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Diretor de documentário polêmico sobre Michael Jackson rebate família do cantor

Wade Robson posa com Michael Jackson em imagem de arquivo - Reprodução
Wade Robson posa com Michael Jackson em imagem de arquivo Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

28/01/2019 22h53

O diretor Dan Reed, do polêmico documentário "Leaving Neverland", que detalha abusos que Michael Jackson teria cometido contra crianças, rebateu as críticas que vem recebendo tanto da família do cantor quanto dos responsáveis por gerenciar o legado dele.

"É um documentário de quatro horas de um documentarista experiente com um longo histórico em investigação e contando histórias complexas. Então eu diria que é, além de qualquer coisa, um documentário", disse o cineasta em entrevista ao THR, uma aos que afirmaram que o projeto seria uma grande fofoca apenas para chamar atenção.

"Eu não caracterizei Michael em tudo no filme. Eu acho que, se você assistir, você notará que é uma história sobre essas duas famílias e Jackson é um elemento dessa história. Mas eu não procuro caracterizá-lo. Eu não comento sobre Michael. Não é um filme sobre ele. O filme em si é um relato de abuso sexual, como o abuso sexual acontece e quais são as consequências mais tarde na vida", salientou Reed.

A sinopse oficial do filme, que traz depoimentos de Wade Robson, James Safechuck e de suas famílias, descreve: "No auge do seu estrelato, Michael Jackson começou relacionamentos duradouros com dois garotos de 7 e 10 anos. Agora com 30 anos, eles contam a história de como foram abusados sexualmente por Jackson e como eles chegaram a um acordo anos depois".

Ambos chegaram a depor a favor de Michael Jackson na corte quando o cantor foi julgado, o que gerou a revolta dos administradores do espólio do artista, que acusam os rapazes de "mentirosos" e o filme de mostrar apenas um lado.

Festival de Sundance: mulheres levam cartazes em defesa de Michael Jackson para frente de cinema que exibiu documentário polêmico sobre o cantor - David Becker/Getty Images - David Becker/Getty Images
Festival de Sundance: mulheres levam cartazes em defesa de Michael Jackson para frente de cinema que exibiu documentário polêmico sobre o cantor
Imagem: David Becker/Getty Images

O rei do pop, que morreu em 2009, há quase dez anos, foi inocentado ainda em vida pela Justiça americana. No filme, os acusadores dizem que passaram a sofrer de síndrome pós-traumática após a morte de Michael Jackson e que demoraram a perceber que as situações que viveram ao lado do cantor na infância eram mesmo de abuso.

Nesta segunda-feira (28), a família de Michael declarou que o documentário é um "linchamento público". O diretor analisou. "Eles têm um bem muito precioso para proteger. Toda vez que uma música dele toca, uma caixa registradora recebe dinheiro. Não me surpreende que eles saiam lutando em defesa de seus ativos".

"Wade e James não foram pagos de forma alguma, direta ou indiretamente. Não havia nada. Nenhuma compensação de forma alguma. Acho que é uma coisa importante de explicar", acrescentou.

"O movimento #MeToo começou durante a realização do filme, e aconteceu uma mudança radical na forma como vemos as vítimas de agressão sexual, e espero que este filme aprofunde isso e o alargue para meninos e homens. Eu também espero educar as pessoas sobre como o abuso sexual infantil acontece", completou.

Exibido pela primeira vez em Sundance, "Leaving Neverland" ainda não tem previsão de estreia em circuito comercial. O documentário será exibido em duas partes pela HBO nos Estados Unidos, com previsão de estreia para a primavera norte-americana.