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"A Guerra dos Mundos" ganha edição de luxo com desenhos de brasileiro

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

01/07/2016 06h00

O auge da revolução industrial, no final do século 19, despertou nas pessoas da época um sentimento de modernidade sem precedentes que inspirou, entre outras coisas, uma guinada na literatura. O escritor britânico H.G. Wells foi um deles. Aos 32 anos, quando lançou o clássico “A Guerra dos Mundos”, em 1898, ele imaginou como o planeta Terra reagiria a uma invasão alienígena de uma raça muito superior.

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Capa da nova edição de "A Guerra dos Mundos" Imagem: Reprodução
Para celebrar os 150 anos de nascimento do escritor, o selo Suma de Letras lançou em junho uma edição de luxo da obra, com nova tradução de Thelma Médici Nóbrega, prefácio de Bráulio Tavares (um dos mais importantes escritores de ficção científica do Brasil) e introdução de Brian Aldiss. A nova edição preenche uma lacuna no mercado nacional, já que a última publicação do livro no Brasil é de 2007, pela editora Alfaguara.

Mas a cereja do bolo são as belas ilustrações do brasileiro Henrique Alvim Corrêa (1876-1910), publicadas originalmente em 1905 em uma edição de luxo belga com tiragem de apenas 500 exemplares. Na ocasião, H.G. Wells gostou tanto do resultado que usou os desenhos como ilustrações oficiais da obra em todas as publicações subsequentes. 

“Gosto muito das ilustrações do Corrêa, que foram elogiadas por Wells e deram origem a uma amizade entre o autor e o ilustrador”, disse Bráulio Tavares ao UOL. “Como o Corrêa vivia na Europa, era pouco conhecido em nosso país. Ainda hoje muitas pessoas se espantam ao saber que essas ilustrações, tão marcantes, são de um brasileiro”, completou.

O livro traz ainda um anexo com a transcrição da entrevista de Orson Welles e H.G. Wells em 1940, quando o britânico visitou os Estados Unidos. Nela, Wells elogiou a transmissão de rádio feita por Welles simulando uma invasão marciana, baseada no livro. Na ocasião, a transmissão causou pânico entre os moradores dos EUA porque eles acreditaram que a invasão era verdadeira.

“Acredito que, com a quantidade de pessoas apegadas às redes sociais de hoje, e com o número espantoso de boatos que circulam por elas e são acreditados, falta pouco para um ‘Orson Welles’ qualquer repetir essa façanha”, analisou Tavares.

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O escritor H.G. Wells em 1898 Imagem: Reprodução
O livro consolidou no imaginário popular como seria uma invasão alienígena. Mesmo 118 anos após o lançamento da primeira edição, ele continua inspirando novas histórias de invasão alienígena. É o caso, por exemplo, dos filmes “Independence Day” (1996) e “Independence Day: Ressurgimento”, em cartaz nos cinemas. Em ambos, os E.Ts dizimam as grandes cidades do mundo. Tal como no livro, os aliens são apresentados como seres repugnantes repletos de tentáculos. “O livro de Wells é um clássico, referência obrigatória”, afirmou Tavares.

O estilo narrativo de Wells ainda hoje é capaz de surpreender o leitor. O autor acreditava que uma ficção científica deveria ter apenas um efeito notável. Ou seja, era impensável para Wells que numa mesma narrativa o personagem principal pudesse ficar invisível, ter a capacidade de viajar no tempo e ainda testemunhar uma invasão alienígena. “Uma grande ideia é o bastante”, analisou Tavares no prefácio da obra.

Outra particularidade de "A Guerra dos Mundos" é a narração em primeira pessoa da invasão. Não tomamos conhecimentos do ataque alienígena em outros países - ou mesmo em outras cidades britânicas - porque a história é descrita pelo ponto de vista do personagem principal. Esta estrutura narrativa rendeu ao autor acusações de provincianismo, porém segundo Tavares, esta seria uma das principais qualidades de Wells. “Sua ligação era viva, emotiva e complexa com o lugar onde estava e as pessoas com quem convivia”, apontou Tavares.

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