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Vaqueiro pós-graduado, Mano Walter faz sucesso com músicas sobre vida na roça

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

04/09/2018 04h00

No início dos anos 2000, dois forrozeiros dominavam as rádios do Nordeste: Wesley Safadão e Mano Walter. Se há três anos foi Safadão quem ganhou o Brasil, agora, em 2018, com apenas três álbuns lançados, é a vez de Mano Walter.

E os números são impressionantes. O artista já tem 244 milhões de visualizações de “Não Deixo Não” no YouTube e está desde o início do ano, quase ininterruptamente, nas listas dos mais tocados nos serviços de streaming. Mas, a consolidação definitiva de que ele conquistou o Brasil só vai acontecer mesmo no dia 10 de outubro, quando Mano Walter fará um show ao vivo para gravar seu novo DVD, no Credicard Hall, em São Paulo.

Mano Walter cavalo - Instagram/Reprodução - Instagram/Reprodução
Imagem: Instagram/Reprodução

Aos 32 anos, Mano Walter, que é alagoano da cidade de Quebrangulo, contou ao UOL que preferiu se consolidar no Nordeste antes de se aventurar no restante do Brasil. “Fui acertando as canções e estou construindo uma carreira sólida”, disse. Neste ano, por exemplo, ele fez uma média de 28 shows por mês e seu novo hit, “Juramento do Dedinho”, com quatro meses de lançado, já está com 96 milhões visualizações. Na televisão, participou do “Conversa com Bial”, “Encontro com Fátima Bernardes”, “Caldeirão do Huck” e “Hora do Faro”.

Mas, nem sempre foi assim. Filho de vaqueiro, Mano Walter trabalhou com o pai na roça, onde laçava os bois e tirava leite das vacas. O interesse pela música surgiu quando ele deixou sua cidade para estudar. Mudou-se para a capital Maceió, onde formou-se em engenharia agrícola e pós-graduou-se em segurança do trabalho. “Mas nunca exerci a profissão”, afirma. "Sempre fui apaixonado por música".

Conquista de Barretos

Neste ano, Mano Walter foi o único forrozeiro a se apresentar no palco principal da Festa de Peão de Barretos. No ano passado, o artista já tinha tocado no evento, porém em um palco menor. “É uma festa que eu me identifico. Levei meu pai, minha mãe e meu irmão. Eu amo cavalos. Depois do show, eu caminhei no meio do povo, fui olhar bota, cinto chapéu e ver os animais”, disse.

Embora Mano Walter seja frequentemente comparado com Wesley Safadão, ele descarta comparações ou rivalidades. “O Safadão é uma referência para todo forrozeiro. Sempre me encontro com ele. Gostamos de conversar sobre cavalos. Foi ele que deu o pontapé inicial para que o forró entrasse nesse meio sertanejo”, disse.

Mas a grande inspiração de Mano Walter é o cantor Leonardo. “Ele cresceu plantando tomate, assim como o meu pai. Ele é um artista espontâneo e muito amado”, diz ele, que nunca cantou com o sertanejo. “Seria a melhor participação da minha vida. Se eu pudesse escolher entre ressuscitar o Michael Jackson para cantar comigo ou cantar com o Leonardo, eu escolheria o Leonardo”.

Vaquejada

Mano Walter é também defensor da vaquejada, o polêmico esporte praticado no Nordeste em que um peão tem que derrubar um boi puxando-o pelo rabo. O esporte enfrenta oposição por ser cruel contra os animais.

“Na verdade, quem critica a vaquejada é porque não conhece. Ele é o único esporte genuinamente brasileiro e gera 800 mil empregos”, defendeu. “Há uma preocupação muito grande com o bem-estar do animal. Atualmente, o colchão de areia é maior para amortecer a queda do animal e o bicho corre com rabo artificial. É feito ainda raio-x nos animais e se eles tiverem alguma fratura, o vaqueiro é desclassificado”, completou.

A veemente defesa da vaquejada vai ao encontro com a vida de Mano, que cresceu na roça transportando a boiada no estradão e produzindo queijo e gado. “Cresci na vacaria com meu pai. Está no meu sangue. Sempre fui vaqueiro e agora sou cantor”.