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Luan Santana diz que nunca votou: "Não gosto de tomar partido"

O cantor Luan Santana durante o lancamento do EP "Live-móvel" - Keiny Andrade/UOL
O cantor Luan Santana durante o lancamento do EP "Live-móvel" Imagem: Keiny Andrade/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

18/09/2018 00h00

À frente de um projeto musical com DNA social, no qual levou seu show a cidades que jamais sonhariam em vê-lo, Luan Santana não se sente à vontade para falar sobre questões políticas. Aos 27 anos, o cantor admite que jamais votou na vida. A razão é prática: por causa dos compromissos profissionais, ele nunca conseguiu estar em seu domicílio eleitoral, Campo Grande (MS), durante o pleito.

"Eu não gosto muito [de política], não. Não gosto de tomar partido", confessa Luan. "Leio notícias, mas não entendo a parte mais profunda da coisa, me atrapalha a cabeça. Gosto de ver as notícias que são mais para todo mundo."

Apesar do discurso, o maior astro jovem da música brasileira acaba de lançar em seu projeto "Live-móvel" uma faixa com cores politizada, "Machista". A parceria com a dupla Simone e Simaria critica a atitude de homens que, como ele, já erraram feio no amor.
"Pessoas ao meu redor, que trabalham comigo, ficaram com receio. 'Cara, não é melhor deixar esse assunto de lado?'. Mas a música fala disso [machismo]. A música fala que o machismo é algo ruim, negativo. Então por que não pode ter machismo no título? Não estou viajando", entende o cantor, que rejeita o rótulo de "popnejo" e mantém um sonho: entrar em estúdio com Roberto Carlos.

"Publica isso. Seria do c*****", brinca Luan Santana.

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Luan Santana - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Luan Santana
Imagem: Keiny Andrade/UOL

Você passou por cidades pequenas no projeto "Live-móvel", chegando a tocar para o povoado alagoano de Olho D'Água do Meio, que tem cem habitantes. Qual foi o momento mais emocionante?

Luan Santana - Acho que a que a mais me marcou foi a de Piranhas (AL), porque é um Brasil que está lá, que existe mesmo. Lá, tem pessoas que não têm acesso a qualquer tipo de entretenimento. É muito longe, questão geográfica. Então, se a gente pode levar entretenimento e alegria para essas pessoas, por que não ir? Daí quando cheguei lá, conheci as pessoas, a história. Voltamos no outro dia, fizemos várias doações. Não gosto de falar disso, mas deixamos uma ajuda muito legal para eles. Achei injusto aproveitar as pessoas, o cenário, e não deixar nada. Fiz minha parte. Como prêmio, acho que ajudei a conscientizar várias pessoas.

Você disse que estava namorando o projeto "Live-móvel" há cinco anos e que não deu certo produzi-lo em parceria com TVs. Por que não deu rolou?

Queria algo grandioso. Qualquer matéria em TV ia ter menos tempo. Imagina, como você vai cantar seis, sete músicas no "Fantástico". Eles acompanharam a gente, fizeram uma cobertura linda. Mas a gente aproveitou a ideia original e fez um projeto maior, de carreira. Não foi um projeto caro.

Por que lançar uma música chamada "Machista"?

Eu não fiquei em dúvida, mas pessoas ao meu redor, que trabalham comigo, ficaram. 'Cara, não é melhor deixar esse assunto de lado?'. Mas a música fala disto, que o machismo é algo ruim, negativo. Por que não pode ter machismo no título? Não estou viajando. 'Ah, mas não é melhor usar 'Te Perdi para Mim?' no título?' Cara, [com machismo no título] vai fazer as pessoas clicarem na música e ver o que tem dentro dela. A música fala: 'Foi culpa do ciúme, do meu jeito maluco, machista. Eu não aceito te ver na pista disponível'. É muito forte. É algo que todo mundo já passou na vida. A gente não pode ser hipócrita. Acho que o machismo está fora de moda total. E acho que a música vai servir de certa forma para abrir os olhos das pessoas.

É o seu segundo trabalho mais direcionado às mulheres, depois do DVD "1977". Por que falar sobre elas agora?

Minha vida é pensando nas minhas fãs, nas mulheres. Eu componho o amor. Sempre escrevi o amor. Essa ideia do "1977" era porque eu queria fazer um disco só com participações de mulheres. Aí, quando comecei a convidar e elas começaram a topar, falei: 'Vamos tratar desse assunto, valorizar as grandes musas inspiradoras de todas as músicas que venho fazendo'. Acho que tudo se encaixou. Eu não levantei bandeira nenhuma, não protestei contra nada. Mas falei de amor com mulheres.

Suas novas letras têm claramente uma pegada mais erotizada.

