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Rad, o rapper mineiro que largou o futebol e driblou a depressão com a música

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O rapper mineiro Rad, que lança seu primeiro trabalho Imagem: Divulgação

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

2018-12-20T04:00:00

20/12/2018 04h00

O primeiro contato com as rimas veio por meio dos versos intensos e técnicos de Eminem. Para o rapper Rad, este contato inicial com o rap se tornaria um rumo inevitável para sua carreira, mesmo depois de flertar com um sonho de muitos brasileiros: ser jogador.

"Sempre gostei de futebol. Quando era moleque fiz muitos testes. Joguei anos em um time da cidade que moro e em 2014 passei no Bragantino, de São Paulo. Joguei por um ano lá na base. Eu era zagueiro e virei capitão", disse Robson Antonio Diniz Ferreira, o Rad, em entrevista ao UOL. Mesmo com uma possibilidade de carreira nos campos, aquelas batidas que ouvia desde os 7 anos de idade martelavam algo mais na sua cabeça.

"Meu envolvimento com o rap começou ali. Ficava escutando dia inteiro quando não estava treinando. Quase final do ano não estava mais com vontade de jogar ou de fazer alguma coisa. Só escutando os sons e comecei a escrever minhas primeiras letras".

Em 2015, tomou a decisão final: deixou o futebol. "Sentia que aquilo não era pra mim. Meu estilo de viver era outro. Sempre escutando muitos raps, curtia o jeito dos caras, as músicas, rimas, batidas, e fui aprendendo a rimar cada vez mais. E saía naturalmente pelo sentimento que colocava ali", continuou.

As rimas contra depressão

Já longe das chuteiras e de microfone em punho, Rad teve o rap como aliado em outra batalha, a depressão. Nesta época, só conseguia "escrever, ouvir música e ficar deitado". "E por muito tempo isso ficou só no caderno. E quando a poeira baixou, em 2016, quando conheci a galera do Estúdio Gunter, (os produtore Luiz Brasil e Affonso Morais) aí eu comecei a entrar mais pro meio do rap".

E foi ali que as canções que estão em seu primeiro projeto, "Altas Ideias, Vários Casos", começaram a tomar forma. O primeiro trabalho do mineiro tem sete faixas: "O Que Você Tem Pra Trocar?", "Altas Ideias, Vários Casos", "Xeque-Mate", "Nós Vamos Vencer", "Esse É Meu Jogo", "Corre Mano" e "Progressão".

"Ficamos dois anos trabalhando em várias músicas. Foi um processo de muito conhecimento, muito aprendizado. Fomos trocando experiências, trocando muitas ideias, juntamos muitos estilos, colocamos muitas melodias".

Rap com sotaque mineiro

Já faz algum tempo que o foco do rap nacional deixou de ficar centralizado no eixo Rio-São Paulo. Direto da mesma Belo Horizonte de Rad, o rapper Djonga, por exemplo, foi um dos grandes expoentes do gênero em 2018. "Estou ficando cada dia mais contente pelo cenário do rap que está crescendo em vários outros lugares. Isso é importante pra cultura do rap. As pessoas têm que ter menos preconceito com tudo, não só nas cores, gêneros, mas ao todo, precisamos diminuir a hipocrisia e ser mais amor, mais sinceridade, compreensão e pro rap falta muito isso", disse Rad.

"As coisas estão mudando e o nosso cenário está crescendo e com força. Isso que quero, meus manos crescendo junto comigo, quero fazer história, fazer minhas músicas, fazer rap e viver do rap. A depressão vem, mas o rap está aqui comigo".
 

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