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Turma da Mônica cai no funk e sobe o morro em releitura de artista da PB

Arquivo Pessoal/Gabriel Jardim
Imagem: Arquivo Pessoal/Gabriel Jardim

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

06/11/2018 13h11

A Turma da Mônica já ganhou diversas versões e tem até seus gibis em que são contadas as histórias de seus personagens como adolescentes. Mas, já imaginou essa galera se eles fossem da favela e curtissem funk? Um artista paraibano fez uma releitura de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali que ganhou repercussão na internet.

Gabriel Jardim, de 24 anos, é o quadrinista de João Pessoa que criou a “Turma do Morro”. Ele se inspirou em trabalhos de outros artistas renomados, como Gabriel Picolo, que já fez releituras dos Jovens Titãs, da DC, como adolescentes normais, e a série em que rappers brasileiros viraram super-heróis, feita por Wagner Loud e Gil Santos.

Nas mãos de Gabriel, Cascão virou o MC Cascão, com tatuagens, corrente no pescoço e cabelos descoloridos. Magali é Maga Li, também MC, com boné e roupa provocante. Cebolinha é o DJ Cebola, com um boné que imita seus cinco fios de cabelo, como uma logomarca. E Mônica é a dançarina Monicat – com shortinho ousado.

“Essas influências me trouxeram essa ideia de fazer [o projeto]. Por que não juntar dois ícones do Brasil? Um dos quadrinhos, o Maurício [de Souza], e o funk e a cultura de morro, que representam o Brasil inteiro. Foi a partir daí que veio a ideia”, explicou ao UOL Gabriel Jardim.

“Eu quis reinterpretar os personagens nessa releitura do funk e da favela. O Cascão seria o MC, tem mais a cara dele. O Cebolinha seria o DJ, até porque tem o problema da fala. A Magali como outra MC e a Mônica como dançarina. Quis subverter um pouco, com o Cascão sendo protagonista. Apesar que os quatro são. Só não queria que ficasse em cima da Mônica”, disse o quadrinista.

Uma das soluções interessantes é a do cabelo do Cebolinha, que virou um logo no boné do personagem – se alguém acha que se parece com um pé de maconha, o artista diz que não foi a intenção. Já o Sansão aparece como a mochila de Mônica.

Com desenhos ousados, o paraibano diz que não temeu receber críticas. “Eu fiz pra brincar, fiz como um ato de representatividade, também. O que me assusta é a repercussão, que é maior do que imaginei, mas é um susto bom”, admite ele, que começou a desenhar ainda criança, influenciado por ver a mãe fazer pinturas e o pai esculturas, ambos por hobby. Mais tarde, conheceu Mike Deodato que é da Paraíba e desenha para a Marvel, e resolveu seguir carreira como quadrinista.

Gabriel até gostaria de seguir com os desenhos e criar um gibi para a “Turma do Morro”, mas acha complicado. “Faço sem pretensão, pela diversão, pela investigação criativa. Se fosse pra fazer um gibi, teria que ser com apoio e parceria da MSP (Maurício de Souza Produções). Gostaria muito, mas acho difícil passar na linha editorial, e é compreensível. Meu objetivo é só me divertir e postar de graça pro pessoal curtir.”

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