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Criador de "13 Reasons Why" defende cena de estupro polêmica

Beth Dubber/Netflix
Tyler (Devin Druid) em cena de "13 Reasons Why" Imagem: Beth Dubber/Netflix

Do UOL, em São Paulo

22/05/2018 10h45

Atenção: O texto abaixo contém spoilers do último episódio da segunda temporada de “13 Reasons Why”. Não leia se não quiser saber o que acontece.

A segunda temporada de “13 Reasons Why” estreou na última sexta-feira (18) levantando uma nova controvérsia por conta de uma cena de estupro exibida em seu episódio final.

Na cena em questão, o estudante Tyler é atacado por Montgmomery e mais dois jogadores de futebol no banheiro da escola. Os garotos o seguram com a cabeça em um vaso sanitário enquanto o estupram com o cabo de um esfregão, que surge ensanguentado. Tyler é deixado ferido no chão, e mais tarde aparece armado no baile da escola, com a intenção de atirar contra seus algozes.

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A cena provocou fortes reações nas redes sociais, com espectadores clamando pelo cancelamento da série. Ao site Vulture, o criador Brian Yorkey respondeu à polêmica e defendeu a cena, alegando que a incluiu após pesquisar sobre violência sexual contra garotos no ambiente escolar.

“Nós estamos comprometidos a contar histórias verdadeiras sobre coisas que os jovens passam da maneira mais corajosa que pudermos”, disse o roteirista e produtor, em seguida citando os alertas de conteúdo que a Netflix adicionou à série. “Nós compreendemos que isso significa que algumas das cenas da série serão difíceis de assistir. Acho que a Netflix ajudou a fornecer aos espectadores vários recursos para entender que essa pode não ser uma série para todo mundo, e também recursos para aqueles que assistam e precisem de ajuda”.

“Mas o fato é que, por mais intensa que a cena seja, ou por mais fortes que as reações sejam, não chega nem perto da dor vivenciada pelas pessoas que realmente passam por essas coisas”, continua Yorkey. “Quando dizemos que algo é ‘nojento’ ou ‘difícil de assistir’, isso frequentemente quer dizer que estamos associando vergonha à experiência. Nós preferiríamos não sermos confrontados com isso, preferiríamos que isso ficasse longe das nossas consciências. É por isso que esse tipo de agressão é subnotificado. É por isso que é difícil para as vítimas buscarem ajuda. Nós acreditamos que falar sobre isso é muito melhor do que o silêncio”.

Yorkey ainda notou que a primeira temporada também trazia duas cenas de estupro – no caso, porém, as vítimas eram mulheres. “A cena muito, muito intensa do suicídio de Hannah parece ter ofuscado o fato de que Hannah e outra garota foram violentamente estupradas na primeira temporada. Se há uma reação mais forte a essa cena [de Tyler], sendo difícil de assistir, nojenta ou inapropriada, então chega-se ao ponto em que temos de falar que cosias assim acontecem. O fato de que isso seja de certa [considerado] mais nojento do que o que aconteceu com Hannah e Jessica... estou chocado, mas não surpreso”.

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