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A vingança incompleta de "The Americans", que saiu do Emmy com dois troféus

Matthew Rhys sinalizou a modesta "revanche" da série ao vencer melhor ator em série dramática - Kevin Winter/Getty Images
Matthew Rhys sinalizou a modesta "revanche" da série ao vencer melhor ator em série dramática Imagem: Kevin Winter/Getty Images

Caio Coletti

Colaboração com o UOL

18/09/2018 04h00

O Emmy 2018 era a última chance de "The Americans". Nesta temporada, a série da emissora norte-americana FX exibiu os dez episódios finais da jornada de Philip e Elizabeth Jennings, um casal de espiões soviéticos vivendo disfarçados nos EUA no auge da Guerra Fria, em plenos anos 80.

Durante e após a exibição de suas seis temporadas, "The Americans" foi rotulada pela crítica como uma das obras mais importantes da TV. Os votantes do Emmy, no entanto, nunca se mostraram muito calorosos com o drama - antes da noite desta segunda (17), as únicas vitórias da série haviam sido para Margo Martindale, que interpretou a durona espiã Claudia e levou dois troféus de melhor atriz convidada em série dramática pelo trabalho.

Em 2018, a história foi outra: Matthew Rhys sinalizou a modesta "revanche" da série ao vencer melhor ator em série dramática, batendo o favorito Sterling K. Brown ("This is Us"), que ganhou no ano passado; e a dupla de criadores e showrunners de "The Americans", Joel Fields e Joe Weisberg, ganhou um atrasadíssimo Emmy de melhor roteiro em série dramática pelo trabalho em "START", o episódio final da trama.

"Eu tenho dito há muito tempo que eu mereço esse prêmio", brincou Rhys nos bastidores, segundo o "Deadline". "Falando sério, eu já estou sentindo falta desses personagens e da vida interior rica que eles tinham. Eu leio roteiros que me mandam agora e penso, muito arrogantemente: 'Legal, mas o que mais está acontecendo com esse cara?'".

Pode não parecer grande coisa, frente aos números de séries mais prestigiadas como "Game of Thrones" (9 vitórias) e "The Crown" (5 vitórias), mas o fato é que "The Americans" ainda conquistou, depois de muito suor, o seu lugar no palco principal do Emmy.

Faltou, é claro, o Emmy de Keri Russell. A atriz, mais conhecida por "Felicity", entregou uma performance arrebatadora na pele de Elizabeth. Na sexta temporada, trouxe a história dessa mulher intensa e comprometida para um final não só crível, como profundamente emocional.

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Rhys foi um companheiro de cena estupendo com o passar das temporadas, e seu Philip era um personagem tão complexo quanto o dela - por isso mesmo, é bizarro pensar que ele tenha saído dessa experiência com um prêmio, um reconhecimento acadêmico oficial, e ela não. Keri foi derrotada por Claire Foy ("The Crown"), que também se despediu de sua série na última temporada.

Nos bastidores da premiação, Fields falou sobre a falha da Academia em entregar o troféu para a atriz: "Se você conhece Keri, sabe que ela não se importará com isso, de um jeito ou de outro. Ela entregou o trabalho da carreira dela nessa série", comentou.

Faltou também o prestígio da categoria principal, melhor série dramática, mas os valores de produção sem precedentes de "Game of Thrones" eram difíceis de bater. No roteiro, linha por linha, "The Americans" era a série superior entre as indicadas, e a que mais merecia ser coroada, até mesmo pelo "conjunto da obra" de seis temporadas.

A verdade é que a série era uma anomalia na televisão norte-americana de sua era: ao invés de apostar em momentos bombásticos, cenas chocantes ou grandes ousadias visuais, contava a sua história com rigor e excelência - mas sem sentir a necessidade de esfregar essas qualidades na cara do espectador.

"The Americans" é um grande conto sobre a vida adulta e seus cantos mais escuros, suas reentrâncias mais complexas. É uma história de amadurecimento, de envelhecimento, e fala de forma eloquente sobre como nossa cultura é capaz de nos moldar (como povo e como indivíduos). Seu legado será maior do que o número de Emmys que ganhou.