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Modelo revela que teve caso com Woody Allen quando tinha 16 anos de idade

Divulgação/THR
Christina Engelhardt aos 16 anos, quando conheceu Woody Allen Imagem: Divulgação/THR

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

2018-12-17T12:34:40

17/12/2018 12h34

A modelo Christina Engelhardt escondeu por mais de quarenta anos seu envolvimento com o cineasta Woody Allen. Em nova entrevista com o "The Hollywood Reporter", ela reconta como o caso dos dois começou quando ela tinha apenas 16 anos de idade.

O ano era 1976, e ela era fã dos filmes de Allen. No restaurante Elaine's, em Nova York, ela avistou o cineasta de longe e decidiu deixar em sua mesa um bilhete: "Você já assinou autógrafos demais, então aqui está o meu", dizia. Ao lado da assinatura, o número de telefone de Engelhadt.

Aos 41 anos na época, Allen ligou para o número no bilhete e começou um caso secreto com a modelo. Ele nunca perguntou a idade dela, segundo Engelhardt, mas sabia que ela ainda estava no ensino médio e morava com a sua família.

Os termos do envolvimento dos dois também eram controlados por Allen -- e ela pouco resistiu às suas regras. "Eu só queria agradar. Como ele era um diretor famoso, eu tinha um sentimento de quase devoção em relação a ele", conta.

O cineasta proibia discussões sobre o seu trabalho quando os dois estavam juntos, e exigia que eles só se encontrassem em seu apartamento em Nova York, as cortinas sempre fechadas. "A vista do Central Park provavelmente era linda, mas eu nunca a vi", comenta a modelo.

Após pouco mais de um ano de relacionamento, Allen começou a trazer outras mulheres para os encontros dos dois. Quando completaram quatro anos, ele a apresentou a sua nova namorada: a atriz Mia Farrow, com quem ele subsequentemente se casaria.

Divulgação/IMDb
Christina Engelhardt atualmente Imagem: Divulgação/IMDb

"Eu me senti enjoada. Eu não queria estar lá [no quarto com os dois], mas não tinha coragem de ir embora. Ir embora significaria que tudo isso estaria acabado. Olhando para trás, eu sei que era disso que eu precisava, mas não ter Woody na minha vida parecia absurdo naquela época", escreve ela em seu diário, entregue ao "Hollywood Reporter".

Engelhardt diz que sempre foi evidente que Farrow estava fazendo aquilo a pedidos de Allen, e não por sua própria vontade. Mesmo assim, as duas desenvolveram uma amizade, bastante influenciada pela paixão de ambas por animais e astrologia.

Relembrando o escândalo que Allen enfrentaria anos mais tarde, quando foi revelado o seu caso com a filha da atriz, Soon-Yi Previn (agora esposa do cineasta), Engelhardt comenta: "Eu me senti mal por Mia. Woody tinha tudo o que poderia querer. Ele precisava tirar algo de Mia?".

"Ele treinou Mia, fez com que ela aguentasse tudo o que ele queria fazer. E depois fez isso. Foi um total desrespeito", completa.

Em "Manhattan", lançado por Allen em 1979, o personagem interpretado pelo diretor se envolve com uma aspirante a atriz adolescente interpretada por Mariel Heminghway. Engelhardt, que não sabia do conteúdo do filme antes de assisti-lo pela primeira vez na época, percebeu os paralelos nas primeiras cenas.

"Eu chorei durante toda a sessão. Foi como se todos os meus piores medos viessem à superfície. Era assim que ele se sentia sobre mim? Nós dividimos uma conexão tão forte, desde o começo, e aqui estava essa interpretação de mim para todos os críticos de arte verem e desconstruírem", comenta.

A modelo, que hoje trabalha como assistente para o produtor Bob Evans, deixou Allen e viajou à Europa, onde se tornou amiga do cineasta Federico Fellini, um dos ídolos de seu ex-amante. Engelhardt diz que não quer "derrubar" Allen com sua história.

"O que me fez falar sobre isso é que eu sabia que poderia prover uma nova perspectiva. Eu estou contando a minha história. A história que me moldou. Não tenho arrependimentos", completa.

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