenhuma dessas personagens é forte. Elas são impressionantemente vulneráveis, frágeis, abaladas, mesquinhas e ciumentas. Há muitas coisas negativas nas histórias delas, e eu acho que foi isso que conquistou as pessoas. É muito raro ver na tela uma interação de mulheres que não caia no estilo "água com açúcar", nem se concentre em um drama específico.

Eu acho que as pessoas identificam algo delas mesmas nas personagens, mesmo sem terem o estilo de vida luxuoso dessas mulheres. Todo mundo pode se identificar com o abuso, a injustiça e a infidelidade, seja com histórias próprias ou de familiares ou amigos.

Eu não reverencio a força. Eu acho que é preciso reverenciar a honestidade, que em geral envolve muita fragilidade e vulnerabilidade.