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Garotinho de "E.T." reencontra o sucesso no universo do terror da Netflix

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Henry Thomas em "A Maldição da Residência Hill", série de terror da Netflix Imagem: Divulgação

Lello Lopes

Do UOL, em São Paulo

10/11/2018 04h00

Henry Thomas tinha apenas 11 anos quando achou o papel que definiu a sua carreira em "E.T. - O Extraterreste". A história da amizade do garotinho do subúrbio com um ser de outro planeta levou multidões ao cinema, quebrou recordes de bilheterias e até hoje, passados mais de 35 anos, ainda faz muita gente chorar.

Para Thomas, também abriu caminho ao estrelato. O garoto virou uma das crianças mais famosas do mundo. Mas a carreira não decolou. Ele ainda participou de um filme que virou um clássico da Sessão da Tarde, o divertido "Os Heróis Não Têm Idade", mas não conseguiu emplacar um outro grande sucesso. Até encarnar a versão jovem de Hugh Crain, o patriarca da família assombrada por fantasmas em "A Maldição da Residência Hill".

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Henry Thomas no clássico "E.T. - O Extraterrestre" Imagem: Divulgação

A série da Netflix que tem conquistado a crítica e assustado muita gente nas últimas semanas é ponto alto da turbulenta passagem de Thomas pelo universo do terror. Caminho que começou a ser trilhado em 1990, quando ele foi o jovem Norman Bates no lamentável "Psicose IV: A Revelação". No currículo, o ator já encarou outra casa mal-assombrada ("The House That Screamed"), uma história supostamente real de abdução ("Fogo no Céu"), forças sobrenaturais ("A Casa dos Pássaros Mortos", "Desespero", "A Semente do Mal") e fantasmas em geral ("Escritor Fantasma"), em filmes que vão do ruim ao sofrível.

Mesmo assim, o ator diz que não é um entusiasta de filmes de terror. "Acho que acabei com o mistério do cinema trabalhando nesses filmes", brinca Thomas em entrevista ao "New York Post". Para ele, os melhores filmes do gênero são aqueles que mostram as pessoas perdendo a sanidade, como "A Profecia", "Carrie - A Estranha" ou "O Iluminado". "O gênero evoluiu conforme os fãs evoluíram. Agora é menos horror e mais um terror psicológico que eu acho que as pessoas respondem", disse. 

Não foi só de trasheira de terror que Henry Thomas viveu nos últimos anos, é claro. Ele foi coadjuvante no premiado "Gangues de Nova York" e no meloso "Lendas da Paixão", além de pequenos papéis em episódios de "Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais", "CSI: Investigação Criminal", "Desaparecidos" e "O Mentalista". Mas isso tudo pareceu enterrado em meio a filmes de baixíssimo orçamento, como "Red Velvet", um slasher sobre um assassino que veste um macacão branco e massacra os participantes de uma festa de aniversário.

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Henry Thomas como Norman Bates no picareta "Psicose IV: A Revelação" Imagem: Divulgação

A sorte de Thomas começou a mudar em 2016, com o início da parceria com o diretor Mike Flanagan em "Ouija: A Origem do Mal". O filme, da produtora especializada em terror Blumhouse, arrecadou mais de US$ 80 milhões e ajudou a colocar Flanagan na lista dos bons novos diretores do gênero.

Assim, Flanagan foi responsável por levar à Netflix a adaptação de "Jogo Perigoso", de Stephen King. E ele não pensou duas vezes em escalar Thomas para o filme. "Trabalhei com Henry Thomas em 'Ouija: A Origem do Mal' e vi que ele era um dos melhores e mais subutilizados atores do momento, então escalá-lo foi um piscar de olhos", afirmou o diretor da divulgação de "Jogo Perigoso".

A parceria deu resultado, e Flanagan chamou Thomas para interpretar o papel central do seu novo projeto na Netflix, "A Maldição da Residência Hill". Baseada no livro escrito por Shirley Jackson no final dos anos 50, a série mostra como cinco irmãos cresceram após uma tragédia na casa mais mal-assombrada dos EUA. Com uma mistura de doçura e obstinação, ele é perfeito no papel de pai de família que tenta acalmar os filhos diante de um terror cada vez mais crescente.

"Ele é um bom pai, ou pelo menos acha que é. Ele realmente investiu em sua família, mas eles precisam lidar com o impacto de uma noite que mudou todas as coisas. Eles ficaram traumatizados por isso. E o resultado foi que ele perdeu os seus filhos porque eles não podem acreditar na verdade sobre o que aconteceu naquela noite", explicou Thomas ao "Metro".

A sintonia de Henry Thomas com as histórias de terror ultrapassa o cinema. O ator diz que não acredita em fantasmas, mas conta uma história assustadora de quando tinha 12 anos. Na época, sua mãe revelou que tinha visto um fantasma de um homem em terno escuro no porão da casa onde moravam, em Los Angeles. "Eu disse: 'OK, mãe. Ele era um fantasma legal?'", lembra Thomas em entrevista ao "New York Post". Seis meses depois, um operário que fazia uma reforma no porão também contou a Thomas que havia visto um homem de terno escuro no lugar. "Aí foi quando os pelos da minha nuca se arrepiaram."

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