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Comparado a Calvin e Mafalda, autor de Armandinho atrai fãs na Comic Con

Reprodução
Tirinha do personagem Armandinho, criado pelo catarinense Alexandre Beck Imagem: Reprodução

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

06/12/2015 18h26

Com quase 800 mil curtidas no Facebook e sete livros lançados, o catarinense Alexandre Beck, 42, criador da tirinha "Armandinho", ficou surpreso com o interesse do público da Comic Con Experience (CCXP) em seu trabalho. "Geralmente meu público são professores e pais. Não estou acostumado com o mundo geek", contou, em entrevista ao UOL.

Para uma plateia de quase 100 pessoas, Alexandre contou a sua história e também falou sobre como criou o personagem --um garotinho que faz comentários improváveis para sua idade--, há cinco anos. "O nome dele foi escolhido com a ajuda dos leitores. Armandinho é porque ele está sempre 'armando' alguma coisa", explicou.

Formado em agronomia, Beck é  casado com uma psicóloga e pai de dois adolescentes, um jovem de 19 anos, e uma menina de 12. Antes de virar ilustrador, ele plantou e vendeu morangos na beira da estrada. "O meio ambiente sempre me interessou. Meus morangos não tinham agrotóxico e lembro que naquela época, em 1994, as pessoas não se interessam por isso", conta.

"Só fui virar ilustrador quando decidi fazer uma nova faculdade, de publicidade, e percebi que o desenho poderia ser um meio de vida". O ilustrador, no entanto, desistiu da publicidade porque percebeu algo que lhe dava "nó no estômago". "A publicidade é usada para convencer as pessoas a comprar coisas que elas não precisam. Para isso, você tem que apelar para a vaidade e o egoísmo de cada um".

Embora seu personagem seja comparado a Mafalda e Calvin, devido ao jeito contestador, Beck revela que a inspiração vem da família e dos amigos. "Quando eu criei o Armandinho, eu não conhecia a Mafalda, só o Calvin”.

O personagem também nasceu sem planejamento, quando o jornal "Diário Catarinense" fez a ele uma encomenda de quadrinhos. "Meu prazo era curto, então, pela falta de tempo, eu desenhei só o Armandinho, e os pais dele eu fiz só as pernas. Então, você nunca vê o rosto deles".

Beck contou que o tom politizado do personagem vem da sua vida pessoal, quando foi presidente do Diretório de Estudantes de sua faculdade.

Foi por isso, por exemplo, que a ocupação das escolas pelos alunos de São Paulo não passou despercebida para ele. Em uma tirinha, Armandinho vê televisão e comenta: "A 'desculpa oficial' a gente já sabe, mas existem outros motivo para fecharem escolas, com seus terrenos amplos e bem localizados?".

Antes do painel, Beck circulou pela fila de pessoas que aguardavam para assisti-lo e parava para conversar com alguns. "Você está aqui para ver o Armandinho?", perguntou a um deles. "Pois eu sou o autor", emendou. Após o painel na CCXP, diversos fãs cercaram o autor com livros na mão, pedindo por autógrafo e fotos. "Pessoal, eu não estou acostumado com isso", brincou.

O próximo passo, segundo ele, é lançar um filme ou desenho animado do Armandinho. "Já recebi convites. Mas estou pensando ainda. O que gosto do Armandinho é que as pessoas podem usar a imaginação. Ninguém sabe o som da voz dele. Eu fico imaginando como ela seria. E o público também. Acho importante deixar espaço para imaginação", finalizou.

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