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BTS impressiona São Paulo com show de tecnologia, samba e "juntos e shallow now"

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

25/05/2019 21h35

O BTS fez hoje o primeiro dos dois shows da turnê "Love Yourself: Speak Yourself" no Brasil. Aguardados por fãs que acamparam por até três meses no lado de fora do Allianz Parque, em São Paulo, o grupo de k-pop formado por Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook entregou uma apresentação de luzes, tecnologia e simpatia para as mais de 40 mil pessoas que lotaram o estádio.

Com estrutura impressionante, os integrantes literalmente sambaram para as fãs brasileiras e países vizinhos, já que esta é a única oportunidade de ver o grupo na América do Sul.

RM, integrante do BTS - Reprodução/Twitter
RM, integrante do BTS
Imagem: Reprodução/Twitter

"Vocês são famosos pelo Carnaval? Samba? Vocês querem?", brincaram os meninos falando em português, em uma das várias interações durante o show. Em seguida, eles arriscaram passinhos de samba. Exímios dançarinos que são, mandaram bem, para o delírio da Army, apelido dado ao exército de fãs do grupo.

Ainda que seja a quarta passagem deles pelo Brasil, esta é sem dúvida a mais aguardada, vide a proporção que o BTS tomou nos últimos anos. Os ídolos sul-coreanos alcançaram recentemente o recorde dos Beatles ao levar três discos para o topo do ranking da Billboard 200 em apenas 11 meses.

Eles também têm o clipe mais visto do YouTube em 24 horas, "Boy with Luv", que faz parte do disco mais recente, "Map of The Soul: Persona", uma parceria com a norte-americana Halsey que também entrou no repertório do show.

Veja a seguir os momentos mais impressionantes do espetáculo visual que o BTS trouxe para São Paulo.

Gritaria

Os fãs são parte importantíssima do show, e o BTS sabe bem disso. Para que escalar atração de abertura se a Army canta os hits do grupo a plenos pulmões apenas com a exibição de clipes no telão? Antes de subirem ao palco, a gritaria dentro do estádio é ensurdecedora e amplificada cada vez que um dos sete ganha destaque no vídeo. A participação do público é literalmente um show à parte.

Destaque também para as Army Bombs, as lanterninhas oficiais vendidas por R$ 250 nos estandes de merchandising --mais R$ 15 pelas pilhas. Elas são controladas via Bluetooth pela produção do BTS. O resultado? Um show de cores sincronizado e impressionante.

Show do BTS no Allianz Parque, em São Paulo - BTS/Divulgação
Show do BTS no Allianz Parque, em São Paulo
Imagem: BTS/Divulgação

Palco gigantesco

As 375 toneladas de equipamento que o BTS trouxe ao Brasil se justificam pelo tamanho do palco usado na turnê, que já passou pelos maiores estádios dos Estados Unidos e parte em seguida para a Europa. A estrutura composta por um palco principal, passarela e um palco secundário toma metade do campo de futebol.

São sete telões. Um pentágono central projeta imagens e efeitos de cada performance, enquanto dois laterais projetam o show para fãs que estão mais distantes do palco, nas arquibancadas. A pista é tomada pelo palco e os sete integrantes circulam por todas as áreas.

Solos

Depois de uma abertura grandiosa com duas enormes panteras infláveis, de onde saem os sete integrantes --e uma primeira pausa para trocar uma ideia em português--, o show continuou com os solos, quando cada um dos BTS pôde brilhar individualmente.

O primeiro a se apresentar foi J-Hope com "Trivia: Just Dance". Não demorou para que os gritos de J-Hope tomassem o estádio. "Obrigado", respondeu ele, mostrando simpatia.

J-Hope, do BTS - Reprodução
J-Hope, do BTS
Imagem: Reprodução

Jungkook foi o próximo na música "Euphoria". É dele um dos momentos mais impressionantes do show, quando "voa" sobre o público em uma espécie de tirolesa que vai até o meio do estádio. Detalhe: sem perder o tom da canção.

Já Jimin comandou sozinho "Serendipity", outro ponto alto da apresentação. Ele surgiu dentro de uma bolha. Os movimentos suaves da dança acompanhados de projeções nos telões criaram um efeito que faz parecer que ele estivesse de fato submerso.

Líder do grupo, o rapper RM mostrou personalidade em "Love". É dele o figurino mais despojado: jeans, camiseta, tênis e uma espécie de kimono por cima de tudo.

Deitado em uma enorme cama que parece flutuar pelo palco, V se entregou ao público na balada com toques de R&B "Singularity". O idol caprichou nas caras e bocas e nos movimentos que acompanham a canção sensual, que fala de um fim de relacionamento complicado.

Suga cantou sobre os altos e baixos da vida em "Seesaw". Jin, o último a apresentar seu solo, "Epiphany", não precisou de muito mais que um piano para acompanhar sua voz bastante afinada, carregada de falsetes.

Parque de diversão no palco

Se a primeira parte do show é marcada pelas danças perfeitamente sincronizadas e solos caprichados, a segunda, após breve intervalo, é de pura diversão. Para o público e para os artistas.

Escorregadores e pula-pulas infláveis gigantes tomaram o palco secundário enquanto os meninos literalmente brincavam ao cantar "Anpanman". Os figurinos bem mais despojados do que os terninhos impecáveis também traduziram os movimentos mais livres, que incluíram caretas para as câmeras.

"Juntos e shallow now"

Antes do final apoteótico, o BTS criou mais um momento de interação com a plateia. Primeiro, uma selfie. Os sete se posicionaram e fizeram o registro com o Allianz Parque lotado ao fundo. Depois, foi a vez de organizarem uma "ola". Detalhe: mais uma vez em português. Os comandos eram "para baixo, para cima" e "3, 2, 1".

Por fim, foi a vez de os BTS se despedirem um a um. Alguns arriscam os discursos ensaiados em português. Outros, preferiram um tradutor. Mas foi Jungkook quem mais arrasou ao usar o meme do momento.

"Eu espero muito voltar ao Brasil. Vocês são ótimos. Estou muito feliz", disse ele, antes de dar o adeus com um recado: "Juntos e shallow now". Foi a senha para o Allianz Parque quase vir abaixo.

Turnê disputada

Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook formam o BTS. Fenômeno do k-pop, o septeto se uniu em 2013. Um ano depois, em 2014, os sul-coreanos fizeram sua primeira passagem pelo Brasil, em um encontro com fãs para cerca de 1.500 pessoas. O BTS voltou ao país em 2015 e 2017. Nesta última passagem, os ingressos para dois dias de show no Credicard Hall se esgotaram em minutos, e um show em estádio já passou a ser cogitado.

Mas nada se compara a essa quarta visita do grupo ao Brasil. A princípio, o BTS faria um único show em São Paulo, em 25 de maio. A busca por ingressos foi tão concorrida que o show extra foi anunciado no mesmo dia em que os ingressos para a primeira data foram colocados à venda.

O show de amanhã, também no Allianz Parque, também acontecerá mais uma vez com ingressos esgotados, para 42.500 pessoas. Depois da breve passagem pelo Brasil, o BTS se apresenta no estádio de Wembley, em Londres.

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