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O que "O Grande Circo Místico" precisa fazer para chegar ao Oscar

Gareth Cattermole/Getty Images
O cineasta brasileiro Cacá Diegues divulga "O Grande Circo Místico" em Cannes Imagem: Gareth Cattermole/Getty Images

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

12/09/2018 04h00

O primeiro passo na inédita conquista de um Oscar de melhor filme estrangeiro foi dado nesta terça-feira (11). Entre os 22 títulos nacionais na disputa, "O Grande Circo Mágico", de Cacá Diegues, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na competição.

Agora, o diretor enfrentará um longo caminho até a indicação oficial da Academia de Artes e Ciências Cinematográfica. Cacá, no entanto, já conhece esse caminho muito bem pois esta é a sétima vez que ele é escolhido para representar o país.

Embora o Brasil possa indicar um filme todos os anos, isso não significa que o país está automaticamente concorrendo ao prêmio. No ano passado, "Bingo: O Rei das Manhãs" foi o escolhido pelo Brasil, mas não conseguiu ser indicado.

Até hoje, apenas quatro produções entraram, de fato, na disputa: "O Pagador de Promessas" (1963), "O Quatrilho" (1996), "O Que é Isso Companheiro?" (1998) e "Central do Brasil" (1999), mas nenhuma delas ganhou.

Para ser indicado ao Oscar, não basta um filme ser bom. A produtora Lucy Barreto, uma das responsáveis por escolher "O Grande Circo Místico", disse que o filme se destacou, entre outras qualidades, por ter Cacá Diegues como diretor, um velho conhecido de Hollywood.

Divulgação
Bruna Linzmeyer em cena de "O Grande Circo Místico" Imagem: Divulgação

Em Hollywood

O próximo passo é convencer os jurados a assistir ao filme. Para isso, os produtores de "O Grande Circo Místico" terão que produzir as legendas em inglês e colocar a produção em cartaz nos Estados Unidos.

Em seguida, como de praxe, é importante promover o título em outdoors e revistas, literalmente convidando os jurados a irem ao cinema. Nesta etapa, é importante também conquistar o público geral, gerando burburinho entre os espectadores. Em 1999, quando concorremos com "Central do Brasil", em Hollywood só se falava do italiano “A Vida é Bela” que, consequentemente, levou o prêmio.

Como ninguém tem o poder de obrigar ninguém a ir ao cinema, a dica em Hollywood é facilitar ao máximo a vida dos jurados. Por isso, também são produzidos DVDs que são entregues para os membros votantes do Oscar.

Tudo isso custa dinheiro e parte da ajuda financeira que será gasta com a divulgação de "O Grande Circo Místico" nos Estados Unidos virá do governo brasileiro. O secretário do audiovisual, Frederico Maia Mascarenhas, revelou ao UOL que o Ministério da Cultura ajudará com R$ 200 mil, que só poderão ser gastos na divulgação nos Estados Unidos.

Em 2016, a animação brasileira "O Menino e o Mundo" foi indicada ao Oscar de melhor animação, mas não tinha dinheiro para promover o título no exterior. A saída foi pedir ajuda nas redes sociais em uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou R$ 139 mil.

Feita a campanha nas ruas, agora a briga acontece nos bastidores. Um verdadeiro exército de lobistas circula em Hollywood sondando quais são as chances da produção, além de  tentar descobrir as melhores maneiras de promover o filme.

Em meio a todo esse processo, é importante ficar ligado em algumas datas chaves. Em dezembro sai a lista com uma pré seleção de 9 filmes que deverão ser avaliados pelos jurados.

No dia 22 janeiro, sai a lista final com os cinco filmes indicados ao Oscar. Caso o Brasil chegue até este ponto, aí sim, o filme terá chances reais de ganhar o Oscar e Cacá Diegues será convidado para participar da cerimônia de entrega em Hollywood, no dia 24 de fevereiro.

Mesmo que o filme não seja indicado ao Oscar, a escolha feita pela Academia Brasileira de Cinema é uma baita ajuda de divulgação. "O Grande Circo Místico" entrará em cartaz nos cinemas no dia 15 de novembro e, por ser uma coprodução da Globo Filmes, certamente será exibido em seus canais por assinatura e também na Globo.