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Piadas de sacanagem e "Ele Não" no palco: os bastidores do Prêmio Sexy Hot

Iwi Onodera/UOL
Sexy Hot 2018 - Os vencedores do prêmio Imagem: Iwi Onodera/UOL

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL

10/10/2018 09h56

A edição 2018 do Prêmio Sexy Hot, o "Oscar do cinema pornô brasileiro", reuniu cerca de 300 pessoas nesta terça-feira (9) em cerimônia na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Atores, atrizes, produtores e diretores, além de celebridades convidadas para apresentar os vencedores, desfilaram pelo tapete vermelho do "entretenimento adulto". 

Com um público cada vez maior (ano passado o evento recebeu em torno de 200 pessoas), e ampliação da cobertura da imprensa, o Prêmio Sexy Hot segue em sua tentativa de valorizar um gênero cinematográfico visto quase sempre como marginal e amador.

A caprichada produção do evento, os nomes lá presentes e a emoção dos vencedores mostram que o objetivo vem sendo alcançado em alguma medida. A cerimônia, que durou cerca de uma hora e meia, foi apresentada por Leo Jaime. Subiram ao palco para apresentar as categorias e entregar os troféus o youtuber PC Siqueira, o "Julinho da Van" do Choque de Cultura (Leandro Ramos), os cantores Nasi e Di Ferrero, a cantora Tati Quebra-Barraco e a ex-Master Chef Aritana Maroni, entre outros. 

Para quem não tem muita intimidade com o mundo do cinema pornô, não deixa de ser curioso o contraste entre a pompa de uma premiação do mundo cinematográfico e os nomes de algumas de suas categorias: melhor cena de dupla penetração, melhor cena de fetiche, melhor cena de ménage, melhor cena de orgia, melhor cena de sexo anal.  Isso sem contar, claro, os sempre espirituosos nomes dos filmes: "Negão do Zap", "Suruba das Galáxias", "Gordelícia com Chocolate", "Garotas na Van em Festinha no Trânsito", "O Barman Caralhudo".

 Como todo evento do tipo, nunca se sabe exatamente o que os convidados, e os vencedores, vão dizer no palco, se algo engraçado, emocionante ou constrangedor. Como, no caso, o assunto era sexo, pelo menos ficava mais fácil fazer trocadilhos e piadinhas "sacanas". 

PC Siqueira, ao apresentar os concorrentes na categoria "melhor cena de sexo anal", disse que todo mundo vai "tomar no c... alguma hora". A veterana atriz pornô Marcia Imperator disse que todos os orgasmos que teve em cena foram verdadeiros, e sugeriu que as atrizes de hoje sigam seu exemplo. "Você tá lá com um gostosão, tá ganhando um monte de dinheiro. Goza gostoso", pediu a atriz. A menção a "ganhar um monte de dinheiro", entretanto, recebeu suaves protestos por parte da plateia. 

Ao perguntar para Leandro Ramos quem é o melhor amigo de um ator pornô, Leo Jaime provavelmente esperava por uma boa piada. Mas ouviu de volta que é a camisinha. A sinceridade, e seriedade, da resposta surpreendeu a plateia, que a recebeu com um instante de silêncio, mas depois a aplaudiu. Sobre "ménage", Aritana disse que a experiência é válida "se envolver só sexo" e não amor. 

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Figuras já famosas e premiadas do cinema pornô como as atrizes Emme White e Patricia Kimberly levaram mais alguns troféus para casa. A primeira venceu nas categorias "melhor cena de sexo anal" e "melhor cena de sexo oral", enquanto Patricia foi a escolhida para ficar com o troféu nas de "melhor atriz homo feminina", "melhor cena de ménage" e "melhor cena de orgia". Emme White, aliás, mandou um "Ele não, ele nunca" no palco, uma referência ao movimento das mulheres contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro. 

A noite teve ainda a primeira vez em que uma mulher venceu na categoria "melhor direção". Mila Spook, que também é atriz, se emocionou no palco e nem conseguiu completar o que tinha para dizer. "É importante para mim, também como atriz, ganhar esse prêmio. Mostra que nós somos capazes disso, e que esse estereótipo de que a gente escolheu esse meio porque não teve outra opção é muito errado", desabafou a cineasta. 

Diferente da grande maioria das categorias, que premiaram com base no voto popular feito pela internet, a de melhor direção levou em conta a análise de um júri técnico. 

"A internet não prejudicou o cinema pornô. É apenas mais um meio para assistir aos filmes. Cada público e momento pede algo diferente. Um casal, por exemplo, pode preferir assistir pela TV, já que é um momento mais intimista e confortável", acredita Cinthia Fajardo, gerente de marketing da Sexy Hot. 

Para a diretora Mayara Medeiros, premiações como o do Sexy Hot valorizam as qualidades cinematográficas do cinema pornô. Ou seja, ajudam a avaliar o filme também pelos aspectos técnicos envolvidos na sua criação. Sobre a onda conservadora no Brasil, Mayara acredita que o atual momento do país pode, sim, trazer algum impacto. "Mesmo que fique mais sofisticado e reconhecido, o cinema pornô sempre será contracultura. E um governo conservador não gosta de contracultura." 

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