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Morre aos 97 anos, em Campo Grande, o poeta Manoel de Barros

Tuca Vieira/Folha Imagem
O poeta Manoel de Barros, que morreu nesta quinta, aos 97 anos Imagem: Tuca Vieira/Folha Imagem

Do UOL, em São Paulo

13/11/2014 10h42Atualizada em 14/11/2014 11h26

Morreu nesta quinta-feira (13), aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros, um dos mais importantes representantes da poesia brasileira contemporânea, vencedor de dois prêmios Jabuti e que chegou a a ser chamado por Carlos Drummond de Andrade de "o maior poeta vivo".

Conhecido por poemas que incluem elementos da natureza e do cotidiano, em linguagem que se aproximava da oralidade, Barros nasceu em Cuiabá (MT), mas passou parte da infância em Corumbá (MS), no Pantanal, fato que marcaria toda sua obra poética.

De acordo com o hospital Proncor, de Campo Grande, onde ele estava internado desde o dia 24 de outubro, a morte ocorreu às 8h05, por falência múltipla de órgãos. O poeta vivia na capital sul-mato-grossense com a mulher, Stella, e a filha, Martha.

Manoel de Barros foi internado com quadro de obstrução intestinal e passou por uma cirurgia ainda em 24 de outubro e ficou na UTI até o dia seguinte. No último dia 4 de novembro, seu estado de saúde piorou, e ele voltou à UTI, onde permaneceu até o óbito.

Abílio Leite de Barros, 85 anos, irmão do poeta e também escritor, diz que, em seus últimos dias, Manoel esteve desacordado. Muito emocionado, o irmão disse ao UOL que não estava em condições de falar mais sobre Barros. 

O jornalista Pedro Spindola, 67 anos, amigo do poeta, conta que ele esteve com a saúde debilitada nos últimos seis meses, passando a maior parte do tempo na cama, mal conseguindo falar e enxergar. Segundo o amigo, Barros "começou a entrar em parafuso" em 2013, após a morte do filho Pedro, que era esquizofrênico --o escritor já havia perdido outro filho, João Wenceslau, em um acidente aéreo em 2005. "Ele cuidava do filho em casa. Tinha prometido para si mesmo que nunca o internaria. A morte do filho foi o que acabou com ele", afirma o jornalista.   

O velório acontece no cemitério Parque das Primaveras (av. Fellinto Muller, 2.211), em Campo Grande, das 13h30 às 17h, quando será realizado o enterro, no mesmo local. O velório é aberto ao público.

Trajetória

Nascido em 1916 em Cuiabá, Manoel Wenceslau Leite de Barros atuou no Rio de Janeiro como membro da Juventude Comunista entre 1935 e 1937, mas abandonou o partido, decepcionado com o líder Luís Carlos Prestes. O ano de 1937 também marca sua estreia literária, com o livro "Poemas Concebidos sem Pecado", edição artesanal de 21 exemplares confeccionada por amigos. Depois disso, Barros passa a publicar com regularidade.

Depois de se formar em direito no Rio e de estudar cinema e pintura no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), Barros se fixa em Campo Grande a partir de 1960, onde se torna criador de gado.

Ao longo de sua carreira, Barros recebeu inúmeros prêmios, entre eles dois Jabutis nas categorias poesia e ficção, respectivamente, pelos livros "O Guardador das Águas" (1989) e "O Fazedor de Amanhecer" (2001), além do prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor poesia, por "Poemas Rupestres" (2004).

Em 2013, a editora Leya republicou a obra completa de Manoel de Barros, em uma caixa especial com 18 livros, em novas edições.

Veja as obras publicadas por Manoel de Barros:

1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1980 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas
1989 — O guardador das águas
1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada
1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
1998 — Retrato do artista quando coisa
2000 — Ensaios fotográficos
2000 — Exercícios de ser criança
2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
2001 — Águas
2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
2004 — Poemas Rupestres
2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
2005 — Memórias inventadas I
2006 — Memórias inventadas II
2007 — Memórias inventadas III
2010 — Menino do Mato
2010 — Poesia Completa
2011 — Escritos em verbal de ave
2013 — Portas de Pedro Viana

Documentário "Só Dez por Cento é Mentira" retrata Manoel de Barros

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