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"The Americans" é a série que você precisa ver antes que acabe

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Philip (Matthew Rhys) e Elizabeth Jennings (Keri Russell) em cena de "The Americans" Imagem: Reprodução

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

04/04/2018 12h53

Em plena Era de Ouro da TV americana, com mais de 400 séries sendo produzidas a cada ano, é inevitável que algumas excelentes produções acabem escapando dos olhos do público e da mídia especializada. Uma das maiores vítimas dessa injustiça – se não a maior – é “The Americans”, sobre um casal de espiões russos que vivem como cidadãos exemplares na terra do Tio Sam durante a Guerra Fria.

A série – que por aqui vai ao ar no Fox  Premium 2, às quartas-feiras – acaba de estrear sua sexta e última temporada. E ela merece ser vista antes de dar o seu adeus definitivo: com um elenco de primeira e uma história envolvente, é uma das melhores séries no ar hoje em dia -- e um alento em tempos de polarização ideológica.

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Criada por Joe Wesiberg, um ex-oficial da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, “The Americans” mergulha na família nada comum de Elizabeth (Keri Russell) e Philip (Matthew Rhys) Jennings. Unidos em um casamento arranjado pela KGB, eles foram incumbidos de realizar missões em solo estadunidense enquanto aparentam ser como qualquer outro casal: eles têm dois filhos, Paige e Henry, e administram uma pequena agência de viagens. E, como qualquer outra família dos subúrbios, eles têm uma convivência próxima com os vizinhos. No caso deles, Stan (Noah Emmerich), um agente do FBI.

Divulgação
Espiões russos também têm seus dramas Imagem: Divulgação

A tensão é uma constante da série. Usando de uma ampla variedade de disfarces, Philip e Elizabeth têm de cumprir tarefas que, embora não sejam mirabolantes como as de um filme de ação dos anos 1980, são apostas de alto risco que podem colocar abaixo a existência que ambos construíram a duras penas durante seu tempo a serviço da pátria-mãe. Elas dão o tom de thriller político da série ao lado das missões de Stan, que trabalha monitorando a atividade russa em solo americano.

É nos dramas dos personagens, no entanto, que está o brilho da série, na tradição já consagrada por “Mad Men” e “Breaking Bad”. Em seis temporadas, os Jennings passam da relação puramente profissional ao amor e à lealdade absoluta, mas sempre cercados por um conflito fundamental: Philip tem constantes crises sobre sua profissão e suas consequências, enquanto Elizabeth está completamente focada em fazer aquilo que é melhor para o seu país – mesmo que ela não pise nele há quase duas décadas.

Elevado pelo trabalho de Russell e Rhys, o roteiro da série explora essas nuances e mergulha cada vez mais na mente dos personagens e daqueles que o cercam. Conforme o tempo passa e as crianças crescem, o impacto físico e psicológico das missões cobra seu preço – e os dois vão acumulando culpas, ressentimentos e questionamentos, amplificados pelo fato de que os danos colaterais de seu trabalho são, invariavelmente, as outras pessoas com quem eles de alguma forma se envolveram para atingir seus objetivos.

“The Americans” também se destaca ao fugir da lógica binária que dominou o período da Guerra Fria e, em tempos de polarização política, parece ter voltado para ficar de vez, seja no Brasil ou nos Estados Unidos. No lugar de uma disputa entre capitalismo e comunismo, ou mocinhos e bandidos, a história mostra sutilmente que pessoas em lados opostos podem ter mais em comum do que se imagina, mesmo quando suas boas intenções estão em rota de colisão. As cenas que expõem a amizade de Phillip e Stan, donas de raros respiros de leveza da série, são as que mais evidenciam isso.

Na sexta e última temporada, que estreou no último dia 28, a produção deu um salto no tempo para chegar à 1987, época em a Guerra Fria arrefecia e a União Soviética começava um processo de reabertura liderado por Mikhail Gorbachev. As reformas, como já sabemos, provocaram uma mudança profunda no cenário global – um prato cheio para “The Americans” explorar com seus personagens.  UOL já assistiu aos três primeiros episódios da temporada e podemos garantir que a série continua no caminho certo. Vale a pena dar uma chance (e torcer para que ela seja reconhecida pelos eleitores do Emmy, o Oscar da TV americana, que só uma vez a indicaram para o prêmio de melhor série dramática).

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