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Zuenir Ventura diz que passou a ser abordado na rua após eleição para a ABL

Claudia Dias

Do UOL, no Rio

07/11/2014 06h30

Uma semana depois de ser eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras de forma quase unânime – ele teve 35 votos dos 37 possíveis – a ficha de Zuenir Ventura “ainda não caiu”.

O jornalista vai ocupar a cadeira de número 32, que pertenceu a Ariano Suassuna. Mas, segundo ele, pouca coisa mudou na sua vida. E ele brinca com isso. “Aumentou o assédio das pessoas. Dificilmente eu saio nas ruas sem ser parado e cumprimentado. E a outra diferença é que vou ter que voltar a usar terno e gravata pelo menos duas vezes por semana. Há pelo menos dez anos, não usava”, conta.

Zuenir também minimizou o episódio da recepção que comemorou sua eleição, quando ele passou mal e foi levado ao hospital pelos médicos Paulo Niemeyer Filho e Claudio Domênico. “Foi apenas um mal estar, uma queda de pressão por conta da emoção e porque fiquei sem me alimentar direito o dia inteiro. Mas, foi bom, porque eu fiz um check up e vi que estou vendendo saúde”.

O novo imortal recebeu o UOL em sua casa, em uma cobertura em Ipanema, cercado de fotos dos netos Eric, de quase dois anos, e Alice, de cinco. Na entrevista, ele falou um pouco mais sobre a eleição, sua vida, sua família e o casamento de 51 anos com Mary Ventura.

UOL - Quase uma semana depois, a ficha já caiu?
Zuenir Ventura -
Ainda está caindo. Eu nunca pensei que a minha eleição tivesse tanta repercussão, que a Academia tivesse um carisma tão grande. Todos os dias, eu ando no calçadão e agora, sou cumprimentado a todo momento, por um monte de gente que eu não conheço. E todas elas me chamam de imortal. Então, realmente, houve uma mudança muito grande. Dificilmente eu saio agora sem ser parado para ser cumprimentado.

Já se acostumou com a imortalidade?
O perigo é a gente começar a acreditar que é mesmo imortal.

Como será a sua relação com a Academia?
Dentro da Academia eu vou cumprir ordens. Sei que trabalha-se muito lá.  São muitas palestras, muitas conferências, há muita atividade cultural. E eu espero, em algum momento, ser útil à academia. Até porque, é um encontro agradável, não é nada penoso. Eu não conheço, mas as pessoas que participam dizem que é um convívio muito amigo e muito enriquecedor. Então, eu pretendo ajudar a Academia no que eu puder.

Ocupar a cadeira do Ariano Suassuna, o que significa para o senhor?
Antes de qualquer coisa, significa que vou sucedê-lo, e não substituí-lo. E mesmo assim, é uma responsabilidade muito grande. Tanto que eu disse que é uma emoção especial e quero dedicar essa vitória à Zélia Suassuna, que era a mulher dele. Antes de ser internado, o Ariano fez uma declaração a um jornalista, Gerson Camarotti, de que estava muito entusiasmado com a minha candidatura (em outra ocasião). Ele disse que tinha parado de votar, e que iria votar, só para votar em mim. Em seguida, foi internado e morreu. Isso fez com que, ocupar a cadeira dele, tivesse um sabor especial para mim.

O senhor é mais informal...
Eu não gosto muito de gravata. O fardão não me incomoda muito, até porque não será usado sempre, mas apenas em ocasiões especiais. Agora, gravata, vou ter que usar duas vezes por semana, coisa que eu não fazia há pelo menos dez anos. Eu sou muito informal. Aquilo é uma grande instituição. E é aquilo, “ajoelhou, tem que rezar”. Tenho que obedecer às regras.

Já sabe quem vai lhe dar o fardão?
Pois é... Tenho três ofertas: do Governo de Minas, da Prefeitura do Rio de Janeiro e, agora, da prefeitura de Além Paraíba. Os amigos e conterrâneos de lá também querem participar. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que faz até uma guerra com Minas, para me dar o fardão. E, como eu sou muito carioca, fico feliz.

O senhor tem uma vida muito tranquila e afastada dos holofotes. Como sua esposa Mary, viveu esse momento?
A Mary participa de tudo, é ela quem manda em mim. Quando me perguntaram por que eu tinha escrito “1968”, eu respondi: “porque a Mary mandou”. E foi exatamente isso. Ela participa de cada momento, de cada decisão, de cada coluna que eu escrevo. Ela lê cada coluna que eu escrevo, antes de mandar para o jornal, e dá os palpites dela. Realmente, é uma parceira absoluta de tudo o que eu faço. Vivemos juntos há 51 anos. É uma vida. Não faço nada sem a participação dela.

Aqui na sua casa, é ela quem manda?
Ela manda até na roupa que eu visto e na comida, porque sabe o que eu gosto. Tem um famoso episódio que aconteceu lá em Minas. O Afonso Borges, que é um amigo, organiza uns papos em Belo Horizonte. E uma vez eu fui sozinho. Depois, saímos para jantar com um grupo grande. Todo mundo já tinha escolhido o seu prato e eu não conseguia. De repente, veio o prato que eu queria. Quando perguntei ao Afonso, ele disse que tinha ligado para a Mary para saber o que eu iria comer.

Como ela está absorvendo a sua eleição e sua nova condição de imortal?
A ficha dela ainda está caindo. Está caindo menos do que a minha. A Mary é muito low profile, é muito recatada. Ela não gosta, por exemplo, de fotografia. Não fotografa comigo. Acho que é a única coisa que ela não faz comigo. Ainda está um pouco assustada com o assédio. Mas, aos poucos, vamos nos acostumando.

O senhor tem 83 anos, mas uma vida bastante ativa. Como mantém a forma e a atividade?
Eu não paro. Tenho bom coração e uma saúde de ferro, porque caminho todos os dias e isso me faz bem. Andar para mim, é mais do que exercício físico. Me faz bem para a cabeça. Depois eu descobri que a gente secreta uma substância, a endorfina, a substância do bem estar. Se eu já tive alguma ideia boa, foi andando no calçadão. Eu ando todos os dias, mas não é por disciplina física, é por necessidade mesmo do contato com a natureza, de ver o mar. Depois eu volto para trabalhar.

O senhor tem dois netos. Que tipo de avô é Zuenir Ventura?
Tenho dois netos, um casal: o Eric, que vai fazer dois anos, e a Alice, que fez cinco. Eles são a minha alegria. E a Alice é muito ligada à mim. Eu sou um avozão. Meu filho mora aqui ao lado e, quando ela acorda, vem direto pra cá. Me chama para fazer atividades: recortar, colar...eu faço o que ela mandar. Sou mandado pelas mulheres: a Alice e a Mary. Eles são a minha paixão. O Eric agora está ficando mais próximo, porque agora interage. As pessoas dizem que eu só falo da Alice, mas é porque ela é minha interlocutora, interage mais comigo. Ele já está começando a falar, daqui a pouco, vou ficar ligadíssimo com ele. E ela vai ficar com ciúmes. 

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