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Ferreira Gullar toma posse na ABL e agradece a José Sarney

Erbs Jr./Folhapress
09.out.2014 - Alberto Venâncio Filho, Domício Proença Filho, Antônio Carlos Secchin e Zuenir Ventura cumprimentam Ferreira Gullar (primeiro da esq para dir), que foi eleito imortal na ABL (Academia Brasileira de Letras), no Rio Imagem: Erbs Jr./Folhapress

Claudia Dias

Do UOL, no Rio

05/12/2014 21h56

Aplaudido de pé por seus pares, familiares e amigos, Ferreira Gullar entrou no Salão Petit Trianon, da Academia Brasileira de Letras, precisamente às 21h, dando início à cerimônia de sua posse na cadeira de n 37, que foi anteriormente ocupada pelo também poeta Ivan Junqueira, falecido em julho deste ano. A cerimônia contou com a presença de Claudia Ahimsa e Luciana Aragão Ferreira Gullar, esposa e filha do poeta, além da viúva de Ivan Junqueira, Cecília Costa Junqueira e personalidades como o senador paulista José Serra, o acadêmico recém-eleito Zuenir Ventura, o escritor Ziraldo e a atriz Fernanda Montenegro, entre outros.

“É uma emoção imensa. Nós, que sabemos o percurso dele desde a infância. O filho de um verdureiro em São Luis do Maranhão, que passou por tudo o que ele passou, vindo para o Rio de Janeiro morar em pensionato, sem ter jamais cursado uma faculdade, passando pelo exílio... É muito bonito assistir a essa vitória e esse reconhecimento”, afirmou a filha de Gullar.

A atriz Fernanda Montenegro também fez questão de homenagear o poeta. “Estou aqui porque é uma grande festa. É uma louvação a um grande brasileiro, um homem que tem uma vida impoluta, que viveu a política na sua melhor perspectiva, e um poeta extraordinário”, afirmou a grande dama da televisão.

Já Ziraldo enfatizou o tempo em que Gullar evitou concorrer à uma cadeira na ABL. “Nunca se fez tanta justiça como na eleição de Ferreira Gullar. Tem outros como ele aí fora, que ainda se recusam a vir para cá, mas ele acabou se convencendo de que era hora dele vir e isso honra muito a academia. É uma forma de oficializar a glória que ele já tem. É na obra que fica a imortalidade do artista. Ela existiria com ou sem a academia, mas com o reconhecimento de seus pares, fica melhor. Eu fui um dos que mais incentivou ele a vir para cá”, disse.

Já no púlpito, em seu discurso, além de agradecer a presença de toda a família - "apenas as bisnetas não estão aqui", o poeta agradeceu a participação dos acadêmicos em sua eleição e o apoio à sua candidatura. "É com enorme alegria que assumo a honrosa condição de membro da Academia Brasileira de Letras. Agradeço a generosidade dos que votaram em apoio à minha candidatura, aceitando-me como seu companheiro nesta casa a que já pertenceram e pertencem nomes altamente significativos da nossa literatura e da nossa cultura. Agradeço particularmente a alguns companheiros que durante anos, pela amizade que me tinham, insistiram incansavelmente para que eu me candidatasse, como Eduardo Portella, José Sarney e outros, além de amigos que já se foram, como o próprio Ivan Junqueira, a quem tenho a honra, mas não a alegria de substituir", discursou.

Ferreira recebeu a espada das mãos do decano da ABL, José Sarney. O acadêmico Eduardo Portella passou o colar da academia ao novo acadêmico e Ana Maria Machado foi a responsável pela entrega do diploma. Como é de praxe, ele escolheu o acadêmico Antônio Carlos Sechin para fazer o discurso de recepção na academia. Em suas palavras, Sechin falou sobre a adolescência de Ferreira Gullar, lembrando uma redação feita em 1945, na qual uma professora tirou 0,5, por conta de dois erros de português. “Hoje, 69 anos depois, a academia, simbolicamente, restitui aquele meio ponto que a professora subtraiu na redação de 1945. Aqui, sem dúvida, fostes acolhido com a nota máxima”, brincou. 

Eleição fácil

Por 36 votos a favor e um nulo, o escritor Ferreira Gullar foi eleito na tarde de 9 de outubro o novo imortal da ABL (Academia Brasileira de Letras). Na sessão, que aconteceu na sede da instituição no Rio, estavam presentes 19 acadêmicos, e outros 18 votaram por correspondência.

Poeta, crítico de artes e dramaturgo de 84 anos, Gullar é o novo titular da cadeira 37, ocupada anteriormente por Ivan Junqueira, que morreu no dia 3 de julho. Favorito, ele concorria com José William Vavruk, o escritor e historiador José Roberto Guedes de Oliveira, e o poeta Ademir Barbosa Júnior.

"Ele disse que vai ficar muito feio no fardão, mas todos nós ficamos com cara de periquito", brincou o historiador Alberto da Costa e Silva, que há 14 anos ocupa a Cadeira 9. "Eu já me acostumei ao fardão,  mas sofro nos dias de verão".

Ferreira Gullar, na opinião do historiador, é "um grande poeta, o maior da minha geração", disse ele ao UOL. "Ele não queria, mas acabou cedendo e entrando à casa de Machado de Assis e Joaquim Nabuco".

"Sempre que escolhemos um companheiro na casa é um momento de alegria.  Ele não deu entrada antes porque não quis, foi culpa dele", disse Nélida Piñon. "A Academia acolheu com alegria a inscrição dele. Hoje ele quis e ganhou. Não foi difícil, ao contrário, foi facílimo".

 

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