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Cássia Kis: "O sábio é um adulto com olhos de criança. Esse é o Manoel"

Arquivo Pessoal
Manoel de Barros e Cássia Kis Magro Imagem: Arquivo Pessoal

Cássia Kis Magro

Do UOL, em São Paulo

13/11/2014 15h10

A atriz Cássia Kis Magro cultivou durante anos uma amizade com Manoel de Barros e a família do poeta, que morreu nesta quinta-feira (13), aos 97 anos. Em depoimento ao UOL, ela relembra a amizade e a obra do Mato-grossense

Tenho uma relação não só com a obra do Manoel de Barros, mas com o próprio Manoel. Nós passamos alguns anos nos correspondendo. Essa amizade surgiu no final dos anos 80, quando descobri a poesia dele e andei atrás dele. Quis fazer uma obra sobre a obra do Manoel e nos aproximamos muito, estive na fazenda da família e conheci um personagem importante da obra dele, o Bernardo [peão de sua fazenda há mais de meio século], que já morreu.

Nós nos tornamos amigos, adoro a Stella, a mulher dele, a filha dele, Marta Barros, que é uma grande artista plástica, uma pessoa queridíssima, ilustradora da obra do pai. Tenho lembranças maravilhosas do Manoel. Me considero uma excelente leitora do Manoel de Barros, como se eu tivesse conseguido entender um pedacinho da alma dele.

O nada sempre foi um material maravilhoso para ele. Ele tem um livro, “Livro Sobre Nada”, belíssimo. Tenho “Compêndio para Uso dos Pássaros” que é a primeira edição, lá dos anos 30, e, como tenho uma parceria com Egberto Gismonti, essa edição ficou na casa dele. Falei para ele: você está com um livro meu. Ele disse: Está comigo, mas é nosso.

Egberto fez um disco também com inspiração no Manoel. O Manoel foi o ele de amizade minha com Egberto. Ele me procurou por saber que eu tinha uma relativa intimidade com a obra do Manoel. Começamos uma amizade ali. Egberto, Manoel e eu.

A poesia é um treinamento. Você só gosta de poesia quando começa a ler e insiste na leitura, passa a conhecer a arquitetura de um poeta, o estilo literário – aí é uma coisa que te atrai ou não, e o estilo dele me atrai e muito –, até você entender todas as influências dentro da vida dele. O Manoel sempre citou desde Beethoven, Bernardo, Jesus, São Francisco – as maiores estrelas da história da humanidade estão dentro da obra dele. Manoel é um homem que se construiu desse homens. Você lê Manoel e vê muito de Guimarães Rosa, quem lê Guimarães sabe disso.

Tem um livro que eu estava lendo aqui do Rubem Alves, o nosso amado, chama-se “A Grande Arte de Ser Feliz”. Tem uma coisa que define bem o Manoel, o Rubem diz assim: “Ficar como criança pequena é ficar sábio. Diz o Tao Te King que o segredo do sábio, a razão por que todos olham para ele e o escutam é que ‘ele se comporta como uma criança pequena’”. Traduz lindamente. O sábio é um adulto com olhos de criança. Você vê em qualquer foto dele sorrindo. Esse é o Manoel de Barros.

Vou sentir muita falta dele.

 

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