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"Halloween" e orçamentos enxutos: Como produtora superou barreira dos US$ 4 bi

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Cena de "Halloween", de 2018, uma das produções da Blumhouse Imagem: Divulgação

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

07/11/2018 04h00

A fórmula é simples, mas difícil de ser executada: montar um orçamento enxuto e transformar uma ideia em um produto milionário. Realizar essa façanha uma vez já seria motivo de comemoração, mas Jason Blum já conquistou a proeza algumas vezes com sua produtora, a Blumhouse, que acaba de ultrapassar a barreira de US$ 4 bilhões na soma das bilheterias de suas produções.

Ter uma receita como esta é invejável para qualquer produtora, independente do seu tamanho. No entanto, os êxitos de Blum impressionam desde o primeiro filme assinado pela produtora e exemplo mais emblemático: "Atividade Paranormal", de 2009, custou US$ 15 mil e sua bilheteria rendeu US$ 193 milhões. Sentiu o drama?

David Livingston/Getty Images
Jason Blum, o cara por trás da produtora Blumhouse Imagem: David Livingston/Getty Images

Desta primeira cifra impressionante, temos outros casos emblemáticos, como "Sobrenatural" (2011) faturando US$ 97 milhões em cima de um orçamento de US$ 1,5 milhão e "A Entidade", que rendeu mais de US$ 77 milhões ao custo de US$ 3 milhões.

Coroando essa lista, vem o sucesso mais recente responsável por fazer a produtora atravessar a marca bilionária. Com o custo de US$ 10 milhões, o remake de "Halloween", lançado em outubro, já ultrapassou a cifra de US$ 150 milhões.

E não é só de filmes de terror que vive a Blumhouse. A produtora também emplacou êxitos como "Whiplash", que transformou seu orçamento de US$ 3,3 milhões em US$ 49 milhões, além de várias indicações ao Oscar. No entanto, Jason Blum tem uma teoria para explicar o fenômeno crescente do gênero.

"O mundo parece muito instável para as pessoas. A ideia de ter uma situação assustadora, mas de alguma maneira controlada pode ser bem confortante. Isso em oposição ao horror do mundo real", explicou em entrevista ao site da Variety. Para ele, o terror também soube se aproveitar da plataforma em que mais faz sucesso.

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"Whiplash" colocou a produtora dentro do Oscar Imagem: Divulgação

"O drama foi para a TV, mas o terror funciona bem nos cinemas. Mesmo não sendo um evento ao vivo, ele está em uma categoria de experiência coletiva".

Jason Blum fala com muita propriedade quando é questionado sobre os filmes de terror e tem certeza do que é preciso para emplacar um sucesso. "Temos que pensar que estamos fazendo grandes filmes, não que estamos fazendo grandes filmes de dar susto".

Esta maturidade de pensar os filmes como um todo é um passo importante para o sucesso da Blumhouse, mas isso não preveniu a produtora de quebrar a cara algumas vezes. Principalmente quando foi atrás do óbvio. "Cometemos o erro algumas vezes de abraçar uma fórmula de colocar um susto a cada 10 minutos". "Os Escolhidos", "Jessabelle", "Área 51" e "A Forca" são alguns exemplos que decepcionaram, mas hoje fazem parte da minoria.

"Eu cometi um monte de erros"

Jason Blum diz que teve que percorrer o mercado cinematográfico por 15 anos e "cometer um monte de erros" até encontrar uma maneira para que seu jeito de trabalhar funcionasse. "Só quando fiz 35 anos que desenvolvemos o modelo baseado no sucesso de 'Atividade Paranormal'. É claro que tive uns tropeços de lá pra cá, e muitos outros antes. Aí encontrei os orçamentos baixos e o modelo de lançar os filmes de maneira abrangente".

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"Atividade Paranormal" (2007): Investimento baixo e retorno milionário Imagem: Reprodução

Obviamente, os cortes de custos são vitais para que a Blumhouse chegue em números tão baixos de seus orçamentos. Uma saída inteligente de Jason é pagar o mínimo estabelecido para diretores e atores, que posteriormente receberão mais valores conforme o sucesso do filme. É uma aposta e investimento dos dois lados.

"Tivemos sorte de emplacar alguns filmes e dar muitos cheques para muita gente. Como a notícia viaja rápido em Hollywood, agora é muito mais fácil conseguir encontrar pessoas para trabalhar no nosso modelo". O resultado é simples: se o filme for bom, você vai ganhar mais dinheiro.

Clássicos e apostas certeiras

É óbvio que somente o modelo de negócio da Blumhouse não é suficiente para emplacar sucessos mundiais de bilheteria. O trabalho ali vai desde a escolha a dedo de apostas certeiras que tragam retorno até o estudo minuscioso de títulos clássicos que mereçam um remake.

Blum explica, por exemplo, os critérios que o fizeram produzir a nova versão de "Halloween". "Precisamos de bons personagens e uma boa mitologia para fazer as coisas funcionarem. Os fãs continuam falando sobre isso? Existe uma audiência? Isso funcionou em 'Halloween'".

No elogiado "Corra!", de 2017, que foi o primeiro filme de Jordan Peele, ele dá todos os créditos para o cineasta. "Só faria uma sequência se ele viesse com a ideia. Não seria possível outra maneira de ter uma continuação porque iria manchar a qualidade do primeiro filme. Só tocaria neste projeto se a pessoa que o criou quisesse. E não cabe a mim encorajar ou desencorajar, eu não coloquei e não colocaria pressão sobre ele. É algo que tem que partir dele".

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"Corra!" foi indicado ao Oscar de melhor filme em 2018 Imagem: ALAMY Image caption

Esta maneira de trabalho de Blum mostra bem como o produtor é rigoroso em relação aos seus projetos, principalmente seus idealizadores. No artigo, ele comenta seus critérios para fazer uma sequência.

"As pessoas sofrem com continuações porque, na maioria das vezes, eles querem pegar o dinheiro e sair correndo. Eles querem contratar novas pessoas e não pagar a mesma quantia. Em nossas sequências, eu faço muito esforço para envolver seus criadores originais no projeto", explicou.

O jeito da Blumhouse trabalhar já chamou atenção de Hollywood e Jason Blum parece longe de estar satisfeito. "Vamos continuar trabalhando duro com nossos orçamentos baixos para podermos apostar em coisas novas".

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