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"Nunca fui reacionário, sexista e racista", diz Rubens Ewald sobre Oscar

Rubens Ewald Filho em 2016 durante a estreia do musical "Gota D"água a Seco" - Bruno Poletti/Folhapres
Rubens Ewald Filho em 2016 durante a estreia do musical "Gota D'água a Seco"
Imagem: Bruno Poletti/Folhapres

Do UOL, em São Paulo

08/03/2018 10h20

O crítico de cinema Rubens Ewald Filho, que comentou ao vivo na TNT a premiação do Oscar no último domingo (4), se pronunciou em uma nota justificando a repercussão negativa de alguns de seus comentários ditos durante a transmissão, com diversas pessoas o acusando de ser transfóbico, misógino e machista. Alguns internautas chegaram a pedir que o afastamento dele de futuras transmissões.

Quando a atriz transexual chilena Daniela Vega fez uma participação como apresentadora do Oscar, Rubens comentou disse: "essa moça, na verdade, é um rapaz". Em outro momento, quando Frances McDormand estava discursando sobre a sua vitória de melhor atriz em "Três Anúncios Para o Crime", o crítico falou: "eu acho interessante que essa senhora não é bonita, deu um show de bebedeira no Globo de Ouro e, de repente, o filme é um sucesso".

Sobre a repercussão, Rubens escreveu que o que foi dito em relação a atriz Daniela Veiga, foi "uma confusão minha de termos técnicos de expressão, mas nunca, em hipótese alguma, uma atitude sexista e transfóbica. Repito. Nunca agiria assim". O crítico elogiou também a vitória da atriz. "Estou muito feliz que uma transexual tenha protagonizado e estrelado um filme que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 90 anos de premiação isso nunca aconteceu".

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Na segunda-feira (5), a TNT divulgou um comunicado repudiando qualquer manifestação preconceituosa. "A TNT repudia toda ação e/ou" manifestação preconceituosa de qualquer natureza [...] Alinhado a esse propósito, a direção da TNT já conversou com o comentarista Rubens Ewald Filho para evitar que episódios como os comentários feitos durante a transmissão do Oscar no último domingo se repitam".

Leia na íntegra a declaração de Rubens Ewald Filho:

"Em 50 anos de carreira e 35 anos de Oscar nunca fui reacionário, sexista, racista ou tive qualquer outra conduta que censurasse a essência do ser humano. Ao contrário, sempre lutei a favor daquilo que é certo, do indivíduo, das minorias e da liberdade de expressão. O que aconteceu com relação a atriz Daniela Veiga, foi, no fundo, uma confusão minha de termos técnicos de expressão, mas nunca, em hipótese alguma, uma atitude sexista e transfóbica. Repito: Nunca. Nunca agiria assim.

Acharem que eu seja transfóbico não vai de encontro com minha postura e conduta. Quem me conhece sabe disso. Fui amigo de Phédra de Córdoba, uma famosa transexual atriz que atuava na companhia de Teatro Os Satyros. Acompanhei o seu trabalho muito de perto, a admirava, incentivava e me emocionava com sua atuação e talento no palco. Eu tinha uma paixão pela sua força e postura tanto como ser humano quanto como artista.

Estou muito feliz que uma transexual tenha protagonizado e estrelado um filme que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 90 anos de premiação isso nunca aconteceu. É um momento de glória, a primeira vez que a barreira foi rompida, a primeira de muitas que virão, para mostrar seus enormes talentos e força de interpretação, direção e qualquer outra forma de atuação tanto no cinema quanto na sociedade.

Que tudo isso que aconteceu sirva para se falar ainda mais sobre o assunto, para se promover ainda mais esta causa. Que pessoas leigas com os termos técnicos, e me coloco neste caso, aprimorem seu vocabulário nesse sentindo.

Fui, continuo sendo e sempre serei um incentivador da liberdade de expressão.

Parabéns à Daniela Veiga, à Phedra de Córdoba, a todos transexuais no Brasil e no mundo. Daniela Veiga é realmente uma mulher fantástica. Corram lá no cinema para apreciarem seu enorme talento".