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Mia Farrow quebra silêncio sobre Woody Allen e diz ter sido apalpada aos 17

Ben Gabbe/Getty Images for Time
A atriz Mia Farrow em evento no Lincoln Center, em Nova York, em abril de 2018 Imagem: Ben Gabbe/Getty Images for Time

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

10/10/2018 16h08

Em meio a todo o renovado burburinho em torno da denúncia de abuso sexual contra Woody Allen, uma figura-chave da história permaneceu calada: Mia Farrow, mãe de Dylan, que diz ter sido molestada por Allen aos sete anos de idade.

Farrow, que era então casada com Allen, viveu o inferno de uma separação intensamente pública com o cineasta - afinal, as circunstâncias do fim desse relacionamento eram saborosas para os tabloides: Farrow havia encontrado fotos, tiradas por Allen, de outra de suas filhas, Soon-Yi, nua. Os dois estavam vivendo um caso que, como definiu a imprensa da época, "desafiava todos os tabus".

Em rara entrevista com a revista "Elle", no entanto, Farrow diz que a nova movimentação em torno do caso não a incomoda: "Eu cheguei a um ponto, muitos anos atrás, em que parei de me importar com ele [Allen]".

A atriz diz que a filha, Dylan, e o filho, o jornalista Ronan Farrow, não a consultaram quando publicaram textos sobre o acontecido na imprensa americana. "Eles sabem que, para mim, essa história é um cachorro adormecido. É melhor não acordá-lo. Mas é claro que eu entendo e respeito profundamente o motivo pelo qual a minha filha está lutando por justiça", diz ela.

Sobre a relação com Allen, ela avisa: "Nem tudo é preto e branco. Se fosse, as pessoas estariam pensando: 'Como ela ficou com esse cara por sequer dez minutos, que dirá dez anos?'".

Mia e o #MeToo

O movimento #MeToo, que prontificou o ressurgimento das denúncias contra Allen, também fez com que Farrow reavaliasse algumas de suas experiências na indústria. "Cara, eu gostaria de ter gravações de tudo o que já aconteceu comigo para poder provar", comenta a atriz.

"A primeira vez que sofri algo que definiria como assédio foi aos 17 anos. Um grande executivo de estúdio, muito conhecido, me apalpou", continua. "Eu fiquei tão envergonhada, não consegui nem contar para a minha mãe".

Outro cineasta acusado por várias mulheres de abuso, Roman Polanski, tem uma ligação importante com Farrow: ele a dirigiu no clássico "O Bebê de Rosemary", em 1968, e a atriz era uma das melhores amigas do diretor e de sua então esposa, Sharon Tate, que seria assassinada em 1969 por seguidores do culto de Charles Manson.

Perguntada se trabalharia novamente com Polanski, Farrow hesita: "Isso não está nas cartas para mim no momento. No entanto, mesmo que estivesse, creio que não. Mas eu preciso dizer que foi maravilhoso trabalhar com ele em 'Rosemary'".

Aos 73 anos, Farrow não atua desde 2014, quando apareceu em uma montagem da peça "Love Letters" no teatro. Já no cinema, não dá as caras desde 2011, quando atuou em "Dark Horse", filme de Todd Solondz coestrelado por Selma Blair.

Ao invés disso, ela continua trabalhando como embaixadora da UNICEF, desenvolvendo outros trabalhos beneficentes e cuidando da fazenda em Connecticut (EUA) onde mora desde o escândalo envolvendo Allen.

As chances de Farrow retornar para o cinema são poucas. "Eu não quero sentar na sarjeta às duas da manhã, esperando para filmar uma cena. Eu fiz isso a minha vida toda! Já trabalhei demais. Gosto de viver uma vida normal", conta ela.