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"Se reproduzíssemos o noticiário, Temer leria poesia na Flip", diz curador

O escritor norueguês Karl Ove Knausgard em 2014: Um dos nomes mais importantes da literatura mundial divide as atenções com a jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch, que ganhou o último Nobel de Literatura,  - EFE
O escritor norueguês Karl Ove Knausgard em 2014: Um dos nomes mais importantes da literatura mundial divide as atenções com a jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch, que ganhou o último Nobel de Literatura, Imagem: EFE

Rodrigo Casarin

Colaboração ao UOL, em São Paulo

03/05/2016 10h46

Sempre atenta aos assuntos mais importantes da atualidade, a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) não vai discutir a crise política em suas mesas neste ano. “A Flip dialoga com o noticiário, mas não estamos aqui para reproduzi-lo. Se fizéssemos isso, talvez pudéssemos chamar o Michel Temer para uma mesa de poesia", brincou o jornalista Paulo Werneck, curador do evento, que acontece entre os dias 29 de junho e 3 de julho.

"Começamos a montar essa Flip quando a anterior acabou e, naquele momento, não daria para saber o que estaria acontecendo em junho, julho deste ano. Aliás, nem agora dá para saber”, afirmou, durante o anúncio da programação do evento.

Mas quem precisa de Temer – que lançou seu livro de poesia, "Anônima Intimidade", em 2013 – se a Flip 2016 está repleta de grandes nomes da literatura?

Já anunciada anteriormente, a jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch, que ganhou o último Nobel de Literatura, terá uma mesa própria no dia 2 de julho, e irá dividir as atenções com o escritor norueguês Karl Ove Knausgard.

Autor da série autobiográfica "Minha Luta", em que investiga o próprio passado, Karl se baseia fortemente em sua memória, algo que está bastante em voga hoje: a chamada autoficção.

O escocês Irvine Welsh, autor do célebre “Trainspotting” -- que se tornou cult nos cinemas na adaptação dirigida por Danny Boyle e estrelada por Ewan McGregor – discutirá as drogas na literatura na mesa “Na Pior em Nova York e Edimbugo”, no dia 30, ao lado do americano Bill Clegg, autor de “Retrato de um Viciado Quando Jovem”.

O sírio Abud Said, escritor de “O Cara Mais Esperto do Facebook”, que vive asilado em Berlim, deverá ser o único a levar a política internacional para o debate, na mesa "Síria Mon Amour", no último dia do evento.

Sem Mano Brown

Sem nenhum autor negro na programação, Werneck disse que negociou durante meses com a cantora Elza Soares e o rapper Mano Brown, líder do Racionais MC's, mas sem sucesso. "Mano Brown na Flip, para mim, seria um acontecimento cultural. Não conseguimos este ano, mas quem sabe no ano que vem."

Uma boa notícia para o público é que o valor do ingresso será mantido em R$ 50 para a tenda dos autores. Assim como nas outras edições, as duas tendas com telões continuam sendo gratuitas.

Sarau de abertura

Além de ser a homenageada da Flip 2016, a poesia da carioca Ana Cristina Cesar marcará a abertura do evento. No lugar do tradicional show musical de abertura, a Flip fará um sarau a poeta que se suicidou em 1983, aos 31 anos.

Referência da poesia marginal dos anos 70, que driblava a censura da ditadura apostando em edições caseiras de seus escritos, Ana C., como ficou conhecida, foi escolhia pela Flip para dar “continuidade com a programação do festival, que vem ajudando a revelar ao público novas vozes na poesia brasileira”, disseram os organizadores.

É a segunda mulher homenageada pela Festa – a primeira foi Clarice Lispector, em 2005.

Confira a programação da Flip 2016:


Dia 29, quarta:

19h - sessão de abertura
Em tecnicolor
Armando Freitas Filho
Walter Carvalho

19h45
Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície
Walter Carvalho

21h45
Sarau


Dia 30, quinta

10h
A teus pés
Annita Costa Malufe
Laura Liuzzi
Marília Garcia

12h
Cidades refletidas
Francesco Careri
Lúcia Leitão

15h
Os olhos da rua
Caco Barcellos
Misha Glenny

17h45
Histórias Naturais
Álvaro Enrique
Marcílio França Castro

19h30
Matéria cinzenta
Henry Marsh
Suzana Herculano-Houzel

21h30
Na pior em Nova York e Edimburgo
Bill Clegg
Invine Weish
 

Dia 1º, sexta

10h
Breviário do Brasil
Benjamin Moser
Kenneth Maxwell

12h
A história da minha morte
J. P. Cuenca
Valeria Luiselli

15h
O show do eu
Christian Dunker
Paula Sibilia

17h45
Encontro com Karl Ove Knausgard

19h30
Mesa a confirmar

21h30
Sexografias
Habriela Wierner
Juliana Frank
 

Dia 2, sábado

10h
Encontro com Leonardo Froés

12h
De Clarice a Ana C.
Benjamin Moser
Heloisa Buarque de Holanda

15h
Encontro da arte com a ciência
Arthur Japin
Guto Lacaz

17h45
Encontro com Svetlana Aleksiévitch

19h30
O falcão e a fênix
Helen Macdonald
Maria Esther Maciel

21h30
O palco é a página
Kate Tempest
Ramon Nunes Mello


Dia 3, domingo

10h
Síria mon amour
Abud Sais
Patrícia Campos Mello

12h
Mixórdia de temáticas
Ricardo Araújo Pereira
Tati Bernardi

14h
Sessão de encerramento: luvas de pelica
Sérgio Alcides
Vilma Arêas

16h
Livro de cabeceira
Diversos autores
 

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