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Nova rainha? Inspirada em Claudia Raia, Fabi Bang chega a seu 13º musical

João Caldas/Divulgação
Fabi Bang é Ariel em "A Pequena Sereia", musical com a grife Disney que está em cartaz em SP Imagem: João Caldas/Divulgação

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

05/04/2018 04h00

Não estranhe se por baixo da peruca ruiva você reconhecer um rosto familiar quando for assistir ao musical "A Pequena Sereia" em São Paulo. É Fabi Bang, uma das atrizes mais requisitadas para os grandes espetáculos da Broadway que passaram pelo Brasil nos últimos anos.

Na pele da protagonista Ariel, a atriz de 33 anos chega ao seu 13º musical. O segredo para tantos papeis é --além da combinação de talentos de atuação, canto e balé clássico--, a inspiração em outra grande musa dos musicais: a atriz Claudia Raia.

"Sou muito apaixonada pelo o que faço e descobri essa possibilidade vendo a Claudia. Não é uma história bonitinha para eu contar na minha biografia. Isso de fato aconteceu. Eu era uma criança espectadora e me encantei por aquilo que estava diante de mim", relembra a atriz sobre "Não Fuja da Raia", uma das primeiras montagens que despertaram a curiosidade dela para o ofício. Fabi diz ter assistido oito vezes ao espetáculo que ficou seis anos em cartaz no Rio de Janeiro nos anos 90 e ganhou até versão para a TV.

O primeiro encontro com Claudia Raia ficou marcado pelo deslumbre, lembra Fabi. "Claudia, que honra te conhecer. Quando eu era criança falava para a minha mãe que quando crescesse seria igual a você. E hoje eu sou", disse Fabi espontaneamente para a atriz ícone do teatro musical. A resposta de Claudia? "Você é maravilhosa então, porque eu sou maravilhosa."

O diálogo é relembrado com humor a cada encontro das atrizes. "Foi muita ingenuidade a minha, mas foi engraçado. Ela sempre se lembra da história. De uma menina de um metro e meio que vira e fala: 'Eu sou igual a você'", conta Fabi aos risos. Vale lembrar que Claudia Raia tem 1,80 metros.

Consagração em "Wicked"

Reprodução/Facebook
Fabi Bang como Glinda, papel que a consagrou no musical "Wicked", em 2016 Imagem: Reprodução/Facebook

Mas Fabi não estava errada. Apenas consciente de seu talento que ganhou fôlego ano a ano. A estreia dela nos musicais aconteceu em 2005 em "O Fantasma da Ópera". No espetáculo da Broadway que ficou quase dois anos em cartaz em São Paulo, a atriz fazia parte do "swing", um grupo de atores que substitui os papeis secundários (o "ensemble") sempre que necessário. Para isso, precisam saber de cor todos os personagens.

Doze musicais vieram depois. "Miss Saigon" (2007), "A Bela e a Fera" (2009), "Cats" (2010), "Evita" (2011), "Cabaret" (2011), "Priscilla" (2012), "A Família Addams" (2013), "O Homem De La Mancha" (2014), "Kiss Me Kate" (2015), "Wicked" (2016), "Garota de Ipanema, O Musical da Bossa Nova" (2017) e "A Pequena Sereia" (2018).

Nascida no Rio de Janeiro, ela recorda de pedir para a mãe trazê-la a São Paulo para acompanhar as principais montagens, que muitas vezes não chegavam à sua cidade natal. "Aqui em São Paulo o mercado era mais aquecido para isso. Lá no Rio não tinha tanta coisa, mais musicais infantis."

Sua consagração veio com "Wicked", em 2016. O papel de Glinda rendeu o prêmio Bibi Ferreira de melhor atriz para Fabi Bang. A amizade com a atriz Myra Ruiz, que dividia o protagonismo com ela no musical na pele de Elphaba, ainda gerou um canal no YouTube e um show da dupla que rodou o país. No mesmo ano ela ainda se lançaria como cantora com o single "Ironias".

Televisão

Divulgação/TV Globo
Miro (Guilherme Logullo) e Nina (Fabi Bang) cantam em cena da novela "Rock Story", da Globo Imagem: Divulgação/TV Globo

A atuação em "Wicked" também chamou a atenção do diretor Dennis Carvalho, e Fabi ganhou seu primeiro papel em uma novela. A estreia na televisão aconteceu em "Rock Story", da Globo. Na trama focada no mundo da música, ela estreou cantando ao lado de Guilherme Logullo. Eles formavam a dupla Miro & Nina.

"Nunca tinha feito TV, tive que transformar o que eu fazia para 3.000 pessoas para uma na tela. Você entra na casa da pessoa. No teatro não, a pessoa vem para te assistir. Na TV é você que entra na casa da pessoa, é muito intimista. O teatro é o oposto disso. É outra linguagem, outra forma de se comunicar. Foi um aprendizado."

Fabi diz estar aberta para novos trabalhos na televisão, mas admite que conciliar o trabalho nos palcos em São Paulo (ela ainda estava em cartaz com "Wicked") com as gravações no Rio de Janeiro foi bastante desafiador. "Foi insano. De manhã eu estava no Rio gravando, aí pegava a ponte aérea e estava à noite em São Paulo para o show. Compromete a saúde e a performance. Mas é muito gostoso também, não tenho medo de trabalho. Amo trabalhar e amo estafa de trabalho."

"A Pequena Sereia"

Francisco Cepeda/AgNews
Fabi Bang (Ariel) com Tiago Abravanel (Sebastião) e Rodrigo Negrini (Príncipe Eric): parceiros em "A Pequena Sereia" Imagem: Francisco Cepeda/AgNews

Assim como Claudia Raia, sua musa inspiradora, Fabi Bang pratica o balé clássico desde os três anos de idade. Ela chegou a se apresentar como bailarina profissional antes de se dedicar totalmente ao teatro. A prática ajudou no desafio de desenvolver os movimentos de sereia mesmo fora da água. Em boa parte das cenas do seu mais recente trabalho nos palcos, ela precisa reproduzir movimentos como se estivesse submersa.

"O tempo inteiro tenho que fazer movimentos sinuosos. Investi no fortalecimento de lombar e abdominal, pois um está diretamente relacionado ao outro, para conseguir passar a temporada bem saudável. Fiz também uma pesquisa individual de observação e consultei até mesmo vídeos no YouTube. Ser bailarina, claro, me ajudou muito", explica sobre a preparação para viver Ariel em "A Pequena Sereia".

O musical está em cartaz em São Paulo desde o dia 30. A responsabilidade da protagonista é grande. É a primeira vez que a Disney autoriza uma montagem no Brasil sem a obrigação de ser uma réplica da americana.

Em "A Pequena Sereia", Fabi Bang tem a companhia de outro fenômeno recente dos musicais, o ator Tiago Abravanel. Ele, que se destacou no papel de Tim Maia e, vive o caranguejo e companheiro inseparável de Ariel Sebastião no novo musical. E assim a Broadway paulistana ganha cada vez mais força.

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