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James Gunn fala sobre demissão de "Guardiões 3": "Eu entendo e aceito"

O diretor James Gunn - Jordan Strauss/Invision/AP,
O diretor James Gunn Imagem: Jordan Strauss/Invision/AP,

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

20/07/2018 18h17

O cineasta James Gunn falou que "entende e aceita" a decisão da Disney de demiti-lo da direção de "Guardiões da Galáxia Vol. 3" após comentários polêmicos no Twitter.

"Meus comentários de quase uma década atrás, na época, falharam na intenção de provocar. Eu me arrependi deles por muitos anos --não apenas por serem estúpidos, sem graça, insensíveis e certamente não tão provocativos quanto imaginei, mas porque não refletem a pessoa que sou hoje e tenho sido por um bom tempo", disse Gunn em comunicado divulgado pelo site The Wrap.

"Apesar de tanto tempo já ter passado, eu entendo e aceito as decisões tomadas hoje. Ainda após tantos anos, eu tenho total responsabilidade pelo jeito com o qual me conduzi. Tudo o que posso fazer agora, além de oferecer minhas sinceras desculpas, é ser o melhor ser humano possível: aceitar, entender, me comprometer com a igualdade e ser muito mais cuidadoso com minhas opiniões públicas. Para todos dentro da minha indústria e além, novamente peço minhas sinceras desculpas", continuou o diretor responsável pelos filmes "Guardiões da Galáxia" (2014) e "Guardiões da Galáxia Vol. 2".

Com toda a movimentação nos bastidores da Marvel, James Gunn não vai mais aparecer no painel da Sony Pictures programado para esta sexta-feira (20) durante a San Diego Comic-Con. Mesmo que a aparição do cineasta não tenha sido confirmada anteriormente pelo estúdio, ele mesmo havia dado a entender em um post publicado em suas redes sociais de que participaria do evento, que vai mostrar mais detalhes de "Venom" e "Homem Aranha no Aranhaverso"

Pôster de "Guardiões da Galáxia Vol. 2", de James Gunn - Reprodução - Reprodução
Pôster de "Guardiões da Galáxia Vol. 2", de James Gunn
Imagem: Reprodução

Entenda o caso

A Disney demitiu o diretor nesta sexta-feira (20), depois que comentários antigos que ele fez envolvendo temas sobre pedofilia e estupro foram resgatados nas redes sociais. Os comentários voltaram a circular na internet recentemente após serem descobertos em um antigo website, agora desativado. Eles foram divulgados no Twitter por apoiadores do presidente norte-americano Donald Trump em uma tentativa de provar que existe uma "conspiração operando em Hollywood". Gunn é um crítico ferrenho do atual comandante da Casa Branca.

O jornalista Jack Posobiec compartilhou nas redes sociais alguns dos comentários polêmicos do cineasta: "Eu gosto quando meninos tocam nas minhas partes baixas"; "Estou adaptando 'The Giving Tree' com um final feliz, quando árvore cresce de novo e faz sexo oral na criança"; "O chuveiro deste hotel é o mais fraco da história, parece que uma criança de 3 anos está urinando na minha cabeça"; "Mary Matthews me contou uma história em que um macaco masturbou uma criança no filme 'As Aventuras de Max Keeble'".

Gunn era um dos principais nomes do Universo Cinematográfico da Marvel. Ele pegou heróis pouco conhecidos da editora, como Senhor das Estrelas, Gamora e Groot, e os transformou em uma franquia bilionária. "Guardiões da Galáxia" estreou no cinema em 2014 e arrecadou mais de US$ 773 milhões. Gunn voltou para a cadeira de direção na sequência, lançada em 2017, que foi ainda melhor nas bilheterias: US$ 863 milhões.

O diretor já estava trabalhando em "Guardiões da Galáxia Vol. 3", inclusive com rumores de que Mark Hamill, o Luke Skywalker da saga "Star Wars", tivesse uma participação especial no projeto. A dupla chegou a se encontrar na casa do cineasta.

"Guardiões da Galáxia Vol. 3" tem estreia prevista nos cinemas para 2020.