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Penn Badgley diz que homens ficam "mais horrorizados" com stalker de "Você"

Penn Badgley em "Você" - Divulgação
Penn Badgley em "Você" Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

25/01/2019 09h58

ATENÇÃO: o texto abaixo contém spoilers de "Você". Não leia se não quiser saber o que acontece. 

A série "Você" tem deixado muita gente horrorizada (e obcecada) com a história de Joe Goldberg, um stalker assassino que persegue a jovem escritora Guinevere Beck. E, na experiência do ator Penn Badgley, são os homens que têm ficado mais chocados com as atitudes do personagem.

"Tendem a ser os homens que ficam mais horrorizados com o Joe", disse ele entrevista ao jornal "The New York Times". "Vou arriscar e dizer que isso acontece porque isso não é tão novo para as mulheres. Ele é como um pesadelo que elas têm repetidamente, enquanto os homens dizem 'isso não é real!' As mulheres falam: 'claro que não é real, mas é extremamente representativo'".

Para Penn, "Você" acaba aproveitando bem um momento em que muito se fala dos padrões de masculinidade. "Enquanto espectador, você não pode gostar de Joe sem se sentir responsável pela morte de Beck. Há muitas histórias na mídia sobre o que chamamos de 'masculinidade tóxica' e acho que isso ainda não explica a profundidade desse fenômeno. É muito interessante que essa série, de todas, seja tão popular agora".

A produção, acredita o ator, força as pessoas a confrontarem a parte delas que torce por Joe, ainda que ao longo dos episódios ele cometa uma série de atrocidades. "Em uma sociedade mais justa, nós todos veríamos Joe como problemático e não teríamos interesse na série, mas essa não é a sociedade em que vivemos."

Beleza e raça

Penn avaliou os privilégios que Joe tem, na série, por ser um homem branco, jovem e atraente. "Acho que [a habilidade de Joe se safar das coisas] tem muito a ver com a aparência dele. Joe não está distante de alguns personagens que vemos na arte e dissecamos ad nauseam, como os que encontramos nos trabalhos de Jack Kerouac ou J.D. Salinger. Se outra pessoa, que não um homem jovem e branco, fosse se comportar como esses personagens, ninguém iria tolerar".

"Para mim, fazer Joe é um trabalho de dissecar a miríade de privilégios que um homem branco, jovem e atraente carrega", completou. "Eu não estou sugerindo que o resto do mundo não deveria ter esses privilégios. Mas acho que quando apenas um grupo os tem, há uma cegueira terrível que os impede de entrar em contato com sua humanidade".

O ator ainda disse acreditar que "Você" foi pioneira na forma como apresentou um personagem como Joe. "É a primeira vez que vemos esse tipo de personagem de forma responsável, porque ao mesmo tempo em que o mostramos como romântico, charmoso e glamoroso, também falamos 'pois é, mas ele mata quatro pessoas e depois Beck. O que mais podemos dizer sobre o caráter dele?'"