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Roberto Saviano aparece na Flip em vídeo e fala das drogas no Brasil

Rodrigo Casarin

Do UOL, em Paraty (RJ)

05/07/2015 18h38

"Aconteceu aquilo que sempre acontece na minha vida. Ficou difícil de organizar uma viagem para o outro lado do Atlântico". Foi o que disse o jornalista italiano Roberto Saviano em um vídeo com mais de 12 minutos feito para a Flip, festa da qual era uma das principais atrações, mas que desistiu de participar alegando falta de segurança.

No vídeo também falou do Brasil como um importante centro do tráfico internacional de drogas, da estrutura das máfias brasileiras e de como um conceito romântico sobre essas organizações já se acabou, além das ligações que há entre o narcotráfico, a política e a economia.  Lembrou também de Tim Lopes por ter perdido sua vida na tentativa de revelar o funcionamento das grandes facções criminosas. "Nunca tive a pretensão de mudar nada", declarou sobre seu trabalho, antes de deixar em aberto a possibilidade de participar de outras edições da Flip.

A fala foi exibida neste domingo (5), na mesa que tradicionalmente marca o fim do evento, na qual alguns escritores que participaram de outras conversas da programação fazem a leitura de um trecho de seus "livros de cabeceira". Autora que mais surpreendeu o público nesta edição da festa, a poetisa portuguesa Matilde Campilho, por exemplo, deu voz a um excerto de “Textos Para Nada”, de Samuel Beckett.

A história de sangue de Paraty

Já o queniano Ngugi wa Thiong'o escolheu um pedaço de "In The Castle of My Skin", de George Lamming, livro sobre a escravidão. "Apesar da beleza, como africano preciso ver Paraty com uma consciência dupla. Paraty foi construída com uma história de sangue, sangue dos africanos que foram trazidos para cá e escravizados, usados para construir muitas cidades brasileiras e da América. Mas às vezes parece muito fácil esquecer disso", falou o escritor antes de sua leitura.

Também participaram da mesa Ayelet Waldman (que leu "Um Quarto Só Para Si", de Virginia Woolf), Colm Tóibín (que leu "Os Mortos", conto de "Dublinenses", de James Joyce), Diego Vecchio (“Bouvard e Pécuchet, de Gustave Flaubert), Carlos Augusto Calil ("O Poeta Come Amendoim", poema presente em "Clã do Jabuti", de Mário de Andrade), Marcelino Freire ("O Sangue Negro", de Noêmia Souza) e Richard Flanagan ("A Terceira Margem do Rio", de Guimarães Rosa).

Antes das leituras começarem, Paulo Werneck, curador da Flip, contou que as mesas do evento tiveram mais de 120 mil visualizações pela internet.

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