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A personalidade de Carlos Heitor Cony em dez frases

Ricardo Borges/Folhapress
Carlos Heitor Cony em maio de 2017 Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

06/01/2018 14h12

Cronista ácido, Carlos Heitor Cony era conhecido por seu humor peculiar, ironia fina e visão cética da vida. O escritor, jornalista e colunista da "Folha de S.Paulo", que morreu na noite de sexta-feira (5) aos 91 anos, tratava de temas políticos e sua obra tinha como foco as relações humanas. E o modo como tratou esses temas deu ao autor a pecha de pessimista inveterado.

Sua personalidade única pode ser lembrada em algumas declarações durante suas nove décadas de vida:

"Não quero velório. Nem quero ir para o mausoléu da Academia. Serei cremado. Toda a liturgia da morte hoje é uma contrafação, fria, impessoal. Já conquistei o que queria. Só me restam o Nobel e a morte. Como o Nobel não virá..." em entrevista ao jornal "O Globo", em 2012

"Jamais comemorei meu aniversário. E, nas poucas vezes em que cantei parabéns, nunca disse o último verso: 'Muitos anos de vida'. Não desejo isso para ninguém" em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" em comemoração aos seus 90 anos de vida, em 2016

"Temos prisões, investigações e a constatação de que estamos cercados de ladrões. É um Natal triste. Os Estados Unidos e a Coreia do Norte poderão acabar com o mundo. É um Natal triste, não recebi o presente que julgava merecer" em sua penúltima coluna na "Folha de S.Paulo" publicada em 24 de dezembro de 2017

"Não tenho disciplina mental para ser de esquerda, nem firmeza monolítica para ser de direita. Tampouco me sinto confortável na imobilidade tática, muitas vezes oportunista, do centro" no discurso de posse na Academia Brasileira de Letras em 2000

"Sou um anarquista inofensivo" em entrevista ao jornal "O Globo", em 2012

"A política me diverte. O certo seria eu estar chorando, mas não tenho canais lacrimais suficientes para chorar a vida toda. Me divirto muito com a política brasileira porque é uma arrumação eterna, os personagens voltam, são recorrentes. Não há uma diretriz nacional" em entrevista ao programa "Roda Viva", em 1996

"Na literatura, eu expresso meu espanto. E no jornal, através da crônica, eu sou mais indignado" em entrevista à revista "Cult"

“Eu inventava muito” sobre o trabalho de jornalista em entrevista à Globo News, em 2015

"Na Academia, não temos futuro. Temos todos um passado, se é que temos, bom, brilhante ou medíocre, mas 90% dos que lá estão não têm mais nada para fazer na vida. O futuro é o mausoléu" em entrevista ao jornal "O Globo", em 2012

"Sou um péssimo leitor de literatura brasileira. Só fui ler literatura brasileira quando escrevi o meu primeiro livro. Eu nunca tinha lido Jorge Amado. Tinha lido Machado de Assis, Manuel Antônio de Almeida e Lima Barreto, que é minha trindade pessoal" em entrevista ao programa "Roda Viva", em 1996

Problemas de saúde

Cony estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, desde o dia 26 de dezembro devido a problemas no intestino e teve falência de múltiplos órgãos. A informação foi confirmada ao UOL pela ABL (Academia Brasileira de Letras). O local do velório e do enterro ainda não foram definidos.

Cronista ácido e de humor peculiar, Cony foi vencedor de três prêmios Jabuti e era o quinto ocupante da cadeira de número 3 da ABL desde 2000. Seu romance mais famoso, "Quase Memória", foi publicado em 1995 e vendeu mais de 400 mil exemplares.

Ainda que tocando em temas políticos, a obra de Cony tinha como foco, antes de mais nada, as relações humanas. E o modo como tratou esses temas deu ao autor a pecha de pessimista inveterado.

Em 2001 foi diagnosticado com um câncer linfático e, por causa da quimioterapia, ficou com dificuldade de locomoção, perdeu força nos braços e nas pernas. Em 2013, levou um tombo na Feira de Frankfurt, na Alemanha, e desde então já não se sentia tão bem: a queda fez um coágulo na cabeça e aumentou os cuidados com a saúde.

Cony era casado com Beatriz Latja e tinha três filhos: Regina, Verônica e André.

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