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Cacá Diegues fala sobre vaga no Oscar e cinema sob o governo Bolsonaro

O cineasta brasileiro Cacá Diegues - Gareth Cattermole/Getty Images
O cineasta brasileiro Cacá Diegues Imagem: Gareth Cattermole/Getty Images

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

13/11/2018 06h45

Cacá Diegues contou no "Conversa com Bial" de segunda-feira (12) as motivações de seu mais recente filme, "O Grande Circo Místico" - candidato brasileiro a uma vaga no Oscar 2019-, e o momento atual do cinema e política no Brasil. Para o cineasta, a pluralidade da produção cinematográfica nacional merece destaque.

"Estamos vivendo o melhor momento do cinema brasileiro. Hoje você tem uma geração nova de cineastas que cultivam a diversidade geracional, regional, política. O cinema vai muito bem, o que não vai muitas vezes é a economia brasileira", avalia, dizendo o que leva o país a não ter uma produção tão maciça de filmes como os americanos.

"O cinema é a ultima invenção do século 19, o Brasil nunca absorveu isso como indústria. Eram movimentos que se abriam e fechavam". Um deles aconteceu nos anos 90, durante o mandato do ex-presidente Fernando Collor de Mello, afirma. "Não podemos dizer que Collor matou o cinema nacional, mas deu o golpe final".

Falando em política, a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais foi assunto. "Foi uma eleição histérica, dividiu muito as pessoas. A democracia é uma maneira de viver com a diferença, não só colocar o voto na urna. Se a maioria tem direito de comandar a sociedade, a minoria tem direito de ser ouvida. Essa questão não é bem absorvida até hoje no Brasil", comenta, falando de sua escolha.

"Não votei no Bolsonaro, mas quero que dê certo pelo bem do Brasil. Não quero ser o teimoso. Eu não fui derrotado, derrota foi em 1964, quando tomaram o poder sem perguntar se podia, agora ele foi eleito pelo povo. Eu não sei o que ele vai fazer com cinema e cultura, vamos esperar".

O diretor falou das filmagens do longa. "Fui para Portugal para filmar em circos, pois aqui não pode mais ter animais. Quando você faz um filme de época, tem que ter ruas para filmar. Cheguei em Lisboa e vi que tinha a cidade inteira", comemora, explicando a estética escolhida.

"Queria fazer um filme mais com a tradição barroca brasileira. Eu queria retomar essa ideia do barroco, é uma maneira de ver a realidade através dos seus sonhos, do que você imagina". E "O Grande Circo Místico" é um sério candidato a uma vaga no Oscar em 2019? "O Oscar não pode ser o juiz supremo da qualidade de um filme. Se ganhar, é muito bom para a promoção do filme e para o cinema brasileiro, pois o mundo passará o ano olhando para ele", crê Diegues.

"O Grande Circo Místico" fez sua estreia mundial no último Festival de Cannes, como um dos filmes convidados para exibição especial (não competitiva), e chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira. Ao todo, 87 filmes disputam uma vaga na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. Em dezembro, a Academia anunciará uma lista com os pré-finalistas, que geralmente varia entre nove e dez títulos. A lista final com os cinco indicados na categoria será revelada no dia 22 de janeiro. A cerimônia de premiação será realizada no dia 24 de fevereiro, em Hollywood, Los Angeles.