Acho que amor sem sexo não tem graça. O sexo tem porcentagem muito alta no amor, e a gente não pode deixar isso de lado. Eu amo falar sobre o cotidiano das pessoas, o que elas sentem. E tem três músicas com letra mais sexy mesmo: "Vingança", "Sofazinho" e "A". "A" é uma coisa que sempre quis gravar. E quero gravar muito mais. Fala do sexo de forma mais profunda e poética, intensa. Tipo "Cavalgada" do Roberto Carlos, sabe? Roberto sabe fazer isso bem.

Você já disse que sonha em gravar com Roberto. Nunca comentou isso com ele?

Caramba, nunca tive coragem. Eu cantei com ele em especial de fim de ano. Conheci, troquei ideia, mas não tocamos no assunto de "feat". Eu acho que é uma coisa muito de parceria e amizade. Ele não tem muitos "feats" na carreira dele, justamente por acreditar que tem que rolar uma ligação forte. Também acredito muito nisso. Mas quero muito gravar. Publica isso. Seria do c*****.

Ainda faz sentido te chamar de cantor sertanejo hoje em dia?

Deixo isso para as pessoas. Eu não costumo falar o que eu canto. Eu sempre gostei de falar de amor, de sexo. De forma mais divertida também. "Cê Topa", "Acordando o Prédio" também, que é sexy e divertida ao mesmo tempo. Cara, eu não me rotulo, não. 'Ah, então não vou gravar isso porque vão dizer que é aquilo'. Acho que, para um artista, se limitar é ruim demais. O artista tem que ter a mente livre, ir para onde ele quiser.

Luan Santana - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Imagem: Keiny Andrade/UOL

Gostaria de ser chamado de cantor pop?

Prefiro Luan Santana. (risos) 

Alguns cantores retiraram o segundo nome, como a Wanessa e a Cleo. E em algumas peças publicitárias você aparece apenas como Luan. É um processo de mudança?

Não. Temos usado, mas é Luan Santana ainda. Acho que a estética fica melhor quando a gente vai fazer, na questão visual. Sou eu que invento essas coisas. As faixas, o X. E acho que o "Luan", como tem quatro letras, tem leitura melhor. Você bate o olho e já vê. Mas o Santana está aí. Não quero parar de ser chamado de nada. Não é uma estratégia.

Já sabe em quem votar este ano?

Cara, nunca votei, acredita? Sempre justifiquei. E este ano vou estar fazendo show. Eu voto em Campo Grande (MS). Sempre tenho que justificar. Tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Não me sinto confortável [em me posicionar politicamente]. Primeiro que não entendo muito de política. E eu não gosto muito, não. Não gosto de tomar partido. Tenho minha opinião, mas prefeito nunca divulgar. Leio notícias, mas não entendo a parte mais profunda da coisa, me atrapalha a cabeça. Gosto de ver as notícias mais para todo mundo.
Luan Santana

E se, hipoteticamente, você estivesse lá para votar. Há algum candidato em que jamais votaria?

Tem, mas prefiro não falar.

Mudando de assunto, você acabou de comemorar dez anos de carreira. Já pensou onde estaria daqui a dez anos?

No lançamento da "2050", eu me fiz essa pergunta. Quero continuar vivendo de música por muitos anos.

Luan Santana se apresenta no lançamento do EP "Live-móvel" - Keiny Andrade/UOL - Keiny Andrade/UOL
Luan Santana se apresenta no lançamento do EP "Live-móvel", em São Paulo
Imagem: Keiny Andrade/UOL

Pensa em que uma hora pode entrar em declínio, como acontece com todo artista?

Esse "declínio" é muito mais legal quando o artista quer. Talvez eu chegue num momento em que eu tenha necessidade de tirar o pé e relaxar. Essa vai ser a hora de aproveitar melhor a vida. Mas nunca deixarei de viver de música e fazer show, gravando coisa nova. É questão de ter mais tempo, cara. Todo artista atinge uma idade e passa por isso. Acho muito legal o cara escolher fazer isso. É ruim quando o povo não te quer mais.

Você e Jade [Magalhães] estão juntos desde 2012. Pensam em se casar?

Acho que com 30 anos é uma boa idade. Tem uma data: 21/12/21. Vou ter 30.

2021 então é ano de casamento?

Pode ser. Quero casar, cara. Quero ter filho mais do que casar. Muito massa.

E como será esse casamento? 

Tenho umas teorias. Alguns estudos de projeto. Não posso falar, porque tem três anos, e vai que alguém faz antes. Está na minha cabeça e vai ser foda. Não vai ter exclusividade. Vai ser com imprensa do Brasil inteiro. Isso é o principal. Parti dessa ideia para achar esse lugar.

Jornalistas de celebridade te perseguindo, querendo saber da sua vida, não te irrita?

No início assustava demais, com foto em tudo quanto é canto. Eu era tão novo que nem ficava puto. Eu me retraí. Sempre fui um cara tímido demais. Quando era para sofrer, sofria em silêncio.