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Burt Reynolds, astro de "Boogie Nights" e "Amargo Pesadelo", morre aos 82 anos

O ator Burt Reynolds em foto de 2008 - Frazer Harrison/Getty Images
O ator Burt Reynolds em foto de 2008 Imagem: Frazer Harrison/Getty Images

Caio Coletti e Osmar Portilho

Colaboração para o UOL

06/09/2018 15h50

O ator Burt Reynolds, famoso por filmes como "Amargo Pesadelo" e "Boogie Nights: Prazer Sem Limites", morreu nesta quinta-feira (6), aos 82 anos, informou o site "The Hollywood Reporter". O empresário do ator, Erik Kritzer, confirmou a morte de Reynolds no hospital Jupiter Medical, na Flórida. De acordo com o site US Weekly, o ator, que já havia passado por uma cirurgia no coração em 2010, sofreu uma parada cardíaca.

Uma das figuras mais marcantes de Hollywood, Reynolds recebeu uma indicação ao Oscar pela performance como o diretor de filmes pornográficos Jack Horner em "Boogie Nights", do premiado diretor Paul Thomas Anderson.

Carismático, Reynolds se tornou um dos astros de ação e comédia mais requisitados nos anos 70 e 80, brilhando em filmes como "Encontros e Desencontros" (em que fez par com Jill Clayburgh), "A Melhor Casa Suspeita do Texas" (com Dolly Parton) e "Meus Problemas com as Mulheres" (com Julie Andrews).

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Curiosamente, Reynolds preferia suas performances em filmes como estes, divertidos, do que no próprio "Boogie Nights". Ele demitiu o seu agente quando viu pela primeira vez o longa de Paul Thomas Anderson, e seu desgosto pelo filme só foi amenizado pela vitória no Globo de Ouro e a indicação ao Oscar.

"Eu não me abri para novos roteiristas e papéis complicados porque não estava interessado em me desafiar como ator, estava interessado em me divertir", comentou Reynolds em sua autobiografia, "But Enough About Me", lançada em 2015. "Como resultado, perdi muitas oportunidades de mostrar que sabia interpretar personagens sérios. Quando finalmente acordei e tentei acertar, ninguém queria me dar uma chance".

Como ele mesmo admitia, a carreira de Reynolds foi marcada também pelos papéis icônicos que ele recusou. Ele não quis ser Han Solo em "Star Wars" (papel eternizado por Harrison Ford), nem John McClane em "Duro de Matar" (que fez de Bruce Willis um astro), e também recusou o papel que renderia a Jack Nicholson o Oscar em "Laços de Ternura".

Em maio, o ator havia sido anunciado no elenco de "Era Uma Vez em Hollywood", dirigido por Quentin Tarantino. Também segundo o The Hollywood Reporter, Burt não chegou a gravar nenhuma cena para o longa.

Ascensão

Reynolds estreou na atuação ainda nos anos 50, em pequenos papéis em séries como "Flight" e "M Squad". Seu grande momento veio quando conseguiu o papel de Quint na popular série de faroeste "Gunsmoke", onde ficou por 50 episódios, entre 1962 e 1965.

A transição para o cinema foi selada com um filme "sério", "Amargo Pesadelo". Lançado em 1972, o longa de John Boorman trazia Reynolds como Lewis Madlock, um dos quatro rapazes que resolvem passar um fim de semana na floresta. O filme é infame até hoje pela brutal cena de estupro de um dos protagonistas.

"Se eu pudesse colocar só um dos meus filmes em uma cápsula do tempo, seria 'Amargo Pesadelo'", escreveu Reynolds na sua biografia. "Eu não sei se é a minha melhor atuação, mas é o melhor filme em que eu já estive. Provou que eu sabia atuar, não só para o público como para mim".

Três meses depois do lançamento do filme, Reynolds posou nu para uma famosa foto publicada na revista "Cosmopolitan". A edição vendeu mais de 1,5 milhões de cópias. Apesar do sucesso, o ator confessaria nas décadas seguintes que considerava o ensaio de nudez "um dos maiores erros de sua vida".

Burt Reynolds em sua icônica foto sem roupa - Reprodução - Reprodução
Ensaio de Reynolds na publicação foi sucesso, mas ele confessou que se sentiu envergonhado
Imagem: Reprodução

Pouco depois de "Amargo Pesadelo", Reynolds usaria sua experiência como jogador de futebol americano na universidade para atuar na comédia "Golpe Baixo" (1974), como um presidiário que lidera um time de colegas em um jogo contra os guardas. Adam Sandler estrelou um remake da comédia em 2005.

"Agarra-me se Puderes" foi o filme cimentou o seu sucesso como astro de blockbusters. Lançado no mesmo ano do "Star Wars" original, o longa sobre um homem transportando um carregamento de bebida do Texas até Atlanta teve a segunda melhor bilheteria de 1977, e foi citado por Alfred Hitchcock como o seu filme preferido de todos os tempos.

O filme rendeu duas sequências, "Desta Vez te Agarro" (1980) e "Agora Você não Escapa" (1983). Reynolds criaria outra franquia ao lado diretor Hal Needham ao estrelar o filme de corrida "Quem Não Corre, Voa" em 1981 - a continuação viria em 1984, com "Um Rally Muito Louco".

Romances e últimos anos

Reynolds teve romances com diversas celebridades, incluindo a atriz Sally Field (que atuou com ele em "Agarra-me Se Puderes"), Dinah Shore (20 anos mais velha do que ele) e a atriz britânica Judy Carnes, com quem foi casado entre 1963 e 1966. Seu segundo casamento, com Loni Anderson, durou entre 1988 e 1993.

Após diversos fracassos no cinema, ele rejuvenesceu sua carreira ao estrelar "Evening Shade", série que durou 1990 e 1994 na emissora norte-americana ABC. Reynolds venceu um Emmy em 1991 pela performance como um ex-jogador de futebol americano que retorna para a sua cidade natal para treinar um time de ensino médio.

Após o sucesso em "Boogie Nights", Reynolds ainda apareceria em filmes como "Alta Velocidade" (2001), "Totalmente Sem Rumo" (2004), "Os Gatões: Uma Nova Balada" (2005) e "Em Nome do Rei" (2007).

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