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"Oscar não é único juiz da qualidade dos nossos filmes", diz Cacá Diegues

Cacá Diegues apresentou "O Grande Circo Místico" em Cannes, em maio - Emma McIntyre/Getty Images
Cacá Diegues apresentou "O Grande Circo Místico" em Cannes, em maio Imagem: Emma McIntyre/Getty Images

Osmar Portilho

Colaboração para o UOL

11/09/2018 18h56

As últimas semanas foram agitadas para Cacá Diegues. No último dia 30 de agosto, o cineasta foi eleito imortal na Academia Brasileira de Letras. Nesta terça-feira (11), recebeu mais uma notícia: "O Grande Circo Místico" foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para disputar uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Em conversa por telefone com o UOL, o diretor celebrou não só a escolha, mas todo o momento do cinema brasileiro.

"Recebi a notícia com muita alegria e muita felicidade. Para mim é uma honra. É um dos melhores momentos da história do cinema. O cinema brasileiro está cheio de diversidade e não é mais um gênero como no passado", afirmou Cacá. "Antigamente você abria o jornal e tava lá 'comédia brasileira', 'drama nacional'. Hoje não tem mais isso. O cinema nacional comporta diversidade e tem muitos jovens talentos". Ele entende a escolha de "Circo" como uma afirmação do segmento.

Prova deste fôlego da nova geração é o número de títulos que disputavam a oportunidade com "O Grande Circo Místico": 22. "Dos 22 filmes eu vi pelo menos metade e posso dizer que são tão bons quanto e mereciam estar no Oscar".

Depois de ficar 12 anos longe da direção de longas, Diegues adapta o poema homônimo do conterrâneo Jorge de Lima (1893-1953) para mostrar a história de uma companhia circense em tom de fantasia lírica. "'O Grande Circo Místico' é um retrato do mundo contemporâneo de uma maneira poética. Não é mais do que isso. Não quero provar nada. Só quero registrar alguma coisa que está acontecendo".

Este é o sétimo filme de Cacá Diegues escolhido para representar o Brasil no Oscar. O cineasta celebra a importância da premiação e sua repercussão, mas lembra que a disputa pela estatueta dourada não deve servir como único indicativo de uma boa obra.

"O Grande Circo Místico", de Cacá Diegues, foi selecionado para disputar uma indicação ao Oscar - Pascal Le Segretain/Getty Images - Pascal Le Segretain/Getty Images
"O Grande Circo Místico", de Cacá Diegues, foi selecionado para disputar uma indicação ao Oscar
Imagem: Pascal Le Segretain/Getty Images

"Nem Cannes e nem Oscar podem ser juízes sobre a qualidade dos nossos filmes. Acho que terá uma repercussão entre o público muito boa. Isso que é o importante para mim", afirmou. "Não é porque ganhou o Oscar que quer dizer que é o melhor do mundo. De qualquer maneira, ele repercute, expõe o cinema brasileiro no mundo inteiro", completou.

Um novo cinema novo

Mesmo que os números da crise impactem negativamente também as produções nacionais, Cacá acredita que há mais motivos para comemorar do que lamentar. "O cinema brasileiro não está indo bem do ponto de vista econômico porque o Brasil não está bem. A desgraça econômica não é só do cinema. Do ponto de vista de sua qualidade e novidades, estamos indo muito bem", disse.

E justamente sendo um dos nomes que ajudou a construir e moldar o cinema novo nos anos 1960 e 1970, Cacá Diegues, aos 78 anos, enche a voz de alegria para falar da efervescência dos novos cineastas. "Nós estamos construindo um cinema novo e diferente. Eu fico empolgado. Isso é importante demais", disse.

Novo membro da ABL e com seu filme mais recente selecionado para disputar uma indicação ao Oscar, o cineasta gargalha ao ser questionado sobre qual deve ser a próxima boa notícia: "Vamos esperar".